Por que um Deus bom criou um Diabo ruim?

A Bíblia diz que foi o diabo (ou Satanás), na forma de uma serpente, que tentou Adão e Eva para pecarem e que trouxe a queda do casal.  Mas isto suscita uma pergunta importante:  Por que Deus criaria um diabo ‘ruim’ (cujo nome significa ‘adversário’) para corromper Sua boa criação?

Lúcifer – Aquele que Brilha

A Bíblia diz que Deus criou um espírito poderoso, inteligente e bonito que era o líder entre todos os anjos. Ele foi chamado Lúcifer (que significa ‘Aquele que Brilha’) – e ele era muito bom. Mas Lúcifer também tinha uma vontade com a qual ele podia escolher livremente. Uma passagem de Isaías 14 registra a escolha que ele fez.

Rei da Babilônia, brilhante estrela da manhã, você caiu lá do céu! Você, que dominava as nações, foi derrubado no chão!

Antigamente você pensava assim: “Subirei até o céu e me sentarei no meu trono, acima das estrelas de Deus. Reinarei lá longe, no Norte, no monte onde os deuses se reúnem.

Subirei acima das nuvens mais altas e serei como o Deus Altíssimo.” (Isaías 14:12-14)

Lúcifer, como Adão, tinha uma decisão a tomar. Ele poderia aceitar que Deus era Deus ou poderia decidir escolher que ele seria o deus para si mesmo. As repetidas vezes que ele disse “eu serei” mostra que ele escolheu desafiar Deus e declarar a si mesmo o ‘Altíssimo’. Uma passagem em Ezequiel mostra um registro paralelo da queda de Lúcifer: 

Você vivia no Éden, o jardim de Deus… Você vivia no meu monte santo e andava pelo meio de pedras brilhantes. A sua conduta foi perfeita desde o dia em que foi criado, até que você começou a fazer o mal. Você ficou ocupado, comprando e vendendo, e isso o levou à violência e ao pecado. Por isso, anjo protetor, eu o humilhei e expulsei do monte de Deus, do meio das pedras brilhantes. Você ficou orgulhoso por causa da sua beleza… Então eu o joguei no chão a fim de servir de aviso para outros reis. (Ezequiel 28:13-17)

A beleza, sabedoria e poder de Lúcifer – todas as coisas boas criadas nele por Deus – o levaram ao orgulho. Seu orgulho o levou à rebelião, mas ele jamais perdeu qualquer de seus poderes ou habilidades. Ele agora está liderando uma revolta cósmica contra seu Criador para ver quem será Deus. Sua estratégia é alistar a humanidade para se juntar a ele – ao tentar a humanidade para que façam a mesma escolha que ele fez – amar a si mesmos, se tornarem independentes de Deus e desafiar a Deus.  O cerne do teste da vontade de Adão foi o mesmo teste de Lúcifer; o teste apenas foi apresentado de maneira diferente. Ambos escolheram ser ‘deus’ para si mesmos.

Satanás – operando através de terceiros

A passagem de Isaías está direcionada para o ‘Rei da Babilônia’ e a passagem de Ezequiel está endereçada ao ‘Rei de Tiro’. Mas a partir das descrições dadas, fica claro que nenhum humano é endereçado. Os “eu serei” em Isaías descreve alguém que foi lançado na terra em punição por querer colocar seu trono acima do de Deus. Ezequiel trata de um ‘guardião angélico’ que outrora andava no Éden e na ‘montanha de Deus’.  Satanás (ou Lúcifer) geralmente se coloca por trás ou através de outra pessoa. Em Gênesis ele fala através da serpente. Em Isaías ele reina através do Rei da Babilônia, e em Ezequiel ele possui o Rei de Tiro.    

Por que Lúcifer se revoltou contra Deus?

Mas por que Lúcifer quer desafiar o Criador todo poderoso e todo onisciente? Parte de ser ‘inteligente’ é saber se você pode ou não derrotar seu oponente. Lúcifer pode ter poder, mas este poder ainda é insuficiente para derrotar Seu Criador. Por que perder tudo por algo que ele não pode ganhar? Penso que um anjo ‘inteligente’ teria reconhecido suas limitações contra Deus – e segurado sua revolta. Então, por que ele não fez isso? Essa é a pergunta me intrigou por anos.

Então percebi que Lúcifer só poderia acreditar que Deus era o Criador todo poderoso pela fé – e o mesmo vale para nós. A Bíblia sugere que os anjos foram criados na semana da criação. Por exemplo, uma passagem em Jó nos diz:

Então o Senhor respondeu a Jó do meio da tempestade. Disse ele: Onde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se é que você sabe tanto. Quem marcou os limites das suas dimensões? Vai ver que você sabe! E quem estendeu sobre ela a linha de medir? E as suas bases, sobre o que foram postas? E quem colocou sua pedra de esquina, enquanto as estrelas matutinas juntas cantavam e todos os anjos se regozijavam? (Jó 38:1, 4-7)

Imagine Lúcifer sendo criado e se tornando consciente na semana da criação, em algum lugar do universo. Tudo o que ele sabe é agora ele existe e está autoconsciente, e também que existe outro Ser que reivindica ter criado Lúcifer e o universo. Mas como Lúcifer sabe que esta reivindicação é verdadeira? Talvez, este assim denominado ‘criador’ veio à existência nas estrelas um pouco antes de Lúcifer ter vindo à existência. E porque este ‘criador’ chegou primeiro em cena, ele era (talvez) mais poderoso e (talvez) tinha mais conhecimento do que ele tinha – mas então, talvez esse não fosse o caso. Talvez tanto ele quanto o ‘criador’ tinham vindo à existência. Lúcifer não conseguia aceitar a Palavra de Deus à ele de que Deus o havia criado e que o próprio Deus era eterno e infinito. E em seu orgulho ele escolheu acreditar em sua fantasia.

Talvez pareça exagerado que Lúcifer tenha acreditado que tanto ele quanto Deus (e os outros anjos) tenham simplesmente vindo à existência. Mas esta é a mesma ideia básica por trás dos mais recentes pensamentos da cosmologia moderna. Houve uma flutuação do nada, e então, a partir desta flutuação o universo surgiu – esta é a existência das teorias modernas de cosmologia. Fundamentalmente, todos – de Lúcifer a Richard Dawkins & Stephen Hawkings a você & eu – devem escolher pela fé se o universo é autocontido ou foi criado e sustentado por um Deus Criador. 

Em outras palavras, ver não é acreditar. Lúcifer teria visto e conversado com Deus. Mas ele ainda teria que aceitar ‘pela fé’ que Deus o havia criado. Muitas pessoas dizem que se Deus simplesmente ‘aparecesse’ para eles, então eles acreditariam. Mas na Bíblia muitas pessoas viram e ouviram a Deus – mas ainda assim não acreditaram em Sua palavra. A questão era se eles aceitariam e confiariam em Sua Palavra acerca de Si Mesmo (Deus) e deles mesmos. Desde Adão e Eva, Caim & Abel, a Noé, aos egípcios na primeira Páscoa, à travessia feita pelos israelitas do Mar Vermelho – até mesmo aqueles que viram os milagres de Jesus – ‘ver’ nunca resulta em crer.  A queda de Lúcifer é um exemplo dessa premissa.

O que o diabo está fazendo hoje?

De acordo com a Bíblia, Deus não criou um ‘diabo ruim’, mas criou um ser angelical poderoso e inteligente. Através do orgulho ele liderou uma revolta contra Deus – e ao assim fazer ele se corrompeu enquanto ainda mantinha seu esplendor original. Você, eu e toda a humanidade nos tornamos parte do campo de batalha desta batalha entre Deus e seu ‘adversário’ (diabo). A estratégia do diabo não é andar por aí com casacos pretos como os ‘Black Riders’ no Senhor dos Anéis, que lançam maldições nas pessoas. Em vez disto, ele busca nos enganar da redenção que Deus prometeu no início do tempo, através de Abraão, através de Moisés, e então realizado na  morte e ressurreição de Jesus.  Conforme a Bíblia diz:

E isso não é de admirar, pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz. Portanto, não é nada demais que os servidores dele se disfarcem, apresentando-se como pessoas que fazem o bem. (2 Coríntios 11:14-15)

Pelo fato de que Satanás e seus servos podem se disfarçar como ‘luz’, nós somos enganados mais facilmente. Talvez seja por isso que o Evangelho sempre do lado oposto de nossos instintos e contra todas as culturas.

A Bíblia é textualmente confiável ou ela foi corrompida?

Crítica Textual e a Bíblia

Em nossa era científica e educada nós questionamos as crenças não científicas que as gerações prévias adotaram. Tal ceticismo é verdadeiro de livros religiosos, como um todo, e a Bíblia em particular. Muitos de nós questiona a confiabilidade da Bíblia. Essa dúvida se origina a partir do que sabemos sobre a Bíblia. Afinal de contas, a Bíblia foi escrita há mais de dois mil anos. Na maior parte destes milênios não existia a imprensa, máquinas de xérox ou empresas gráficas ou editoras. Logo, os manuscritos originais eram copiados manualmente, geração após geração, e ao passo em que línguas morriam e novas surgiam, ao passo que impérios mudavam e novas forças ascendiam. Uma vez que os manuscritos originais há muito se perderam, como sabemos que o que lemos hoje na Bíblia é o que os autores originais de fato escreveram? Ou será que a Bíblia foi alterada ou corrompida, talvez pelos líderes na igreja, ou padres e monges que desejavam mudar sua mensagem para que ela se adequasse a seus propósitos?

Princípios de Crítica Textual

Esta dúvida, naturalmente, é verdadeira de qualquer escrito antigo. A linha do tempo abaixo ilustra o processo pelo qual qualquer escrito antigo foi preservado no decorrer do tempo. Ela mostra um exemplo de um documento antigo escrito 500 A.C. (esta data foi escolhida aleatoriamente). Este original, contudo, não dura indefinidamente, logo, antes que ele se deteriore, seja perdido ou destruído, uma cópia do manuscrito (MSS) é feita (primeira cópia). Uma classe profissional de pessoas chamada escribas era responsável pelo trabalho de cópia. Com o passar dos anos cópias são feitas (segunda e terceira cópias). Em determinado momento uma cópia é preservada de maneira que ela está em existência até o dia de hoje (terceira cópia). Em nosso exemplo esta cópia existente foi escrita 500 A.D. Isto quer dizer que o mais cedo que podemos saber do estado do documento é apenas a partir de 500 A.D. Consequentemente, o período de 500 A.C. a 500 A.D. (rotulado x no diagrama) é o período onde não podemos fazer quaisquer verificações de cópias uma vez que todos os manuscritos desse período desapareceram.

Por exemplo, se erros de cópia (intencionais ou do contrário) foram feitos quando a segunda cópia foi feita a partir da primeira cópia, não seríamos capazes de detectar tais erros ao passo que nenhum desses documentos está disponível para que sejam comparados um com o outro. Este simples período que antecede as cópias atualmente existentes (o período x) é, portanto, o intervalo da incerteza textual. Consequentemente, um princípio utilizado lida com questões acerca da confiabilidade é analisar o período deste período de tempo. Quanto menor o intervalo (‘x’ no diagrama), maior  confiança colocamos na preservação acurada do documento em nosso período moderno, uma vez que o período de incerteza é reduzido.       

Claro, geralmente mais de uma cópia de manuscrito de um documento está em existência hoje. Suponha que tenhamos duas cópias de manuscritos e na mesma seção de cada uma delas encontramos a seguinte expressão:

O autor original ou escreveu acerca de Joan ou acerca de João, e o outro destes manuscritos contem um erro de cópia. A pergunta é: Qual cópia está errada? A partir dos manuscritos disponíveis é muito difícil determinar.

Agora, suponha que tenhamos encontrado mais cópias de manuscritos da mesma obra, conforme mostrados abaixo:

Agora é mais fácil deduzir qual manuscrito tem o erro de cópia. É mais provável que o erro tenha sido cometido uma vez, em vez de que o mesmo erro tenha se repetido três vezes, logo, é provável que MSS #2 seja a cópia que possui erros, e o autor estava escrevendo sobre Joan, não João.

Este simples exemplo ilustra um segundo princípio utilizado para verificar a integridade do manuscrito – Quanto mais manuscritos estiverem disponíveis, mais fácil é detectar e corrigir erros e de assessar o conteúdo do original.

Crítica Textual: escritos greco-romanos comparados aos escritos do Novo Testamento

Agora temos dois indicadores embasados em evidências utilizados para determinar a confiabilidade textual dos documentos antigos: 1) mensurando o tempo entre a composição original e as mais antigas cópias de manuscritos existentes, e 2) contar o número de cópias de manuscritos existentes. Uma vez que estes indicadores pertencem a qualquer escrito antigo, podemos avançar para aplicar tais indicadores às obras aceitas de história, conforme feito na tabela abaixo (1).

Autor Quando
Escrito
Cópia Mais
Antiga
Período
de Tempo
César 50 AC 900 AD 950 10
Platão 350 AC 900 AD 1250 7
Aristótoles* 300 AC 1100 AD 1400 5
Tucídides 400 AC 900 AD 1300 8
Heródoto 400 AC 900 AD 1300 8
Sófocles 400 AC 1000 AD 1400 100
Tácito 100 AD 1100 AD 1000 20
Plínio 100 AD 850 AD 750 7

* a partir de qualquer obra

Estes escritores representam os maiores escritores clássicos da antiguidade –os escritos que moldaram o desenvolvimento da civilização ocidental. Em media, eles nos foram transmitidos por 10-100 manuscritos que estão preservados começando a partir de aproximadamente 1000 anos após o original ter sido escrito. A partir de um ponto de vista científico estes dados podem ser considerados nosso experimento de controle uma vez que ele abrange dados (história clássica e filosofia) que são aceitos e utilizados por acadêmicos e universidades em todo o mundo.

A seguinte tabela compara os escritos neotestamentários seguindo tais critérios (2). Isto pode ser considerado nossos dados experimentais que serão comparados aos nossos dados de controle, assim como qualquer investigação científica.

MSSQuando Escrito Data do MSS Período
de Tempo
John Rylan 90 AD 130 AD 40 anos
Papiros
de Bodmer
90 AD 150-200 AD 110 anos
Chester  Beatty 60 AD *80 AD 20 anos
Códice Vaticano 60-90 AD 325 AD 265 anos
Códice Sinaítico 60-90 AD 350 AD 290 anos

* Tradicionalmente datado de 200 AD, mas a pesquisa mais recente dá 80 AD.

Esta tabela nos oferece um breve destaque de alguns dos manuscritos existentes. O número de manuscritos neotestamentários é tão vasto que seria impossível lista-los todos em uma tabela. Conforme um erudito (3) que gastou anos estudando esta questão afirma:

“Temos mais de 24000 cópias de manuscritos de porções do Novo Testamento em existência hoje… Nenhum outro documento da antiguidade sequer começa a se aproximar de tais números e atestação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com 643 manuscritos que ainda sobrevivem”.

Um proeminente estudioso no Museu Britânico (4) corrobora isso:

“Estudiosos se satisfazem quando possuem substancialmente o texto verdadeiro dos principais escritores gregos e romanos…contudo, nosso conhecimento de seus escritos depende de alguns meros manuscritos ao passo que os manuscritos do Novo Testamento são contados aos…milhares”.

Crítica textual neotestamentária e Constantino

E um número significante destes manuscritos é extremamente antigo. Eu ganhei um livro acerca dos documentos mais antigos do Novo Testamento. A apresentação começa com:

“Este livro fornece transcrições de 69 dos manuscritos mais antigos do Novo Testamento… datados do início do segundo século ao início do quarto século (100-300AD)… contendo cerca de 2/3do texto do Novo Testamento” (5).

Isto é importante uma vez que estes manuscritos vêm antes do Imperador Romano Constantino (aproximadamente 325 AD) e a ascensão ao poder da Igreja Católica Romana, uma vez que tanto Constantino quanto a Igreja Romana são acusados de alterar o texto bíblico. Nós podemos de fato testar esta alegação ao comparar os textos anteriores a Constantino (uma vez que os possuímos) com os textos que vieram posteriormente. Quando os comparamos descobrimos que os textos são os mesmos. A mensagem dos textos de 200 AD é a mesma dos textos de 1200 AD. Nem a Igreja Católica Romana nem Constantino alterou a Bíblia. Esta não é uma declaração religiosa, ela está embasada unicamente em dados científicos. A imagem abaixo ilustra a linha do tempo dos manuscritos a partir dos quais o Novo Testamento da Bíblia está embasado.

Implicações da Crítica Textual da Bíblia

Então, o que podemos concluir a partir disto? Certamente, ao menos naquilo que podemos objetivamente mensurar (número de manuscritos existentes e períodos de tempo entre os manuscritos originais e os mais antigos) o Novo Testamento é verificado em um nível bem mais elevado do que qualquer outra obra clássica. O veredito ao qual a evidência nos leva é melhor resumida na seguinte declaração (6):

“Ser cético do texto resultante do Novo Testamento é permitir que toda a antiguidade clássica caia em obscuridade, pois nenhum outro documento do período antigo é tão bem atestado bibliograficamente quanto o Novo Testamento”.

O que este acadêmico está dizendo é que para ser consistente, se decidirmos duvidar da confiabilidade da preservação da Bíblia, nós deveríamos descartar tudo o que sabemos acerca da história clássica em geral – e isto nenhum histórico informado jamais fez. Sabemos que os textos bíblicos não foram alterados ao passo que eras, línguas e impérios vieram e se foram, pois os manuscritos mais antigos antecedem tais acontecimentos. Por exemplo, sabemos que nenhum monge medieval extremamente zeloso acrescentou milagres de Jesus ao registro bíblico uma vez que temos manuscritos que antecedem os monges medievais e todos estes manuscritos anteriores também contém os registros miraculosos de Jesus.

Mas e a tradução da Bíblia?

Mas e com relação aos erros envolvidos na tradução, e o fato de que existem tantas versões diferentes da Bíblia hoje? Isto não mostra que é impossível determinar com precisão o que os autores originais realmente escreveram?

Primeiro devemos esclarecer uma concepção errada comum. Muitas pessoas pensam que a Bíblia hoje passou por uma série de passos de tradução, com cada língua sendo traduzida de uma língua anterior, algo mais ou menos assim: grego -> latim -> inglês medieval -> inglês shakespeariano -> inglês moderno -> todas as línguas modernas.  Na verdade, as Bíblias em todas as línguas são traduzidas diretamente a partir da língua original. Para a tradução do Novo Testamento é assim: grego -> língua moderna, e para o Antigo Testamento é assim: hebraico -> língua moderna. Os textos base em grego e hebraico são padrão.

Portanto, as diferenças nas versões bíblicas vêm de como os linguistas escolhem traduzir as expressões para a língua de chegada.

Devido à vasta literatura clássica que foi escrita em grego (língua original do Novo Testamento), tem sido possível precisamente traduzir os pensamentos e palavras originais dos autores originais. Na verdade, as diferentes versões modernas atestam isto. Por exemplo, leia Romanos 6:23 versículo bastante conhecido na maioria das versões comuns, e observe a leve variação em como o versículo é escrito, mas a consistência em ideia e significado:

1) Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. (Almeida Revista e Corrigida 2009)

2) Pois o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Senhor. (Nova Traduҫão na Linguagem de Hoje 2000)

3) Pois o salário do pecado é a morte, mas a dádiva de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Nova Versão Transformadora)

Você pode ver que não existe discordância entre as traduções – elas dizem exatamente  a mesma coisa com uma leve diferença no uso das palavras.

Resumindo, nem o tempo e nem a tradução corromperam as ideias e pensamentos expressos nos manuscritos originais bíblicos para esconder tais erros de nós hoje. Nós podemos saber que a Bíblia hoje acuradamente contém o que os autores de fato disseram há tempos atrás. A Bíblia é textualmente confiável. É importante perceber o que este estudo faz o que ele não faz. Isto não prova que a Bíblia seja necessariamente a Palavra de Deus, nem que ela é sequer verdadeira. Pode ser discutido (ao menos a partir da evidência apresentada aqui) que embora as ideias originais dos autores bíblicos foram acuradamente passadas a nós hoje, o que de fato não prova ou indica que estas ideias originais jamais estiveram certas para início de conversa (ou sequer que tais ideias são de Deus). Isso é verdade. Mas o entendimento da confiabilidade textual bíblica fornece um ponto de partida a partir do qual se pode começar a investigar seriamente a Bíblia para verificar se algumas destas outras perguntas também podem ser respondidas, e se tornar informado em relação a qual é sua mensagem. A Bíblia reivindica que sua mensagem é uma bênção de Deus. E se houver uma chance de que isto seja verdade? Invista seu tempo aprendendo alguns dos acontecimentos importantes da Bíblia que são explicados neste website.  

  • Extraído de McDowell, J. Evidence That Demands a Verdict. 1979, p. 42-48.
  • Comfort, P.W. The Origin of  the Bible. 1992, p. 193
  • McDowell, J. Evidence That Demands a Verdict. 1979, p. 40
  • Kenyon, F.G. (ex-diretor do Museu Britânico) Our Bible and the Ancient Manuscripts. 1941, p.23.
  • Comfort, P.W. “The Text of the Earliest New Testament Greek Manuscripts”. 2001, p. 17.
  • Montgomery. History and Christianity. 1971, p.29.

A Precisão E Poder de Pentecoste

O Dia de Pentecoste sempre cai em um domingo. O dia celebra um dia memorável, mas não é apenas o que aconteceu naquele dia, mas quando e porquê ele aconteceu que revela a mão de Deus, e um presente poderoso para você.

O que aconteceu em Pentecoste

Se você já ouviu falar de ‘Pentecostes’, você provavelmente aprendeu que foi o dia quando o Espírito Santo desceu para habitar nos seguidores de Jesus. Este é o dia em que a Igreja, os “chamados para fora” de Deus, nasceu. Os acontecimentos estão registrados em Atoss capítulo 2 da Bíblia.  Naquele dia, o Espírito de Deus desceu sobre os primeiros 120 seguidores de Jesus e eles começaram a falar, em voz alta, em línguas faladas ao redor do mundo. O acontecido criou tanta comoção que milhares de pessoas que estavam em Jerusalém na época vieram para ver o que estava acontecendo. Na frente da multidão reunida, Pedro ministrou a primeira mensagem do evangelho e ‘naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas’ (Atos 2:41). O número dos seguidores do evangelho estava crescendo desde que o domingo de Pentecoste.

O dia aconteceu 50 dias após a ressurreição de Jesus. Foi durante estes 50 dias que os discípulos de Jesus se convenceram de que Jesus havia ressuscitado dos mortos. No domingo de Pentecoste eles tornaram sua crença pública e tudo mudou. Se você acredita ou não na ressurreição, sua vida foi afetada pelos acontecimentos daquele domingo de Pentecoste.

Este entendimento de Pentecoste, embora correto, não está completo. Muitas pessoas querem uma repetição, através de uma experiência semelhante, do que aconteceu naquele domingo de Pentecoste. Desde que os primeiros discípulos de Jesus tiveram essa experiência do Pentecoste ao ‘aguardarem o dom do Espírito,’ hoje as pessoas, de maneira semelhante, acreditam que se esperarem o Espírito virá de maneira igual. Entretanto, muitas pessoas imploram e esperam que Deus realize outro domingo de Pentecoste. Pensar desta maneira presume que foi a espera e a oração que moveu o Espírito de Deus naquela época. Pensar desta maneira é errar sua precisão – pois o Pentecoste registrado em Atos capítulo 2 não foi o primeiro Pentecoste.

Pentecoste da Lei de Moisés

‘Pentecoste’ era na verdade um festival annual do Antigo Testamento. Moisés (1500 AC) havia estabelecido vários festivais para serem celebrados por todo o ano. A Páscoa era o primeiro festival do ano judaico.  Jesus for a crucificado em um dia do festival da Páscoa. O exato momento de sua morte  combinando com o momento dos sacrifícios da Páscoa foi um sinal.

O segundo festival era a festa das Primícias, e a Lei de Moisés afirmava que ela deveria ser celebrada um dia após o sábado da Páscoa (=Domingo). Jesus ressuscitou no domingo, portanto, sua ressurreição aconteceu exatamente no Festival das Primícias. Uma vez que sua ressurreição se deu nas ‘Primícias’, isto era uma Promessa de que nossa ressurreição aconteceria mais tarde (para todos aquele que nele confiam).  Sua ressurreição é literalmente ‘os primeiros frutos (primícias)’, assim como o nome da festa profetizava.

Precisamente 50 dias após o Domingo das ‘Primícias’ os judeus celebravam o Pentecoste (‘Penta’ que significa 50.  Era também chamada de Festa das Semanas uma vez que ela era contada em sete semanas). Os judeus tinham estado celebrando  o Pentecoste por 1500 anos na época em que o Pentecoste de Atos 2 aconteceu.  O motivo pelo qual havia pessoas de todas as partes do mundo no dia de Pentecoste em Jerusalém para ouvir a mensagem e Pedro foi justamente porque esperava-se que aquelas pessoas comemorassem o Pentecoste do Antigo Testamento. Ainda hoje os judeus comemoram o Pentecoste, mas eles chamam esta festa de Shavuot.

Lemos no Antigo Testamento como o Pentecoste devia ser celebrado:

… cinquenta dias depois que ofereceram esse feixe, apresentem a Deus, o Senhor, outra oferta da colheita de cereais. Cada família deverá apresentar dois pães feitos com a melhor farinha e com fermento. Cada pão deverá pesar dois quilos. Esses pães são uma oferta a Deus, o Senhor, tirada da melhor parte da colheita de trigo. (Levítico 23:16-17)

Precisão de Pentecoste: Evidência de uma Mente

Há um tempo preciso para o Pentecoste de Atos 2 porque ele aconteceu exatamente no mesmo dia do ano que se comemorava o Pentecoste (Festa das Semanas) do Antigo Testamento. O fato de que crucificação de Jesus aconteceu na Páscoa, a ressurreição de Jesus aconteceu na Festa das Primícias, e o Pentecoste de Atos 2 aconteceu na Festa judaica das Semanas aponta para uma Mente coordenando todas estes acontecimentos na história. Com tantos dias no ano por que a crucificação de Jesus, sua ressurreição, e então a vinda do Espírito Santo aconteceram precisamente, cada uma em um dia específico destes três festivais da primavera do Antigo Testamento, a não ser que tais acontecimentos tenham sido planejados? Precisão como esta só acontece se houver uma mente por trás dos acontecimentos.

Os acontecimentos do Novo Testamento aconteceram precisamente em três festivais de primavera do Antigo Testamento
Os acontecimentos do Novo Testamento aconteceram precisamente em três festivais de primavera do Antigo Testamento

Lucas ‘inventou’ Pentecoste?

Alguém pode argumentar que Lucas (o autor de Atos) inventou os acontecimentos de Atos 2 para que eles ‘acontecessem’ no dia de Pentecoste. Então ele seria a ‘mente’ por trás do tempo preciso dos eventos. Mas o registro de Lucas não diz que Atos 2 é o ‘cumprimento’ da Festa de Pentecoste, o registro sequer menciona algo do tipo. Por que Lucas se daria o trabalho de criar tais acontecimentos dramáticos para que eles ‘acontecessem’ naquele dia, mas não ajudaria o leitor a entender como o acontecimento ‘cumpre’ a Festa de Pentecoste? Na verdade, Lucas fez um trabalho tão bom de registrar os acontecimentos em vez de interpretá-los que a maioria das pessoas hoje não sabe que os acontecimentos de Atos 2 caíram exatamente no mesmo dia em que se comemorava a Festa de Pentecoste do Antigo Testamento. Muitas pessoas pensam que o Pentecoste simplesmente começou em Atos 2. Uma vez que maioria das pessoas não está consciente da conexão entre os dois acontecimentos, Lucas estaria na impossível situação de ser um gênio de inventar a relação entre os dois Pentecostes, mas de ser completamente incapaz de vender sua ideia.

Pentecoste: Uma Nova Força

Em vez disto, Lucas aponta para uma profecia do livro veterotestamentário de Joel, prevendo que um dia o Espírito de Deus seria derramado sobre todas as pessoas. O Pentecoste de Atos 2 cumpriu essa profecia.

Um motivo que o Evangelho é ‘boas novas’ é que ele fornece poder para vivermos uma vida de maneira diferente – melhor. A vida agora é uma união entre Deus e as pessoas. E esta união acontece através do habitar do Espírito Santo – que começou no domingo de Pentecoste de Atos 2. As Boas Novas é que a vida agora pode ser vivida em um nível diferente, em um relacionamento com Deus através de seu Espírito. A Bíblia coloca da seguinte maneira:

Quando ouviram a verdadeira mensagem, a boa notícia que trouxe para vocês a salvação, vocês creram em Cristo. E Deus pôs em vocês a sua marca de proprietário quando lhes deu o Espírito Santo, que ele havia prometido. 14 O Espírito Santo é a garantia de que receberemos o que Deus prometeu ao seu povo, e isso nos dá a certeza de que Deus dará liberdade completa aos que são seus. (Efésios 1:13-14)

Se em vocês vive o Espírito daquele que ressuscitou Jesus, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dará também vida ao corpo mortal de vocês, por meio do seu Espírito, que vive em vocês. (Romanos 8:11)

E não somente o Universo, mas nós, que temos o Espírito Santo como o primeiro presente que recebemos de Deus, nós também gememos dentro de nós mesmos enquanto esperamos que Deus faça com que sejamos seus filhos e nos liberte completamente. (Romanos 8:23)

O habitar do Espírito de Deus é outro aspecto das primícias, pois o Espírito é um antegosto – uma garantia – do processo que completará nossa transformação em ‘filhos de Deus’.

O evangelho oferece vida abundante não através de posses, prazer, status, riqueza e todas as outras trivialidades passageiras que são buscadas neste mundo, que Salomão descobriu ser uma bolha vazia, mas pelo habitar do Espírito de Deus.  Se isto for verdadeiro – que Deus nos oferece o habitar em nós e nos dar forças – isso é boas novas.  O Pentecoste do Antigo Testamento com a celebração dos pães levedados apresenta esta vindoura vida abundante.   A precisão entre o Pentecoste do Antigo Testamento e a do Novo Testamento é evidência perfeita de que Deus é a Mente por trás destes acontecimentos e este poder e vida abundante.

O Enigma da Profecia do Salmo 22

Há alguns anos um amigo e colega de trabalho, J, veio até a minha mesa. J era inteligente e educado – e definitivamente não cria no evangelho. Mas ele era, de certa forma, curioso, o que levou com que tivéssemos algumas boas e afetuosas conversas. Ele jamais havia analisado a Bíblia, portanto, eu o encorajei para que ele a investigasse.

Um dia ele veio até o meu escritório com uma Bíblia para me mostrar que ele estava dando uma olhada na Bíblia. Ele aleatoriamente abriu a Bíblia mais ou menos no meio. Eu lhe perguntei o que ele estava lendo. Nossa conversa foi algo mais ou menos assim:

“Estou lendo o salmo 22”, ele disse.

“Sério?”, eu disse. “Alguma ideia do que você está lendo?”

“Acho que estou lendo sobre a crucificação de Jesus”, J respondeu.

“Foi uma boa conjectura”, eu ri. “Mas você está adiantado cerca de mil anos. O Salmo 22 foi escrito por Davi cerca de 1000 antes de Cristo. A crucificação de Jesus se deu aproximadamente no ano 30 da Era Comum”.

Não estando familiarizado com a Bíblia, J não se deu conta de que os Salmos não eram os registros da vida de Jesus escritas por seus contemporâneos. J só havia ouvido estórias acerca de Jesus, incluindo sua crucificação, e ao abrir a Bíblia aleatoriamente e ter lido algo como aquela passagem, a partir da perspectiva dele, a passagem bíblica parecia descrever a crucificação, e sem saber mais sobre a Bíblia, ele simplesmente presumiu que era a história da crucificação. Tivemos umas boas risadas sobre seu primeiro deslize na leitura da Bíblia.

Então eu perguntei ao J o que ele viu no Salmo 22 que fez com que ele pensasse estar lendo sobre a crucificação de Jesus. Assim começou nosso pequeno estudo investigativo. Eu te convido a considerar algumas das semelhanças que J observou ao colocar as passagens lado a lado sobre a mesa. Para te auxiliar eu colori os textos que são semelhantes.

Comparação dos registros do Evangelho da Crucificação com os detalhes do Salmo 22

Detalhes da crucificação dos Evangelhos Salmo 22 – escrito 1000 AC
(Mateus 27: 31-48). ..Então o (Jesus) levaram para crucificá-lo…. 39 OS que passavam lhe lancavam insultos, balançando a cabeça 40 e dizendo: “… salve-se! Desça da cruz, se é o Filho de Deus!” 41 Ida mesma forma, os chefes dos sacerdotes,  os mestres da lei e os líderes religiosos zombavam dele. 42 “Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo! E é o rei de Israel! Desça agora da cruz, e creremos nele 43 Ele confiou em Deus. Que Deus o salve agora, se dele tem compaixão…Por volta das três da tarde Jesus bradou em alta voz…Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” …48 Imediatamente, um deles correu e, embebeu-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e deu-a a Jesus para beber.Marcos 15: 16-2016 Os soldados o levaram dentro à sala… Vestiram-no com um manto de púrpura, depois fizeram uma coroa de espinhos e a colocaram nele. 18 E começaram a saudá-lo: “Salve, rei dos judeus!” 19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara e cuspiam nele. Ajoelhavam-se e lhe prestavam adoração. 20 Depois de terem zombado e vestiram-lhe suas próprias roupas. Então o levaram para for a, a fim de crucificá-lo…37 Com um alto brado, expirou.(JOÃO 19:34) não lhe quebraram as pernas..., perfurou o lado de Jesus com uma lança, e logo saiu sangue e água.…Eles o crucificaram… (JOÃO 20:25) [Tomas] se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos ,…”…JOÃO 19:23-24 Quando os soldados crucificaram Jesus, os soldados tomaram as roupas dele e as dividiram em quatro partes, uma para cada um deles, restando a túnica…Não vamos rasga-la”, disseram eles, “Vamos tirar a sorte para ver quem fica com ela” Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! …Todos os que me veem zombam de mim; eles lançam insultos sobre mim, balançando suas cabeças “Confiou no Senhor,” que o livre; livre-o, pois nele tem prazer”.9 9 Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. 10 Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.11 Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude.12 Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam. 13 Como leão voraz rugindo, escancaram a boca contra mim. 14 Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram. O meu coração é como a cera, derreteu-se no meu íntimo 15 Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte.16 Câes me rodearam, um bando de homens maus me cercou; perfuraram minhas mãos e meus pés. 17 Posso contas todos os meus ossos; eles me encaram com desprezo. 18 Dividiram as minhas roupas entre si e tiraram sortes pelas minhas vestes.

O fato de que J fez uma conclusão lógica, embora equivocada, de que o salmo 22 era uma testemunha ocular da crucificação na Sexta-Feira Santa deve nos levar a fazer uma pergunta. Como explicamos a similaridade entre os registros do evangelho e os registros do Salmo 22? Seria isto uma coincidência do acaso que os detalhes podem ser tão precisamente idênticos ao ponto de incluir que TANTO as roupas seriam divididas (as roupas com costuras eram divididas nas costuras e repartidas entre os soldados) QUANTO lançar sortes (a vestimenta sem costura seria arruinada caso fosse rasgada, de sorte que eles lançaram sortes para ver quem ficaria com ela). O salmo 22 foi escrito antes que a crucificação tivesse sido inventada, mas ele ainda assim a descreve em seus vários detalhes (o perfurar das mãos e pés, ossos sendo desconjuntados – pelo fato de a vítima ser esticada enquanto fica pendurada). Ademais, o evangelho de João declara que sangue e água fluíram quando a lança perfurou o lado de Jesus, indicando um acúmulo de fluído na cavidade do pericárdio ao redor do coração. Jesus, portanto, morreu de ataque cardíaco. Isto se coaduna com a descrição do Salmo 22 de que ‘meu coração se tornou como cera’. A palavra hebraica no v. 16 de Salmo 22, que é traduzida por ‘perfurar’ literalmente significa ‘como um leão’. Em outras palavras as mãos e pés foram mutilados e destroçados no momento que foram perfurados. Portanto, o que fazemos com tudo isso?

Jesus, através da pena dos escritores do Evangelho, argumentou que estas semelhanças foram proféticas. Deus inspirou profetas veterotestamentários centenas de anos antes da vida de Jesus para prever os detalhes de sua vida e morte de maneira que nós possamos saber que tudo isto estava nos planos de Deus. O cumprimento profético seria como ter uma assinatura divina sobre estes acontecimentos da Sexta-Feira Santa uma vez que humano algum pode conhecer o futuro desta maneira. Isto seria evidência da intervenção de Deus na história.

A explicação de Bart Ehrman

Bart Ehrman, erudito bíblico bastante conhecido e critico do Evangelho, contesta dizendo que as credenciais proféticas do Salmo 22 estão erradas porque todo o ponto da história do Evangelho era a que de que o ‘Messias’ ou ‘Cristo’ era aquele que deveria ser sacrificado e o Salmo 22 nada diz da vítima ser o ‘Messias’. Conforme ele afirma:

“Mas o que fazer com o fato de que não havia profecias judaicas de que o Messias sofreria e morreria?” (Bart Ehrman, Jesus Interrupted. p. 234)

Mas isto suscita outra questão. Não é que só existe uma profecia (como a do Salmo 22) que Jesus iria cumprir, mas existem inúmeras delas. Todas elas são predições escritas por diferentes autores em diferentes períodos da história e a partir de camadas sociais diferentes por todo o período do Antigo Testamento – e elas são verificáveis uma vez que podemos averiguar se tais profecias aconteceram ou não. Logo, para aceitar o desafio de Ehrman, Daniel, vivendo no exílio na Babilônia por volta de 550 AC teve uma visão na qual lhe foi dito o seguinte enigma profético:

Depois de ser dada a ordem para reconstruir Jerusalém, sete anos vezes sete vão passar até que chegue o líder escolhido por Deus. As novas ruas e muralhas de Jerusalém durarão sessenta e dois anos vezes sete, mas será um tempo de muito sofrimento. No fim desse tempo, o líder escolhido por Deus será morto injustamente. (Daniel 9:25-26)

Hmm. Meu profundo respeito ao estudioso do Novo Testamento, mas ele deixou passar isto acerca do Antigo Testamento. Aqui, exatamente conforme ele desafiou, há uma profecia de que ‘O Ungido’ (= Cristo = Messias) seria ‘cortado’. O The tempo disto e os detalhes do ‘corte’, que previram o significado da morte de Jesus, completamente refutam a reivindicação de Ehrman de que não existe profecia no Antigo Testamento de que o ‘Cristo’ sofreria e morreria.

A explicação de Spong

Outros, como Shelby Spong, defendem que os acontecimentos da crucificação na Sexta-Feira Santa se deram simplesmente pelo fato de que os escritores do Evangelho fizeram com que os acontecimentos ‘se encaixassem’ na profecia. Ele tem uma análise detalhada, versículo a versículo, mostrando as semelhanças entre o Salmo 22 e a crucificação de Jesus nos Evangelhos. No mínimo, a teoria de Sponge significa que ele pensa que as similaridades exigem uma explicação. Mas sua explicação totalmente ignora o testemunho dos historiadores daquela época fora da Bíblia. Josefo e Tácito respectivamente nos dizem que:

“Nessa época houve um sábio… Jesus… bom, e…virtuoso. E muitas pessoas dentre os judeus e outras nações se tornaram seus discípulos. Pilatos o condenou para que fosse morto por crucificação” (Josefo. 90AD. Antiquities xviii. 33.  Josefo foi um historiador judeu)

“Cristus, o fundador do nome, foi posto a morte por Poncio Pilatos, procurador da Judeia no reino de Tibério” (Tácito. 117 AD. Annals XV. 44.  Tácito foi um historiador romano)

O testemunho deles concorda em termos amplos com os evangelhos de que Jesus foi cruficado. Isto é importante porque muitos dos detalhes no Salmo 22 são simplesmente particularidades do ato de ser crucificado. Se os escritores dos evangelhos fossem inventar ou grosseiramente distorcer os eventos reais para fazê-los ‘se encaixar’ no Salmo 22 então eles teriam basicamente que inventar todo o processo de crucificação. Contudo, ninguém daquela época negou sua crucificação, e o historiador judeu Josefo explicitamente afirma que foi desta maneira que ele foi executado.

Salmo 22 e o legado de Jesus

Mas o Salmo 22 não termina no v. 18 conforme na tabela acima – ele continua. Observe aqui como o modo se torna triunfante no final – após a pessoa ter morrido!

Todas as nações lembrarão de Deus, o Senhor, todos os povos da terra se voltarão para ele, e todas as raças o adorarão.

Pois o Senhor é Rei e governa as nações. Todos os orgulhosos se curvarão na sua presença, e o adorarão todos os mortais, todos os que um dia vão morrer.

As pessoas dos tempos futuros o servirão e falarão às gerações seguintes a respeito de Deus, o Senhor.

Os que ainda não nasceram ouvirão falar do que ele fez: “Deus salvou o seu povo!” (Salmo 22:27-31)

Observe que a passagem não está falando de forma alguma dos detalhes dos acontecimentos da morte dessa pessoa. Aqueles detalhes foram tratados na primeira seção do Salmo. O salmista está agora lidando com o impacto da morte desta pessoa sobre a ‘posteridade’ e ‘gerações futuras’ (v.30).  A quem isto se refere? A nós, vivendo 2000 anos após a crucificação. O salmista nos conta que a ‘posteridade’ que segue este homem ‘perfurado’ que padeceu uma morte horrível lhe‘ servirá’ e ‘ouvirá acerca dele’.  O versículo 27 prediz o escopo geográfico do impacto – ‘os limites da terra’ se lembrarão e os fará com que ‘se convertam ao Senhor’. O versículo 29 prediz que ‘todos os que morrem’ (uma vez que todos morrem e isso significa todos nós) irão um dia se prostrar diante dele.   A retidão deste homem será proclamada às pessoas que não estavam vivas (os ‘ainda não nascidos’) na época de sua morte.

Alguém não poderia fazer uma predição melhor deste legado subsequente da morte de Jesus do que a conclusão do Salmo 22 faz. Dois mil anos após Jesus, em meio às comemorações anuais globais da Sexta-Feira Santa, elas ressaltam o impacto mundial da morte de Jesus, cumprindo a conclusão do Salmo 22 como precisamente os versículos anteriores predisseram os detalhes de sua morte. Quem mais na história do mundo pode reivindicar tanto os detalhes de sua morte como também o legado de sua vida por um período tão longo no futuro, com cerca de mil anos antes de a pessoa ter vivido?

A conclusão do Salmo 22 não tem nada a ver com o fato de se os registros do evangelho copiaram informações dessa passagem ou inventaram os acontecimentos da crucificação pois ela agora está lidando com acontecimentos muito posteriores – aqueles acontecimentos de nossa época. Os escritores dos evangelhos, vivendo no primeiro século, não poderiam ‘inventar’ o impacto da morte de Jesus em nosso tempo. Eles não sabiam qual seria este impacto. Como Sponge incorpora este fato em sua explicação? Ele não incorpora. Ele ignora esta parte futura do Salmo 22.

Talvez, como o meu amigo J, você aproveitará a oportunidade para considerar o Salmo 22 à luz da crucificação de Jesus. Isto exigirá certo esforço mental. Mas não permita que isto te pare. A recompensa vale o custo porque o homem a quem o Salmo 22 se refere prometeu o seguinte:

… eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa. (João 10:10)

Isto certamente tornará os feriados da Páscoa em algo realmente gratificante. Eis aqui o Salmo 22 completo, e o registro da crucificação de acordo com Mateus, Marcos, Lucas e John.  Que você possa experimentar algumas destas bênçãos não apenas na Sexta-Feira Santa, mas em todos os dias do ano também.

 

 

Como os detalhes da morte de Cristo foram profetizados?

O “corte” de Cristo predito em detalhe pelos profetas do Antigo Testamento

Em nossa última postagem nós vimos que ‘Cristo’ seria ‘cortado’ após um ciclo específico de anos. Esta predição de Daniel foi cumprida na entrada triunfante de Jesus em Jerusalém – ali apresentado como Cristo de Israel – exatamente 173.880 dias após o decreto persa para restaurar Jerusalém ter sido promulgado. A expressão ‘cortado’ foi mencionada na imagem de Isaías do Ramo nascendo a partir de uma raiz aparentemente morta. Mas o que ele quis dizer com esta imagem?

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Isaías também tinha escrito outras profecias em seu livro, utilizando temas diferentes do tema do Ramo. Um destes temas foi sobre a vinda do Servo. Quem era este Servo’? O que ele iria fazer? Vamos analisar em detalhe esta longa passagem. Eu reproduzo abaixo a passagem em sua totalidade e exatamente como ela é, apenas inserindo alguns comentários meus.

O Servo vindouro. A passagem completa de Isaías 52:13-53:12

Vejam, o meu servo agirá com sabedoria;

será engrandecido, elevado e muitíssimo exaltado.

Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele;

sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem;

não parecia um ser humano; de igual modo ele aspergirá muitas nações,

e reis calarão a boca por causa dele. Pois aquilo que não lhes foi dito verão,

e o que não ouviram compreenderão. (Isaías 52:13-15)

Sabemos que este Servo será um homem, pois Isaías se refere ao Servo como um ‘ele’, ‘o’, ‘dele’, e especificamente descreve acontecimentos futuros (a partir das expressões ‘agirá’, ‘será levantado’, e assim sucessivamente), portanto, esta é uma profecia explícita. Mas do que tratava essa profecia?

Quando os sacerdotes judeus ofereciam sacrifícios para os israelitas, eles os aspergiam com sangue do sacrifício – simbolizando que seus pecados foram cobertos e não seriam mais mantidos contra eles. Mas aqui o texto diz que o Sevo aspergirá ‘muitas nações’, portanto, Isaías está dizendo, de maneira semelhante, que este Servo também irá prover aos não judeus assim como os sacerdotes do Antigo Testamento faziam pelos adoradores judeus.

Esta predição é paralela à de Zacarias de que o Ramo seria um sacerdote, unindo os papeis de Rei e Sacerdote, porque somente os sacerdotes poderiam aspergir sangue. Este escopo global de ‘muitas nações’ segue aquelas promessas históricas e verificáveis feitas séculos atrás a Abraão, de que ‘todas as nações’ serão abençoadas através de sua descendência.

Mas ao aspergir sobre as muitas nações a própria ‘aparência’ e ‘forma’ do Servo é predita como sendo ‘desfigurada’ e ‘irreconhecível’. E embora não fique prontamente claro o que o Servo fará, um dia as nações ‘entenderão’.

Quem creu em nossa mensagem? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele  como um broto tenro,

e como uma raiz saída de uma terra seca.

Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse,

nada havia em sua aparência para que o desejássemos.

Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores

e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem

os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. (Isaías 53:1-3)

Embora o Servo viesse a aspergir muitas nações, ele seria ‘desprezado’ e ‘rejeitado’, cheio de ‘sofrimento’ e ‘familiarizado com o sofrimento’.

Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades

e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos

castigado por Deus, por Deus atingido e afligido.

Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões,

foi esmagado por causa de nossas iniqüidades;

o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. (Isaías 53:4-5)

O Servo irá assumir ‘nossa’ dor. Este Servo também será ‘perfurado’ e ‘esmagado’ em ‘castigo’. O castigo nos trará (àqueles nas muitas nações) ‘paz’ e nos curará.

Eu escrevo isto na sexta-feira santa. Tanto as fontes seculares quanto as bíblicas nos contam que neste dia aproximadamente 2000 anos atrás (mas ainda mais 700 anos após Isaías ter feito esta predição), Jesus foi crucificado. Ao fazer isto ele foi literalmente perfurado, conforme Isaías previu que o Servo seria, com os pregos da crucificação.

Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos,

cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho;

e o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.          (Isaías 53:6)

 Vimos em Corruptos… errando o alvo, que uma das definições bíblicas de pecado é ‘errar o alvo intencionado’. Como uma flecha torta, nós seguimos nosso próprio caminho. Este Servo carrega o mesmo pecado (iniquidade) que causamos.

Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. (Isaías 53:7)

O Servo será como um cordeiro sendo levado ao ‘matadouro’. Mas ele não protestará ou sequer ‘abrirá sua boca’. Vimos no Sinal de Abraão  que um carneiro foi usado como substituto para o filho de Abraão. Aquele carneiro – um cordeiro – foi morto. E Jesus foi morto no mesmo local  (Monte Moriá = Jerusalém). Vimos na Páscoa que um cordeiro foi morto na páscoa – e Jesus também foi morto na Páscoa.

 Com julgamento opressivo ele foi levado.
E quem pode falar dos seus descendentes?
Pois ele foi eliminado da terra dos viventes;
por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. (Isaías 53:8)

 Este Servo é ‘cortado’ ‘da terra dos viventes’. Isto é exatamente o termo empregado por Daniel  quando ele predisse o que aconteceria ao Cristo após ele ser apresentado a Israel como seu Messias. Isaías prediz em mais detalhes que ‘cortado’ significa ‘cortado da terra dos viventes’ – isto é, morte! Então, naquela fatídica sexta-feira santa Jesus morreu, sendo literalmente ‘cortado da terra dos viventes’, pouquíssimos dias após ter sido apresentado como o Messias em sua entrada triunfante.

Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido nenhuma violência nem houvesse nenhuma mentira em sua boca.  (Isaías 53:9)

Apesar de Jesus ter sido executado e morrido como um criminoso (‘foi-lhe dado um túmulo entre os ímpios’), os escritores do evangelho nos contam que um homem rico, dos líderes do sinédrio, José de Arimatéia, pegou o corpo de Jesus e o enterrou em seu próprio túmulo (Mateus 27:60). Jesus literalmente cumpriu os dois lados da predição paradóxica – embora ele ‘tenha recebido um túmulo entre os ímpios’, ele também esteve ‘com o rico em sua morte’.

 Contudo, foi da vontade do Senhor
esmagá-lo e fazê-lo sofrer,
e, embora o Senhor tenha feito da vida dele
uma oferta pela culpa,
ele verá sua prole e prolongará seus dias,
e a vontade do Senhor
prosperará em sua mão. (Isaías 53:10)

Toda esta morte cruel não foi um acidente terrível ou um infortúnio. Foi explicitamente “a vontade de Deus” esmagá-lo. Mas por quê? Assim como cordeiros no sistema sacrificial mosaico eram ofertas pelos pecados de maneira que a pessoa oferecendo o sacrifício era tida como sem culpa, aqui a ‘vida’ deste Servo também é uma ‘oferta pelo pecado’. Pelo pecado de quem? Bem, considerando que ‘muitas nações’ seriam ‘aspergidas’ (acima), é o pecado das pessoas nas ’muitas nações’. Aqueles ’todos’ que ’se afastaram’ e ’ se desviaram’ de quem Isaías está falando somos eu e você.

Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniqüidade deles. (Isaías 53:11)

Embora a passagem do Servo seja horrível, aqui ela muda o tom e se torna mais otimista e até mesmo triunfante. Após este terrível sofrimento (de ser ’cortado da terra dos viventes’ e receber ’um túmulo’), este Servo verá ’a luz da vida’. Ele voltará à vida?! Eu analisei a questão da ressurreição. Aqui a ressurreição é prevista.  E ao ‘ver a luz da vida’ este Servo ‘justificará’ muitos. ‘Justificar’ é o mesmo que conceder ‘retidão’. Lembre-se de que a fé de Abraão lhe foi ‘creditada’ ou dada ‘retidão’. De maneira semelhante, este Servo justificará ou creditará retidão a ‘muitos’.

Por isso eu lhe darei uma porção entre os grandes,

e ele dividirá os despojos com os fortes,

porquanto ele derramou sua vida até a morte,

e foi contado entre os transgressores.

Pois ele levou o pecado de muitos,

e pelos transgressores intercedeu. (Isaías 53:12)

A passagem do Servo aponta tão misteriosamente para a crucificação e ressurreição de Jesus que alguns críticos dizem que as narrativas do evangelho foram escritas especificamente para ‘se encaixarem’ nesta passagem do Servo. Mas em sua conclusão Isaías desfia estes críticos. A conclusão não é uma predição da crucificação e ressurreição como tal, mas do impacto da morte muitos anos após ela. E o que Isaías prediz? Este Servo, ainda que ele morra como um criminoso, estará um dia entre os ‘grandes’. Os escritores do evangelho não poderia fazer esta parte ‘se encaixar’ nas narrativas do evangelho, pois os evangelhos só foram escritos poucas décadas após a crucificação de Jesus – quando o impacto da morte de Jesus ainda estava em dúvida. Aos olhos do mundo, Jesus ainda era o líder executado de uma seita rejeitada  quando os evangelhos foram escritos.

Estamos hoje 2000 anos mais tarde e vemos o impacto desta morte e percebemos como através da história isto lhe tem tornado ‘grande’. Os escritores do evangelho não poderiam ter previsto isso. Mas Isaías previu. O Servo, também conhecido como o Ramo, através de seu sacrifício voluntário, começaria a atrair as pessoas a ele – para até mesmo o adorarem – assim como Jesus predisse quando ele chamou a si mesmo de o ‘o Filho do Homem’ em seu julgamento diante do sinédrio.

O Ramo: Brotando exatamente em tempo para ser… ‘Cortado’

Estamos explorando tema de o Ramo que se estende através dos escritos de vários profetas veterotestamentários. Vimos que Jeremias em 600 A.C. continuou o tema (que Isaías iniciou 150 anos mais cedo) e declarou que este Ramo seria um Rei. Em nossa postagem prévia nós vimos que Zacarias, após Jeremias, previu que este Ramo seria chamado Jesus e que acumularia os papéis de Rei e Sacerdote – algo que jamais tinha acontecido na  História de Israel.

O enigma da chegada agendada do Ungido profetizado por Daniel

Mas o assunto não termina aqui. Daniel, que viver no período entre Jeremias e Zacarias, mencionou diretamente o título de ‘Ungido’ (que vimos aqui = ‘Cristo’ ou ‘Messias), ao mesmo tempo se referindo ao tema do Ramo em um enigma fascinante que previu quando o Messias seria revelado. Por volta de 538 A.C. ele escreveu o seguinte:

Saiba e entenda que, a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:25-26)

Pelo fato de o Ungido = Cristo = Messias (ver aqui), nós sabemos que Daniel estava escrevendo acerca da vinda de Cristo. Daniel especifica um período de início (“a partir da promulgação de um decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém”) e um intervalo de período específico (“sete ‘setes’ e sessenta e duas semanas”) que culminará na revelação do Cristo (= O Ungido) que será, então, ‘cortado’. A estrutura geral desta predição parece bastante clara.  Mas nós podemos, na verdade, rastrear a revelação do Cristo? Vamos começar analisando o que iniciou o tique-taque deste relógio profético.

A Promulgação do decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém

Aproximadamente 100 anos após Daniel, Neemias era copeiro de Artaxerxes, o imperador persa. Isso significa que ele era um homem com acesso ao mais elevado poder no império persa. Naquele contexto, ele solicita um decreto real para restaurar e reconstruir Jerusalém e é atendido. Eis aqui como ele relata ter feito tal pedido:

No mês de nisã do vigésimo ano do rei Artaxerxes… respondi ao rei: Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a sua benevolência, que ele me deixe ir à cidade onde meus pais estão enterrados, em Judá, para que eu possa reconstruí-la.

A seguir acrescentei: Se for do agrado do rei, eu poderia levar cartas do rei aos governadores… o rei atendeu os meus pedidos. Com isso fui aos governadores do Trans-Eufrates e lhes entreguei as cartas do rei. Acompanhou-me uma escolta de oficiais do exército e de cavaleiros que o rei enviou comigo. (Neemias 2:1-9)

Aqui vemos um decreto real, apoiado com documentos e com o exército do Império Persa para reconstruir Jerusalém. Em razão de o Imperador Artaxerxes ser conhecido na história secular, e pelo fato deste decreto especificar o início deste período em termos de reinado de Artaxerxes (vigésimo ano do reinado no mês de nisã), nós podemos determinar quando isto se deu. Artaxerxes assumiu o trono persa imediatamente após a morte de seu pai, Xerxes, em dezembro de 465 A.C. (1) e porque este decreto foi promulgado em nisã 1 (março/abril) do vigésimo ano, isto colocaria a promulgação do decreto em 5 de março de 444 A.C (1).

Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’

Mas o que são estes ‘setes’ que Daniel está utilizando para marcar o tempo? Na Lei de Moisés havia um ciclo de sete anos por meio da qual a terra deveria descansar do cultivo de agricultura a cada sete anos. Isto foi afirmado da seguinte maneira:

Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. (Levítico 25:2-4)

O contexto da declaração de Daniel é ‘anos’, portanto, por ‘sete’ ele quer dizer ciclos de sete anos. Neste caso, os Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’ podem ser afirmados numericamente como  (7+62) * 7 = 483 anos.

Um ano de 360 dias

O tamanho do ano complica levemente as coisas. Atualmente nós utilizamos o ano solar (=365.24219879 dias por ano) porque nós podemos medir com precisão a rotação da terra ao redor do sol. Naqueles dias era comum basear o ano a partir das rotações da lua (conforme o calendário islâmico faz até hoje) resultando em 354 dias/ano ou utilizando 12 meses de 30 dias totalizando 360 dias por ano. Em todos os casos alguns ajustes precisam ser feitos para ‘arrumar’ as diferenças nas rotações. (Em nosso calendário ocidental, com anos bissextos – 366 dias – para ajustar pelas frações do dia, com alguns anos bissextos sendo pulados). Nas civilizações antigas do Egito, Babilônia, índia e Grega um calendário de 360 dias era comum. Isto parece ser a base para estes anos em Daniel. Motivos adicionais para a utilização de um calendário de 360 dias são apresentados aqui.

A Chegada Agendada do Cristo

Munido desta informação agora é mais fácil calcular quando Cristo deveria chegar de acordo com a profecia de Daniel. 483 anos de 360 dias/ano nos dará:

483 anos * 360 dias/ano = 173. 880 dias

 Em nosso calendário moderno isso é o equivalente a 476 anos solares com 25 dias sobrando.  (173 880/365.24219879 = 476 com 25 como lembrete).

O ponto de partida para este cálculo foi o decreto de Artaxerxes promulgado no dia 5 de março de 444 A.C. Acrescente 476 anos solares  a esta data e chegaremos ao dia 5 de março do ano 33 A.D.  (Não existe ano zero, o calendário vai de 1A.C. a 1 A.D. em um ano, então, aritmeticamente é -444 + 476 +1= 33).

Se agora subtrairmos os 25 anos restantes e acrescentarmos a 5 de março do ano 33 A.D., chegamos a 30 de março de 33 A.D., ilustrado na linha do tempo abaixo. Ou, conforme Hoehner (cujo cálculo eu estou seguindo) afirma:

“Ao acrescentarmos 25 dias a 5 de março (444 A.C.) chegamos a 30 de março (33 A.D.), que era nisã 10. Este foi o dia da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém…“ Hoehner, Chronological Aspects of the Life of Christ Part VI, pg. 16 1977.

A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus
A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus

A Entrada Triunfante de Jesus – Aquele Dia

Este é o  Domingo de Ramos, o exato dia que nos lembramos da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. Com as suposições que fizemos acima e utilizando matemática básica, descobrimos que o enigma de Daniel dos ‘setes’ cai exatamente neste dia. Este é o dia em que Jesus foi apresentado como Rei ou Cristo à nação judaica. Sabemos disto porque Zacarias (que havia profetizado o nome de Cristo) também escreveu que:

Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém!

Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. (Zacarias 9:9)

 O tão aguardado Rei seria revelado entrando em Jerusalém montado sobre um jumento com uma multidão de pessoas gritando e se alegrando. No dia da Entrada Triunfante de Jesus em Jerusalém – aquele mesmo dia previsto por Daniel neste enigma dos ‘setes’ – Jesus entra em Jerusalém montando em um jumento. Lucas registra o acontecido:

Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente e em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam:

“Bendito é o rei que vem… Paz no céu e glória nas alturas!”

Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. (Lucas 19:37-42)

Neste relato Jesus chora porque as pessoas não o reconheceram naquele mesmo dia previsto tanto por Zacarias quanto por Daniel. Mas porque elas não reconheceram aquele dia em que Cristo foi revelado, algo totalmente inesperado aconteceria. Daniel, na mesma passagem onde ele apresentou o enigma dos ‘setes’, previu que:

Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:26)

Em vez de assumir o trono para reinar, o Cristo seria ‘cortado’ e ‘nada’ teria. Ao empregar a expressão ‘cortado’ (algumas Bíblias traduzem como ‘morrerá’) Daniel se refere ao ‘Ramo’, que brota da raiz de Jessé, profetizado por Jeremias, t nome profetizado por Zacarias  e previsto tanto por Daniel quanto Zacarias. Este Ramo seria  ‘cortado’. Então a cidade (Jerusalém) seria destruída (que sucedeu em 70 A.D.). Mas como este Ramo seria ‘cortado’? Retornaremos a Isaías em nossa próxima postagem  para vermos uma vívida descrição.

 

1) A referência utilizada por todo o texto é Chronological Aspects of the Life of Christ, Part VI: Harold W. Hoehner

 

O Ramo: Nomeado centenas de anos antes de seu nascimento

Vimos como Isaías utilizou a imagem do Ramo. Um ‘ele’ da dinastia caída de Davi, detentor de sabedoria e pode estava por vir. Jeremias veio em seguida afirmando que este Ramo seria o Senhor (o nome do Antigo Testamento para o próprio Deus).

Zacarias continua O Ramo

Zacarias retornou após o exílio babilônico para reconstruir o Templo
Zacarias retornou após o exílio babilônico para reconstruir o Templo

O profeta Zacarias viveu em 520 A.C., logo após o povo judeu ter retornado a Jerusalém de seu primeiro exílio na Babilônia. Naquela época o povo judeu estava reconstruindo seu templo destruído. O sumo-sacerdote da época era um homem chamado Josué e ele estava reiniciando a obra dos sacerdotes. Zacarias, o profeta, estava fazendo uma parceria com o seu colega Josué, o sumo-sacerdote, ao conduzir o povo judeu. Eis aqui o que Deus – através de Zacarias – disse acerca deste Josué:

 “Ouçam bem, sumo sacerdote Josué e seus companheiros sentados diante de você, homens que prefiguram coisas que virão: Vou trazer o meu servo, o Ramo (…) e removerei o pecado desta terra num único dia”. (Zacarias 3:8-9)

O Ramo! Iniciado por Isaías 200 anos antes, continuado por Jeremias 60 anos antes, Zacarias prossegue com ‘O Ramo’. Aqui o Ramo também é chamado de ‘meu servo’. De certa maneira o sumo-sacerdote Josué em Jerusalém em 520 A.C., colega de Zacarias, era um símbolo deste ramo por vir. Mas como? O texto diz que em ‘um único dia’ os pecados serão removidos pelo Senhor. Como isto aconteceria?

O Ramo: Unindo Sacerdote e Rei

Zacarias explica mais tarde. Para entender nós precisamos saber que os papeis do Sacerdote e  Rei eram estritamente separados no Antigo Testamento. Nenhum dos reis davídicos poderiam ser sacerdotes, e os sacerdotes não poderiam ser reis. O papel do sacerdote era mediar entre Deus e o homem através da oferta de sacrifícios de animais a Deus para expiar os pecados, e o trabalho do Rei era governar com justiça a partir do trono. Ambos eram cruciais, ambos eram distintos. Contudo, Zacarias escreveu que no futuro:

E o Senhor me ordenou: “(…) Pegue a prata e o ouro, faça uma coroa, e coloque-a na cabeça do sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Diga-lhe que assim diz o Senhor dos Exércitos: ‘Aqui está o homem cujo nome é Ramo, e ele sairá do seu lugar e construirá o templo do Senhor. Ele construirá o templo do Senhor, será revestido de majestade e se assentará em seu trono para governar. E ele será sacerdote no trono. E haverá harmonia entre os dois’”. (Zacarias 6:9-13)

Aqui, contra todas as regras previas, o sumo-sacerdote na época de Zacarias (Josué) deve colocar a coroa simbolicamente como o Ramo. Lembre-se de que Josué ‘prefigurava (era símbolo de) as coisas que virão’. Josué, o sumo-sacerdote, ao colocar a coroa real, previa um futuro unindo o Rei e Sacerdote em uma pessoa – um sacerdote no trono do Rei. Ademais, Zacarias escreveu que ‘Josué’ era o nome do Ramo. O que ele quis dizer?

O nome ‘Josué’ é o nome ‘Jesus’

Para entender precisamos rever a história da tradução do Antigo Testamento. O Antigo Testamento original, em hebraico, foi traduzido para o grego em 250 A.C., conhecido como a Septuaginta ou LXX (70). Ainda amplamente utilizada, nós vimos como ‘Cristo’ foi primeiramente utilizado na LXX e seguimos aquela analise para ‘Josué’.

'Josué' = 'Jesus'. Ambos vêm do nome hebraico 'Yhowshuwa'
‘Josué’ = ‘Jesus’. Ambos vêm do nome hebraico ‘Yhowshuwa’

Como pode ver na figura, Josué eh uma transliteração para o português do nome hebraico original Yhowshuwa’. O quadrante #1 mostra como Zacarias escreveu ‘Josué’ em 520 AEC em hebraico. O nome é transliterado ‘Josué’ em português (#1=> #3). Yhowshuwa’ em hebraico é o mesmo que Josué em português. Quando a Septuaginta foi traduzida do hebraico para o grego em 250 A.E.C. Yhowshuwa foi transliterado para Iesous (#1 => #2). ‘Yhowshuwa’ em hebraico é o mesmo que Iesous no grego. Quando o grego é traduzido para o português, Iesous é transliterado para ‘Jesus’ (#2 => #3).  Iesous no grego é o mesmo que Jesus no português.

Jesus era chamado Yhowshuwa em língua falada em hebraico, mas no Novo Testamento em grego seu nome era escrito ‘Iesous’ – idêntico a como a Septuaginta grega escrevia seu nome. Quando o Novo Testamento é traduzido do grego para o inglês (#2 => #3) ‘Iesous’ é transliterado ao familiar nome ‘Jesus’. Portanto, o nome ‘Jesus’ = ‘Josué’, com ‘Jesus’ vindo através de um passo intermediário em grego, e ‘Josué’ vindo diretamente do hebraico. Tanto Jesus de Nazaré quanto Josué, o sumo-sacerdote de 520 A.E.C. tinham o mesmo nome, sendo chamados ‘Yhowshuwa’ em sua língua nativa hebraica. Em grego, ambos eram chamados ‘Iesous’.

Jesus de Nazaré é o Ramo

Agora a profecia de Zacarias faz sentido. Esta é uma predição feita em 520 A.E.C. que o nome da Ramo por vir seria ‘Jesus’, apontando diretamente para Jesus de Nazaré.

Este Jesus por vir, de acordo com Zacarias, uniria os papeis de Rei e Sacerdote. O que os sacerdotes faziam? Em nome do povo eles ofereciam sacrifícios a Deus para expiar os pecados. O sacerdote cobria os pecados do povo pelo sacrifício. Semelhantemente, o Ramo vindouro ‘Jesus’ iria oferecer um sacrifício de maneira que o Senhor ‘removerá o pecado desta terra em um único dia’ – o dia que Jesus ofereceu a si mesmo como sacrifício.

Jesus de Nazaré é bem conhecido fora dos evangelhos. O Talmude judaico, Josefo e todos outros escritores históricos sobre Jesus, tanto amigos quanto inimigos, sempre se referiram a ele como Jesus’ ou ‘Cristo’, então seu nome não foi inventado nos evangelhos. Mas Zacarias predisse seu nome 500 anos antes dele ter vivido.

Jesus vem ‘do tronco de Jessé’ uma vez que tanto Jessé quanto Davi foram seus ancestrais. Jesus possuía sabedoria e entendimento em um nível que o coloca em separado dos demais. Sua perspicácia, postura e discernimento continuam a impressionar tanto críticos quanto seguidores. Seu poder através dos milagres nos evangelhos é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles, mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de possuir sabedoria excepcional e poder que Isaías predisse que um diria viria deste Ramo.

Agora pense na vida de Jesus de Nazaré. Ele certamente reivindicou ser rei – o Rei, na verdade. Isto é o que ‘Cristo’ significa. Mas o que ele fez enquanto esteve na terra foi na verdade sacerdotal. A tarefa do sacerdote era oferecer sacrifícios aceitáveis em prol do povo judeu. A morte de Jesus foi importante no sentido que ela também foi uma oferta a Deus, em nosso lugar. Sua morte expia o pecado e a culpa de qualquer pessoa, não apenas do judeu. Os pecados da terra foram literalmente removidos ‘em um único dia’ conforme Zacarias havia predito – o dia que Jesus morrer e pagou por todos os pecados. Em sua morte ele cumpriu todas as exigências como Sacerdote, ainda que ele seja mais conhecido como ‘O Cristo’ ou o Rei. Ele realmente uniu os dois papéis. O Ramo, aquele que Davi ha muito tempo chamou de ‘Cristo’, é o Rei-Sacerdote. E seu nome foi previsto por Zacarias 500 anos antes de seu nascimento.

O Sinal do Ramo: O Velho Tronco Renasce

Jesus teve críticos que questionavam sua autoridade. Ele os responderia ao apontar para os profetas que vieram antes, alegando que eles previram sua vida. Eis aqui um exemplo onde Jesus disse a eles:

… E são as Escrituras que testemunham a meu respeito… (João 5:39)

Em outras palavras, Jesus reivindicava que profetizaram acerca dele no Antigo Testamento, que lhe precedeu por centenas de anos. Os profetas do Antigo Testamento reivindicavam que Deus havia inspirado seus escritos. Uma vez que homem algum pode prever com certeza centenas de anos no futuro, Jesus disse que esta uma prova a ser averiguada caso ele realmente tivesse vindo ou não como plano de Deus. É um teste para ver se Deus existe e se Ele fala. O Antigo Testamento está disponível para nós a fim que nós mesmos possamos examinar e refletir sobre esta mesma pergunta.

Primeiro vamos fazer uma revisão. A vinda de Jesus foi aludida bem no início do Antigo Testamento. Então vimos que o sacrifício de Abraão previu o local onde Jesus seria sacrificado ao passo que a Páscoa previu o dia no ano que ela ocorreria.  Vimos que o Salmo 2 foi onde o título ‘Cristo’ foi utilizado para prever o Rei que viria. Mas não termina aí. Muito mais foi escrito olhando para o futuro utilizando outros títulos e temas. Isaías (750 A.C.) começou um tema que livros posteriores do Antigo Testamento desenvolveram – o tema do Ramo por vir.

Isaías e o Ramo

A figura abaixo mostra Isaías em uma linha do tempo histórica com alguns dos escritores do Antigo Testamento.

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Você verá a partir da linha do tempo histórica que o livro de Isaías foi escrito no período da dinastia real de Davi (1000 – 600 A.C.). Naquela época (cerca de 750 A.C.) a dinastia e o reino eram corruptos. Isaías rogou que os reis retornassem à Deus e à pratica e espirito da lei mosaica. Mas Isaías sabia que Israel não se arrependeria e então ele profetizou que a nação seria destruída e a dinastia real terminaria.

A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore
A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore

Ele utilizava uma metáfora, ou uma imagem, para a dinastia real, apresentando-a como uma grande árvore. Esta árvore tinha sua raiz Jessé, o pai de Davi. Sobre Jessé a dinastia foi iniciada com Davi, e a partir de seu sucessor, Salomão, a árvore continuou a crescer e a se desenvolver.

 

Primeiro uma árvore… depois um tronco… depois um ramo

Isaías escreveu que esta dinastia da ‘árvore’ em breve seria cortada, reduzindo-a a um tronco. Eis aqui como ele começou a imagem da árvore que então ele transformou em um enigma de um tronco e um ramo:

“Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um ramo. O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor”. (Isaías 11:1-2)

Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi
Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi

O corte desta ‘árvore’ se deu por volta de 150 anos após Isaías, cerca de 600 A.C., quando os Babilônios conquistaram Jerusalém e arrastaram seu povo e rei à Babilônia no exilio (o período em vermelho na linha do tempo acima). Jessé era o pai de Davi e era a raiz da dinastia de Davi. O tronco de Jessé era, portanto, uma metáfora à destruição futura da dinastia de Davi.

O Ramo: Um ‘ele’ que viria de Davi e que teria sabedoria

Ramo a partir do tronco morto de Jessé
Ramo a partir do tronco morto de Jessé

Mas esta profecia também olhava mais longe para o futuro do que apenas a destruição dos reis. Isaías predisse que embora o ‘tronco’ parecesse morto (como os troncos parecem), um dia em um futuro bem distante um futuro renovo, conhecido como o Ramo, nasceria daquele tronco, assim como ramos podem surgir de troncos. Este Ramo é mencionado como ‘ele’, então Isaías está falando sobre um homem especifico, vindo da descendência de Davi após a dinastia ter sido cortada. Este homem teria tais qualidades de sabedoria, poder e conhecimento e seria como se o Espirito de Deus estava repousando sobre ele.

Jesus… Um ‘ele’ de Davi que possuía sabedoria

Jesus se encaixa nas exigências do ‘tronco de Jessé’ que estava por vir uma vez que Jessé e Davi foram seus ancestrais. O que transforma Jesus em algum bastante incomum é a sabedoria e o entendimento que ele possuía. Sua sagacidade, equilíbrio e discernimento ao lidar com oponentes e discípulos continuam a impressionar tanto os críticos quanto os seguidores de Jesus desde aquela época. Seu poder nos evangelhos através dos milagres é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles; mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de detentor de sabedoria excepcional e poder que Isaías previu que um dia viria deste Ramo.

Jeremias e o Ramo

É como uma placa de sinalização colocada por Isaías na história. Mas não termina aí. Sua placa de sinalização é apenas uma de varias outras placas. Jeremias, vivendo aproximadamente 150 após Isaías, quando a dinastia de Davi estava sendo destruída bem diante de seus próprios olhos, escreveu:

“Dias virão”, declara o Senhor, “em que levantarei para Davi    um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O Senhor é a Nossa Justiça. (Jeremias 23:5-6)

Jeremias expande o tema do Ramo da dinastia de Davi iniciado por Isaías 150 anos atrás. O Ramo será um Rei que reina. Mas isto é exatamente o que a profecia do  Salmo 2  falava sobre o Filho de Deus/Cristo/Messias que viria. Será que o Ramo e o Filho de Deus são a mesma pessoa?

O Ramo: O Senhor nossa Retidão

Mas como este Ramo será chamado? Ele seria chamado o ‘SENHOR’ que também será ‘nossa’ (isto é – nós humanos) Retidão. Como vimos com Abraão, o problema para os humanos é que somos ‘corruptos’, e então precisamos de ‘retidão’.  Aqui, ao descrever o Ramo, vemos uma alusão que as pessoas no futuro, no tempo de Jeremias, obteriam a exigência de ‘retidão’ pelo Senhor – o próprio YHWH (YHWH ou Javé é o nome de Deus no Antigo Testamento). Mas como isto seria feito? Zacarias acrescenta mais detalhes para nós enquanto ele desenvolve mais sobre o tema do Ramo Vindouro, predizendo até mesmo o nome de Jesus – que nós analisaremos a seguir.

 

De onde vem ‘Cristo’ em Jesus Cristo?

Eu por vezes pergunto às pessoas qual era o sobrenome de Jesus. Geralmente elas respondem: “Acho que o sobrenome dele era ‘Cristo’, mas não tenho certeza”. Então eu pergunto: “Se for assim, quando Jesus era um garotinho, o José Cristo e a Maria Cristo levavam o pequeno Jesus Cristo ao mercado?” Ouvindo desta forma, eles percebem que ‘Cristo’ não é o sobrenome de Jesus. Então, o que ‘Cristo’ significa? De onde vem este nome? Qual o significado do termo? É isto o que explorarei neste artigo.

Tradução vs. Transliteração

Primeiro precisamos saber algumas coisas básicas sobre tradução. Os tradutores às vezes escolhem traduzir pelo som semelhante no lugar do significado, em especial para nomes e títulos. Esta ação é conhecida por transliteração. Para a Bíblia, os tradutores precisaram escolher se suas palavras (em especial nomes e títulos) ficariam melhores na língua traduzida através da tradução (por significado) ou através da transliteração (pelo som). Não existe uma regra especifica.

A Septuaginta

A Bíblia foi primeiramente traduzida em 250 A.C. quando o Antigo Testamento hebraico foi traduzido para o grego. Esta tradução é a Septuaginta (ou LXX) e ela ainda é utilizada hoje em dia. Uma vez que o Novo Testamento foi escrito 300 anos mais tarde em grego, seus escritores citavam a Septuaginta grega em vez de o Antigo Testamento hebraico.

Tradução & Transliteração na Septuaginta

A figura abaixo mostra como isto afeta as Bíblias contemporâneas:

Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje
Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico – quadrante #1. As setas de  1 a #2 mostram sua tradução para o quadrante grego em 250 A.C. O Antigo Testamento estava agora em duas línguas – hebraico e grego. O Novo Testamento foi escrito em grego, então ele começou no quadrante #2.  Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estavam disponíveis em grego – a língua universal há 2000 anos.

Na parte abaixo (#3) temos uma língua moderna como o português. Geralmente, o Antigo Testamento é traduzido a partir do hebraico original (indo do #1 para o #3) e o Novo Testamento a partir do grego (#2 -> #3).

A origem de ‘Cristo’

Agora seguimos a mesma sequência, mas focando na palavra ‘Cristo’ que aparece nos Novos Testamentos em português.

De onde 'Cristo' vem na Bíblia
De onde ‘Cristo’ vem na Bíblia

A palavra hebraica no Antigo Testamento era ‘mashiyach’ que o dicionário hebraico define como uma pessoa ‘ungida ou consagrada’. Reis hebreus eram ungidos (cerimonialmente esfregados com óleo) antes que se tornassem reis, consequentemente, eles eram os ungidos ou mashiyach.  O Antigo Testamento também profetizou acerca de um mashiyach especifico. Para a Septuaginta, seus tradutores escolheram uma palavra em grego com um significado semelhante – Χριστός (cujo som se parece como Christos), que vinha de chrio, que significa esfregar cerimonialmente com óleo. Portanto, Christos foi traduzido por significado (e não transliterado por som) a partir do termo hebraico original ‘mashiyach’ na Septuaginta grega. Os escritores neotestamentários continuaram a utilizar a palavra Christos ‘ em seus escritos para identificar Jesus como o mashiyach.

Na Bíblia em português, o termo hebraico Mashiyach do Antigo Testamento é comumente traduzido como ‘o ungido’ e as vezes transliterado como o ‘Messias’. O termo Christos do Novo Testamento é transliterado como ‘Cristo’. A palavra ‘Cristo’ é muito especifica, derivada por tradução a partir do hebraico para o grego, e então transliteração do grego para o português.

Porque não vemos prontamente a palavra ‘Cristo’ no Antigo Testamento de hoje esta relação com o Antigo Testamento é difícil de ser vista. Mas a partir desta analise nós sabemos que na Bíblia o termo ‘Cristo’=’Messias’=’O Ungido’ e que este termo era um titulo específico.

O Cristo antecipado no primeiro século

Abaixo está a reação do Rei Herodes quando os sábios do Oriente vieram procurando pelo  ‘reis dos judeus’, uma parte bastante conhecida há história do natal. Observe, o artigo ‘o’ precede Cristo, ainda que ele não esteja se referindo especificamente à Jesus.

Quando o rei Herodes ouviu isto, ele ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele. Quando ele convocou topos os lideres dos sacerdotes e professores da lei, ele lhes perguntou onde o Cristo haveria de nascer. (Mateus 2:3-4)

A ideia de ‘o Cristo’ era conhecimento comum entre Herodes e seus conselheiros religiosos – mesmo antes de Jesus ter nascido – e o termo é utilizado aqui sem se referir especificamente à Jesus. Isto porque ‘Cristo’ vem do Antigo Testamento grego, que era comumente lido por judeus do primeiro século. ‘Cristo’ era (e ainda é) um titulo, não um nome. O titulo estava em existência centenas de anos antes do cristianismo.

Profecias veterotestamentárias de ‘O Cristo’

Na verdade, ‘Cristo’ é um titulo profético já nos Salmos, escritos por Davi cerca de 1000 A.C. – bem antes do nascimento de Jesus.

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu ungido (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles (…) dizendo: “Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte”. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”. (Salmos 2:2-7)

O Salmo 2 na Septuaginta seria lido da seguinte maneira (estou colocando com o Cristo transliterado para que você possa ‘ver’ o titulo de Cristo como um leitor da Septuaginta podia)

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu Cristo (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles …. (Salmos 2)

Você agora pode ‘ver’ Cristo nesta passagem como um leitor do primeiro século podia ver. Mas os Salmos continuam com mais referencias a este Cristo que estava por vir. Eu coloco a passagem lado a lado com um ‘Cristo’ transliterado para que você possa ver o título.

Salmos 132- Do hebraico Salmos 132 – Da Septuaginta
Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu ungido.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu ungido ”. Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu Cristo.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu Cristo ”.

O Salmo 132 fala no tempo verbal futuro (“… farei renascer o poder de Davi…”) como tantas muitas passagens por todo o Antigo Testamento. Não é que o Novo Testamento pega algumas ideias do Antigo Testamento e as ‘fazem’ se encaixar em Jesus. Os judeus sempre estiveram esperando pelo seu Messias (ou Cristo). O fato de que eles estão esperando ou buscando a vinda do Messias tem tudo a ver com as profecias que falam do futuro no Antigo Testamento.

As profecias do Antigo Testamento: Específicas como um sistema de uma fechadura

O fato de o Antigo Testamento especificamente predizer o futuro o transforma em literatura incomum. É como uma fechadura de uma porta. Uma fechadura tem um determinado modelo de forma que somente uma ‘chave’ especifica que combina com a fechadura pode abri-la. Da mesma maneira, o Antigo Testamento é como uma fechadura. Nós vimos isto nas postagens sobre o sacrifício de Abraão, o início de Adão, e a Páscoa de Moisés. O Salmo 132 acrescenta a exigência de que ‘o Cristo’ viria da descendência de Davi. Eis aqui uma pergunta que vale a pena ser feita: Jesus é a chave que destrava as profecias?