O discurso de despedida de Moisés: A história seguindo sua própria norma

As bênçãos e maldições de Moisés

Moisés viveu há cerca de 3500 anos e escreveu os primeiros cinco livros da Bíblia – conhecidos como Pentateuco ou Torá. Seu quinto livro, Deuteronômio, contem suas ultimas proclamações feitas entes de sua morte. Estas foram suas bênçãos ao povo de Israel – os judeus, mas também suas maldições. Moisés escreveu que estas bênçãos e maldições moldariam a história e seriam refletidas não apenas pelos judeus, mas por todas as demais nações. Então, isto foi escrito para você e para mim, para que pensamos sobre isto. As bênçãos e maldições completas estão aqui. Eu sintetizo abaixo os principais pontos.

As bênçãos de Moisés

Moisés começou descrevendo as bênçãos que os israelitas receberiam caso obedecessem a Lei. A lei fora dada nos primeiros livros e incluíam os Dez Mandamentos. As bênçãos vinham de Deus e seriam tamanhas que todas as demais nações reconheceriam Sua benção. O resultado destas bênçãos seria que:

Então todos os povos da terra verão que vocês pertencem ao Senhor e terão medo de vocês.  (Deuteronômio 28:10)

… e as maldições

Contudo, caso os israelitas fracassassem em obedecer aos Mandamentos, eles então receberiam maldições correspondentes às bênçãos. Estas maldições seriam vistas pelas nações circunvizinhas de maneira que:

Vocês serão motivo de horror e objeto de zombaria e de riso para todas as nações para onde o Senhor os levar. (Deuteronômio 28:37)

E as maldições se estenderiam por toda a história:

Essas maldições serão um sinal e um prodígio para vocês e para os seus descendentes para sempre. (Deuteronômio 28:46)

Mas Deus advertiu que a pior parte das maldições viria de outras nações:

O Senhor trará de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês como a águia em mergulho, nação cujo idioma não compreenderão, nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços. Ela devorará as crias dos seus animais e as plantações da sua terra até que vocês sejam destruídos… Ela sitiará todas as cidades da sua terra, até que caiam os altos muros fortificados em que vocês confiam. Sitiará todas as suas cidades, em toda a terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá. (Deuteronômio 28:49-52)

Iria de mal a pior:

Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse. Então o Senhor os espalhará pelas nações, de um lado ao outro da terra.  No meio daquelas nações vocês não encontrarão repouso, nem mesmo um lugar de descanso para a sola dos pés. Lá o Senhor lhes dará coração desesperado, olhos exaustos de tanto esperar, e alma ansiosa. (Deuteronômio 28:63-65)

Estas bênçãos e maldições foram estabelecidas por uma aliança (um acordo) entre Deus e os israelitas:

… aliança que ele está fazendo com vocês hoje, selando-a sob juramento, para hoje confirmá-los como seu povo, para que ele seja o seu Deus, conforme lhes prometeu e jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Não faço esta aliança, sob juramento, somente com vocês que estão aqui conosco na presença do Senhor, o nosso Deus, mas também com aqueles que não estão aqui hoje. (Deuteronômio 29:12-15)

Em outras palavras, esta aliança estaria atrelada aos filhos, ou gerações futuras. Na verdade, esta aliança estava direcionada às gerações futuras – tanto de israelitas quanto estrangeiros.

… as desgraças que terão caído sobre a terra e as doenças com que o Senhor a terá afligido. A terra inteira será um deserto abrasador de sal e enxofre, no qual nada que for plantado brotará, onde nenhuma vegetação crescerá. Todas as nações perguntarão: ‘Por que o Senhor fez isto a esta terra? Por que tanta ira e tanto furor?’ (Deuteronômio 29:22-24)

 E a resposta será:

Foi porque este povo abandonou a aliança do Senhor, o Deus dos seus antepassados, aliança feita com eles quando os tirou do Egito. Eles foram adorar outros deuses… Por isso a ira do Senhor acendeu-se contra esta terra, e ele trouxe sobre ela todas as maldições escritas neste livro. (Deuteronômio 29:25-27)

As bênçãos e maldições aconteceram?

Nada neutro acerca delas. As bênçãos eram agradáveis, mas as maldições eram completamente severas. Contudo, a pergunta mais importante que podemos fazer é: ‘Elas aconteceram?’ A resposta não é difícil de encontrar. Muito do Antigo Testamento é o registro dos israelitas e a partir do que podemos ver o que acontece em sua história.  Também temos registros fora do Antigo Testamento, de historiadores judeus como Josefo, historiadores greco-romanos como Tácito e encontramos muitos monumentos arqueológicos.  Todas estas fontes concordam e pintam um retrato consistente da história israelita ou judaica. Um resumo desta história, dado através da construção e uma linha do tempo, é disponibilizado aqui. Leia e verifique você mesmo se as bênçãos e maldições aconteceram.

A conclusão das bênçãos e maldições de Moisés

Mas este discurso de despedida de Moisés não terminou com as maldições. Ele continuou. Aqui vemos como Moisés fez seu pronunciamento final:

Quando todas essas bênçãos e maldições que coloquei diante de vocês lhes sobrevierem, e elas os atingirem onde quer que o Senhor, o seu Deus, os dispersar entre as nações, e quando vocês e os seus filhos voltarem para o Senhor, o seu Deus, e lhe obedecerem de todo o coração e de toda a alma, de acordo com tudo o que hoje lhes ordeno, então o Senhor, o seu Deus, lhes trará restauração, terá compaixão de vocês e os reunirá novamente de todas as nações por onde os tiver espalhado. Mesmo que tenham sido levados para a terra mais distante debaixo do céu, de lá o Senhor, o seu Deus, os reunirá e os trará de volta. Ele os trará para a terra dos seus antepassados, e vocês tomarão posse dela. Ele fará com que vocês sejam mais prósperos e mais numerosos do que os seus antepassados. (Deuteronômio 30:1-5)

Após Moisés, sucessivos escritores no Antigo Testamento continuaram com esta promessa de que ele havia primeiramente começou – de que haveria uma restauração após as maldições. Ezequiel fez uso da imagem de zumbis mortos retornado à vida para pintar um retrato vivido disto para nós. Estes escritores posteriores fizeram predições ousadas, perturbadoras e detalhadas. Juntos eles fazem um incrível conjunto de predições que estão acontecendo hoje.

 

Qual é a história do povo judeu?

Os judeus são uns dos povos mais antigos do mundo. Sua história está registrada na Bíblia, por historiadores fora da Bíblia e através da arqueologia. Temos mais fatos acerca de sua história do que qualquer outra nação. Nós utilizaremos esta informação para sintetizar sua história. A fim de tornarmos a história dos israelitas (uma palavra veterotestamentária para o povo judeu) mais fácil de ser acompanhada, utilizaremos uma linha do tempo.

Abraão: O início da árvore genealógica judaica

A linha do tempo começa com Abraão. Ele recebeu uma promessa de nações  se originando dele e teve encontros com Deus  culminando no  sacrifício simbólico de seu filho Isaque.  O sacrifício foi um sinal apontando para Jesus ao marcar o futuro local onde Jesus seria sacrificado. A linha do tempo em verde continua quando os descendentes de Isaque foram escravos no Egito. Este período de tempo começou quando José, neto de Isaque, conduziu os israelitas ao Egito, onde posteriormente eles se tornariam escravos.

Vivendo no Egito como escravos de Faraó
Vivendo no Egito como escravos de Faraó

Moisés: Os israelitas se tornam uma nação sob Deus

Moisés liderou os israelitas para fora do Egito pela  Praga da Pascoa, que destruiu o Egito e permitiu o êxodo israelita do Egito para a terra de Israel. Antes de ele morrer, Moisés anunciou  Bênçãos e Maldições sobre os israelitas (quando a linha do tempo vai de verde para amarelo). Eles seriam abençoados se obedecessem a Deus, mas experimentariam maldições caso não obedecessem. Estas bênçãos e maldições seguiriam o povo judeu muito tempo depois.

Por várias centenas de anos os israelitas viveram em sua terra, mas eles não tinham um rei, nem tinham a cidade capital de Jerusalém –  ela pertencia a outro povo nesta época. Contudo, com o rei Davi por volta de 1000 (A.C.) isto mudou.

Vivendo com os reis davídicos governando a partir de Jerusalém
Vivendo com os reis davídicos governando a partir de Jerusalém

Davi estabelece a dinastia real em Jerusalém

Davi conquistou Jerusalém e a transformou em sua capital. Ele recebeu a promessa de um ‘Cristo’ que viria  e daquele tempo em diante o povo judeu passou a esperar o ‘Cristo’ que viria.  Seu filho Salomão lhe sucedeu e Salomão construiu o Primeiro Templo Judeu em Jerusalém. Os descendentes do rei Davi continuaram a governar por cerca de 400 anos e este período é mostrado na cor azul-agua (1000 – 600 A.C.). Este foi o período da gloria de Israel – eles alcançaram as bênçãos prometidas.  Eles eram uma nação poderosa, tiveram uma sociedade e cultura avançada e o seu templo. Mas o Antigo Testamento também descreve sua crescente corrupção e adoração a ídolos durante esta fase. Muitos profetas neste período advertiram os israelitas que as maldições de Moisés viriam sobre eles caso eles não mudassem. Mas estas advertências foram ignoradas.

O primeiro exílio para a Babilônia

Finalmente, por volta de 600 (A.C.) as maldições vieram sobre eles. Nabucodonosor, um poderoso rei babilônio veio – assim como Moisés havia predito 900 anos antes quando ele escreveu esta maldição:

O Senhor trará, de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês… nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços… Ela sitiará todas as cidades da sua terra (Deuteronômio 28:49-52)

Nabucodonosor conquistou Jerusalém, a queimou e destruiu o Templo que Salomão havia construído. Ele então exilou os israelitas para a Babilônia. Somente os israelitas pobres ficaram para trás.   Isso cumpriu as predições de Moisés de que

Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse. Então o Senhor os espalhará pelas nações, de um lado ao outro da terra. (Deuteronômio 28:63-64)

Conquistados e exilados para a Babilônia
Conquistados e exilados para a Babilônia

Então, por 70 anos, o período mostrado em vermelho, os israelitas viveram como exilados fora da terra prometida a Abraão e seus descendentes.

Retorno do exílio sob os persas

Apos isto, o imperador persa Ciro conquistou a Babilônia e tornou-se a pessoa mais poderosa do mundo. Ele então permitiu que os israelitas retornassem a sua terra.

Vivendo na Terra como parte do Império Persa
Vivendo na Terra como parte do Império Persa

Contudo, eles já não eram mais um pais independente, eles agora eram uma província no Império Persa. Isto continuou por 200 anos e esta em rosa na linha do tempo. Durante este tempo o Tempo Judeu (conhecido como o Segundo Templo) e a cidade de Jerusalém foram reconstruídos.

O período dos gregos

Então Alexandre, o Grande, conquistou o Império Persa e transformou os israelitas em uma província nos impérios gregos por mais 200 anos.  Esta fase está em azul escuro.

Vivendo na Terra como parte dos Impérios Gregos
Vivendo na Terra como parte dos Impérios Gregos

O período dos romanos

Então os romanos derrotaram os impérios gregos e se tornaram a potência mundial dominante. Os israelitas novamente se tornaram uma província neste império e isto se vê no amarelo claro. Este é o período em que Jesus viveu. Isto explica porque existem soldados romanos nos evangelhos – porque os romanos dominavam os judeus na Terra de Israel durante a vida de Jesus.

Vivendo na Terra como parte do Império Romano
Vivendo na Terra como parte do Império Romano

O segundo exílio judaico sob os romanos

A partir do tempo dos babilônios (600 A.C.) os israelitas (ou judeus, como eles eram chamados agora) não tinham usufruído de independência conforme tinham sob o rei Davi). Eles eram agora governados por outros impérios. Os judeus ressentiram tal fato e se revoltaram contra o governo romano. Os romanos vieram e destruíram Jerusalém (70 A.C.), destruíram o Segundo Templo, e deportaram os judeus como escravos por todo o Império Romano. Este foi o segundo exílio judaico. Uma vez que Roma era muito grande os judeus foram espalhados por todo o mundo.

Jerusalém e o Templo destruídos em 70 A.C. Judeus espalhados como exilados por todo mundo
Jerusalém e o Templo destruídos em 70 A.C. Judeus espalhados como exilados por todo mundo

 

E foi assim que o povo judeu viveu por quase 2000 anos: dispersos em terras estrangeiras e jamais aceitos nestas terras. Nestas diferentes nações eles comumente sofreram grandes perseguições. Desde a Espanha, na Europa Ocidental, a Rússia, os judeus viveram frequentemente em situações perigosas nestes reinos cristãos. As maldições de Moisés cerca de 1500 A.C. foram descrições acuradas de como Israel viveu.

No meio daquelas nações vocês não encontrarão repouso, nem mesmo um lugar de descanso para a sola dos pés. Lá o Senhor lhes dará coração desesperado, olhos exaustos de tanto esperar, e alma ansiosa. (Deuteronômio 28:65)

As maldições contra os israelitas foram dadas para fazer os povos se perguntarem:

Todas as nações perguntarão: ‘Por que o Senhor fez isto a esta terra? Por que tanta ira e tanto furor?’ (Deuteronômio 29:24)

E a resposta era:

Cheio de ira, indignação e grande furor, o Senhor os desarraigou da sua terra e os lançou numa outra terra, como hoje se vê’. (Deuteronômio 29:28)

A linha do tempo abaixo mostra este período de 1900 anos. Este período é mostrado na longa barra vermelha.

Linha do Tempo histórica dos judeus – apresentando seus dois períodos de exílio
Linha do Tempo histórica dos judeus – apresentando seus dois períodos de exílio

Você pode ver que em sua história o povo judeu experimentou dois períodos de exílio, mas o segundo exílio foi muito maior que o primeiro.

O Holocausto do século 20

Então as perseguições contra os judeus alcançaram seu pico quando Hitler, através da Alemanha nazista, tentou exterminar todos os judeus vivendo na Europa. Ele quase foi bem-sucedido, mas foi derrotado e um remanescente de judeus sobreviveu.

Renascimento moderno de Israel

O simples fato de que havia pessoas que se identificavam como ‘judeus’ após muitas centenas de anos sem uma terra é incrível.  Mas isto permitiu que as ultimas palavras de Moisés, escritas há 3500 anos, se cumprissem. Em 1948 os judeus, através das Nações Unidas, viram o impressionante renascimento do estado de Israel, conforme Moisés havia escrito séculos atrás:

…então o Senhor, o seu Deus, lhes trará restauração, terá compaixão de vocês e os reunirá novamente de todas as nações por onde os tiver espalhado. Mesmo que tenham sido levados para a terra mais distante debaixo do céu, de lá o Senhor, o seu Deus, os reunirá e os trará de volta. (Deuteronômio 30:3-4)

Também foi impressionante uma vez que este estado foi construído apesar de grande oposição. A maioria das nações circunvizinhas fez guerra contra em Israel em 1948… em 1956… em 1967 e novamente em 1973. Israel, uma nação muito pequena, geralmente estava em guerra com cinco nações ao mesmo tempo. Contudo, não apenas Israel sobreviveu como também seu território aumentou. Na guerra de 1967 os judeus reganharam Jerusalém, sua capital histórica que Davi fundou 3000 anos atrás. O resultado da criação do estado de Israel, e as consequências destas guerras criaram os problemas políticos mais difíceis de nosso tempo.

 

O Sinal da Páscoa

Nós já consideramos que quando Deus provou Abraão e lhe pediu para oferecer o seu filho Isaque, aludiu ao sacrifício de Jesus, apontando o lugar onde Jesus ia morrer. Agora, vamos localizar-nos em cerca de 500 anos depois de Abraão e cerca de 1500 anos antes de Cristo. Depois de Abraão morrer, os descendentes do seu filho Isaque, agora Israelitas, tinham começado a ser uma grande população. Também, eles tinham ficado escravizados no Egito. Isso aconteceu porque José, o bisneto de Abraão, foi vendido como escravo para o Egito e depois a família dele seguiu-o.

O Enredo do Êxodo

Assim, aproximamo-nos dum enredo interessantíssimo que foi recordado por Moisés no livro Êxodo (foi chamado assim porque conta a história como Moisés conduziu os Israelitas para fora do Egito). Moisés foi enviado por Deus para confrontar o Faraó do Egito e isso resultou numa luta entre as duas vontades a de Moisés e a do Faraó, tendo resultado em nove pragas contra o Faraó até aquele tempo. Porém o Faraó ainda não concordava em permitir que os Israelitas se fossem embora e por isso Deus ordenara a décima praga devastadora. Toda a história sobre a décima praga está aqui e seria bom lê-la porque vai ajudar a entender a explicação seguinte.

A décima praga que foi ordenada por Deus, foi que todos os primogênitos morreriam naquela noite excepto aqueles que ficassem em casas onde um cordeiro tivesse sido sacrificado e o seu sangue tivesse sido esfregado nas duas ombreiras e na verga da porta. A perca de Faraó, no caso de não obedecer, seria o seu filho e herdeiro que morreria. Também, cada casa no Egito perderia o primogênito caso os seus habitantes não sacrificassem um cordeiro aplicando o sangue do cordeiro a volta da porta. Portanto o povo do Egito estava a enfrentar uma crise nacional.

Contudo, nas casas onde um cordeiro tivesse sido sacrificado e o sangue dele tivesse sido aplicado nas ombreiras a promessa era que tudo ia correr bem. A morte ia passar por cima daquelas casas. Segundo a Sociedade Bíblica do Brasil, a palavra “Páscoa” (em Hebraico, pesah) é associada com o verbo pasah, que significa “saltar” ou “passar por cima”. Portanto, este dia foi chamado “Páscoa” ou “A Passagem”.

 O Sinal da Páscoa – para quem?

Muitas pessoas que conhecem esta narrativa julgam que o sangue a volta da porta era o sinal para o Anjo da Morte, mas é de notar este detalhe interessante.

 Disse o Senhor a Moisés… ‘Eu sou o SENHOR. O sangue [do cordeiro] vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós , e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.’ (Êxodo 12:13)

Apesar do SENHOR procurar o sangue à volta da porta, e ao ver isso, passasse por cima, o sangue não era um sinal para Ele. Ele diz claramente que, ‘o sangue vos será por sinal’. O sangue era um sinal para o povo. Também é um sinal para todos nós que lemos esta narrativa. Como? Depois deste acontecimento o Senhor ordenou-lhes:

Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. (Êxodo 12:14)

 O Notável Calendário da Páscoa

Nós vemos no princípio desta narrativa que este evento inaugurou o antigo calendário Judaico.

 Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito: Este mês será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. (Êxodo 12:1-2)

Assim os Israelitas foram mandados começar um calendário que ia celebrar a Páscoa no mesmo dia em cada ano. O calendário Judaico é diferente do calendário ocidental; a data da Páscoa muda cada ano no calendário ocidental.

preparing for passover
Esta é uma cena moderna em que pessoas Judaicas estão a preparar-se para celebrar a Páscoa em memória da primeira Páscoa há 3500 anos.

Ainda hoje, 3500 anos depois, o povo Judeu continua a celebrar esta festa santa todos os anos, no mesmo dia no seu calendário, em memória do evento do Egito e por causa do mandamento que lhes foi dado naquela época.

Seguindo esta festa através da história podemos ver alguma coisa extraordinária. Pode-se notar isso no Evangelho onde estão registados os detalhes sobre a detenção e o julgamento de Jesus:

 Depois, levaram Jesus… para o pretório [a casa de Pilatos o governo Romano]… Eles não entraram no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa…. [Pilatos disse para os líderes Judeus:] É costume entre vós que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus? …Então, gritaram todos, novamente: Não este… (João 18:28, 39-40)

A ligação entre a crucificação de Jesus e esta antiga festa Judaica está corroborada por escritos rabínicos no Talmude. Estes eram testemunhos hostis que não tinham motivos para concordar com os Evangelhos. No entanto, os escritos deles afirmam que:

 Jesus foi pendurado na véspera de Páscoa… (Sanhedrin 43a do Talmude Babilónico; citado em ‘Jesus and Christian Origins Outside the New Testament’. De FF Bruce. p56. 1974. pp215)

Portanto, Jesus foi preso e executado no dia da festa antiga dos Judeus a Páscoa. Mesmo na Páscoa, no dia quando os cordeiros são mortos em memória dos cordeiros que salvaram os primogénitos 1500 anos antes de Cristo! Então, lembra-se do Sinal do Sacrifício de Abraão, um dos títulos de Jesus era:

 No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (João 1:29)

Aqui nós vimos o enredo deste sinal. Jesus, o ‘Cordeiro de Deus’, foi crucificado (sacrificado) no mesmo dia quando todos os Judeus que viviam naquela época estavam também a sacrificar um cordeiro em memória da primeira Páscoa (A Passagem) no Egito que tinha iniciado o seu calendário. Isso explica porque há dois feriados que acontecem juntos todos os anos, uma ligação que poucos de nós notamos e mesmo poucos de nós questionamos. A Páscoa Cristã, que marca a morte de Jesus, acontece em cada ano quando a Festa Judaica da Páscoa acontece. Verifique no seu calendário. (Ambos os eventos acontecem na mesma semana mas nem sempre no mesmo dia porque Sexta-feira Santa foi marcada na sexta-feira desta semana, enquanto a Festa Judaica da Páscoa é sempre no dia 14 de Nissan. Portanto as festas podem ser separadas por vários dias.) Por isso a Páscoa Cristã muda todos os anos, porque a Páscoa Cristã acontece na Festa Judaica da Páscoa e esta Festa é marcada com o calendário Judaico que calcula o ano duma maneira diferente do calendário Gregoriano.

 Sinais, sinais, há sinais por todo o lado

Voltemos para a primeira Festa da Páscoa (A Passagem) no dia de Moisés quando o sangue era um sinal não para Deus mas para o povo. Pense um bocadinho sobre o que os sinais em geral fazem olhando para os sinais abaixo.

What are signs
Os sinais dirigem as nossas mentes para uma coisa particular.

Quando nós vimos uma caveira e ossos cruzados pensamos sobre morte e perigo. O ‘M amarelo’ fazem-nos pensar sobre o McDonald’s. O sinal na fita do jogador de ténis Nadal é o sinal de Nike. A Nike queria fazer-nos pensar sobre a empresa e os seus produtos quando nós vimos o marca. Por outras palavras, os sinais são símbolos para indicar alguma coisa à nossa mente além do sinal.

Então, a narrativa em Êxodo diz explicitamente que o sinal era para o povo, não para Deus, mas o sinal foi estabelecido por Deus. Ele foi o autor do sinal. Como todos os sinais, este sinal deve fazer-nos lembrar sobre alguma coisa. Deus queria lembrar-nos do quê?   Como os cordeiros foram mortos no mesmo dia da morte de Jesus e um dos nomes de Jesus era ‘o Cordeiro de Deus’, o sinal da narrativa deve ter estado a indicar o sacrifício de Jesus no futuro. Este sinal funciona na nossa mente tal como é mostrado no gráfico abaixo em relação a mim.

thinking of the passover sign
A Festa Judaica da Páscoa (ou a Passagem) e um sinal porque aponta para Jesus por causa do ‘timing’ especial que aconteceu com a Festa Judaica da Páscoa e com o crucificação de Jesus.

O sinal estava lá para me indicar a morte de Jesus. Na primeira Páscoa Judaica os cordeiros foram sacrificados e o seu sangue foi esfregado nas portas para que as pessoas pudessem viver. Portanto, este Sinal indicando Jesus conta-me que Ele, o Cordeiro de Deus, foi também oferecido e o seu sangue foi também derramado para que eu possa encontrar a vida.

Nós vimos no Sinal de Abraão que o lugar onde o carneiro morreu em vez de Isaque era o Monte Moriá, o mesmo lugar onde Jesus foi sacrificado muito mais tarde. O sinal na narrativa sobre Abraão e Isaque indicava o lugar onde Jesus ia morrer. A Festa Judaica da Páscoa indicava a morte de Jesus, e designava no calendário o dia exato da morte de Jesus! Nas duas narrativas um cordeiro foi sacrificado, mostrando que não foi só uma coincidência usada para indicar a morte de Jesus. A localização e o ‘timing’ da morte de Jesus foram previstos por dois dos acontecimentos mais importantes no Antigo Testamento. Eu não consigo pensar numa outra pessoa em toda a história que tivesse uma morte tão prevista duma maneira tão dramática. E você?

Olhando para estas duas narrativas juntas, os dois sinais devem mostrar-nos que há motivos razoáveis para considerar Jesus como a principal pedra angular num plano Divino, revelado muitos anos antes de Cristo quando os escravos dando início ao seu novo calendário, esfregando o sangue dum cordeiro a volta das suas portas.

Então, porque é que Deus colocou estes sinais para antever e prever a crucificação de Jesus? Porque é que este evento é tão importante? Porque é que aconteceram todas estas eventos sangrentos? Qual é a relevância destas coisas para mim? Para buscar as respostas para estas perguntas precisamos de começar no princípio da Bíblia para entender o que acontecia desde o princípio do tempo. Começaremos esta viagem até ao princípio no nosso artigo seguinte.

Abraão: Como Deus Proverá

Abraão viveu 4000 anos atrás, viajando para o que hoje chamamos de Israel. Deus lhe prometeu um filho que se tornaria uma ‘grande nação’, mas ele precisou esperar até que estivesse idoso para ver seu filho nascer. Judeus e árabes descendem de Abraão, então sabemos que a promessa se cumpriu e que ele é uma pessoa importante na historia como o pai de grandes nações.

Abraão agora estava muito feliz de ver seu filho crescer em se tornar um homem. Mas então Deus testou Abraão de uma maneira incrível. Deus disse:

Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. (Gênesis 22:2)

Isto é difícil de entender!  Por que Deus pediria a Abraão para fazer isso? Mas Abraão, que havia aprendido a confiar em Deus – mesmo quando ele não entendia

Na manhã seguinte, Abraão levantou-se… Levou consigo dois de seus servos e Isaque, seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado. (Gênesis 22:3)

Após três dias de viagem eles chegaram até a montanha. Então

Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.  Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.  (Gênesis 22: 9-10)

Abraão estava pronto para obedecer a Deus.  Naquele exato momento algo extraordinário aconteceu

Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão!”

“Eis-me aqui”, respondeu ele.

“Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.”

13 Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar de seu filho. (Gênesis 22:11-13)

No último momento Isaque foi salvo da morte e Abraão viu um carneiro e o sacrificou no lugar do filho. Deus havia provido um carneiro e o carneiro assumiu o lugar de Isaque.

Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta. Neste momento da história o carneiro está vivo ou morto?

Por que faço a pergunta? Porque Abraão irá agora dar um nome àquele lugar, mas a maioria das pessoas perde sua importância. A história continua…

Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor proverá“. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”. (Gênesis 22:14)

Outra pergunta: O nome que Abraão deu ao local (“O Senhor proverá”) está no tempo passado, presente ou futuro?

Olhando para o futuro, não para o passado

O tempo verbal claramente é futuro. Muitas pessoas pensam que Abraão, ao dar nome àquele lugar, estava pensando no carneiro preso nos arbustos e que fora providenciado por Deus e então sacrificado em lugar se seu filho Isaque. Mas quando Abraão deu o nome o carneiro já estava morto e sacrificado. Se Abraão estivesse pensando naquele carneiro – já morto e sacrificado – ele teria chamado o local de ‘O Senhor proveu’ – no tempo verbal passado. E o momento final o texto diria: “Por isso até hoje se diz: ‘No monte do Senhor se proveu’”. Mas o nome olha para o futuro, não para o passado. Abraão não esta pensando no carneiro morto. Ele está dando o nome pensando em outra coisa – no futuro. Mas o que?

Onde fica aquele lugar?

Lembre-se de onde este sacrifício aconteceu, contado no inicio da história:

(“Pegue Isaque… Leve-o até a terra de Moriá”)

Isto aconteceu no ‘Moriá’. Onde fica isto? Era um deserto na época de Abraão (2000 AC), com apenas alguns arbustos, um carneiro e Abraão e Isaque naquela montanha. Mas mil anos depois (1000 AC) o Rei Davi construiu a cidade de Jerusalém ali, e seu filho Salomão construiu o Primeiro Templo Judaico ali. Nós lemos posteriormente no Antigo Testamento que:

Então Salomão começou a construir o templo do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá… (2 Crônicas 3:1)

O monte Moriá se tornou Jerusalém, a cidade judaica com o Templo judaico. Hoje é um lugar sagrado para o povo judaico, e Jerusalém é a capital de Israel.

O Sacrifício de Abraão e Jesus

Vamos pensar um pouco acerca dos títulos de Jesus. O titulo mais bem conhecido de Jesus é ‘Cristo’. Mas ele teve outros títulos, tais como

No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (João 1:29)

Jesus também foi chamado ‘O Cordeiro de Deus’. Pense acerca do final da vida de Jesus. Quando ele foi preso e crucificado? Foi em Jerusalém (que eh o mesmo lugar que o ‘monte Moriá‘). Ficou bem claramente estabelecido que:

Quando ficou sabendo que ele era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também estava em Jerusalém naqueles dias. (Lucas 23:7)

A prisão, julgamento e morte de Jesus foram em Jerusalém (= monte Moriá). A sequência dos acontecimentos mostra que eles aconteceram no monte Moriá.

Principais acontecimentos no monte Moriá
Principais acontecimentos no monte Moriá

Voltemos a Abraão. Por que ele deu o nome àquele lugar no tempo verbal futuro ‘O SENHOR proverá’? Isaque fora salvo no último momento quando um cordeiro foi sacrificado em seu lugar. Dois mil anos mais tarde, Jesus é chamado ‘Cordeiro de Deus’ e ele é sacrificado no mesmo local – para que eu e você também possamos viver.

Um Plano Divino

É como se uma Mente associasse estes acontecimentos que estão separados por 200 anos de história. O que torna a relação singular é que o primeiro acontecimento aponta para o último acontecimento pelo nome no tempo verbal futuro. Mas como Abraão poderia saber o que aconteceria no futuro? Nenhum ser humano sabe o futuro, em especial um futuro tão distante. Somente Deus pode conhecer o futuro. Prever o futuro e fazer com que estes acontecimentos sejam realizados no mesmo lugar é evidencia de que este não é um plano humano, mas um plano de Deus. Ele quer que pensemos acerca disso da maneira abaixo

O sacrifício de Abraão no monte Moriá é um sinal que aponta para o sacrifício de Jesus
O sacrifício de Abraão no monte Moriá é um sinal que aponta para o sacrifício de Jesus

Boas Novas para todas as nações

Esta história tem uma promessa para você. No final desta história Deus promete a Abraão que:

“e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”. (Gênesis 22:18)

Se você pertence a uma das ‘nações da terra’, então esta é uma promessa para você, uma promessa de ‘benção’ de Deus.

Então, o que é esta ‘benção’?  Como você alcança esta promessa? Pense na história. Assim como o carneiro salvou Isaque da morte, da mesma maneira Jesus, o Cordeiro de Deus, por seu sacrifício no mesmo lugar, nos salva do poder da morte. Se isto for verdadeiro, certamente isto é boas notícias.

O sacrifício de Abraão no Monte Moriá é um acontecimento importante na história primitiva. Ele é lembrado e comemorado hoje por milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas esta também é uma história para você vivendo 4000 anos mais tarde.

 

Obtendo a Retidão – O exemplo de Abraão

Previamente nós vimos que Abraão obteve a retidão simplesmente ao acreditar. Isto foi afirmado na curta frase:

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.  (Gênesis 15:6)

Crença não tem a ver com a existência de Deus

Pense no que ‘acreditar’ significa. Muitas pessoas pensam que ‘acreditar’ significa acreditar que Deus existe. Pensamos que Deus quer que acreditemos que Ele está ali. Mas a Bíblia afirma de maneira diferente. Ela diz:

Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! (Tiago 2:19)

Aqui a Bíblia está empregando sarcasmo para dizer que simplesmente acreditar que Deus existe nos torna toa bons quanto o Diabo. É verdade que Abraão acreditou na existência de Deus, mas este não é o ponto de sua retidão. Deus prometeu a Abraão que Ele lhe daria um filho. Era esta promessa que Abraão tinha que escolher acreditar ou não – mesmo quando ele sabia que ele era um octogenário e sua esposa era septuagenária. Ele acreditou que Deus de alguma forma cumpriria a promessa feita a ele. Crença, nesta historia, significa confiança. Abraão escolheu confiar em Deus por um filho.

Quando Abraão escolheu acreditar naquela promessa de um filho então Deus também lhe deu – ‘creditou’ – retidão. No fim, Abraão obteve tanto o cumprimento da promessa (um filho a partir de quem uma grande nação viria) e também retidão.

Retidão – não do mérito ou esforço

Abraão não ‘mereceu’ a retidão; ela lhe foi ‘creditada’.  Qual é a diferença? Se você ‘ganha’ algo é porque você trabalhou por aquilo – você mereceu. É como ganhar salário pelo trabalho que você faz. Mas quando algo lhe é creditado, tal coisa lhe é dada. Não é algo ganho ou merecido, mas simplesmente recebido.

Pensamos que fazer mais coisas boas do que ruins, fazer bons atos ou cumprir as obrigações nos permite merecer ou ser dignos da retidão. Abraão prova que essa ideia é falsa. Ele não tentou ganhar a retidão. Ele simplesmente escolheu acreditar na promessa que lhe foi feita, e a retidão lhe foi dada.

A Crença de Abraão: Ele apostou sua vida nela

Escolher acreditar na promessa de um filho era simples, mas não era fácil. Quando  ele primeiramente recebeu a promessa de uma ‘Grande Nação’ ele tinha 75 anos de idade e havia deixado seu país natal e viajado para Canaã.  Quase dez anos se passaram e Abraão e Sara ainda não têm um filho – muito menos uma nação! “Por que Deus já não nos deu um filho se ele pode nos dar”?, ele teria imaginado. Abraão acreditou na promessa de um filho porque ele confiou em Deus, ainda que ele não entendesse tudo acerca da promessa, e nem tivesse todas as suas perguntas respondidas.

Acreditar na promessa exigia espera ativa. Toda sua vida foi interrompida enquanto ele vivia em tendas esperando pela promessa. Teria sido muito mais fácil criar desculpas e voltar para casa na Mesopotâmia (atualmente no Iraque) que ele havia deixado muitos anos atrás, e onde seu irmão e família ainda viviam. A vida era confortável lá.

Sua confiança assumiu a prioridade sobre seus objetivos normais na vida – segurança, conforto e bem-estar. Ele poderia ter desacreditado na promessa enquanto ainda acreditava na existência de Deus e continuava suas atividades religiosas e boas ações. Então ele teria mantido sua religião, mas não teria sido ‘creditado’ com retidão.

Nosso Exemplo

O restante da Bíblia trata Abraão como um exemplo para nós. A crença de Abraão na promessa de Deus, e o fato dele ter sido creditado com retidão, é um padrão para nós. A Bíblia tem outras promessas que Deus faz para todos nós. Nós também temos de escolher se confiaremos nelas.

Eis aqui um exemplo de tal promessa:

Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,  os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus. (João 1:12-13)

Hoje sabemos que a promessa a Abraão se cumpriu. É inegável que o povo judeu hoje existe como a nação que veio de Abraão. Mas como Abraão nós enfrentamos uma promessa hoje que parece improvável e suscita algumas perguntas. Como Abraão, nós escolhemos confiar nesta promessa – ou não.

Quem paga pela Retidão?

Abraão mostrou que a retidão é dada como um presente. Quando você recebe um presente você não paga por ele. O presenteador é quem paga. Deus, o doador da retidão, terá de pagar pela retidão. Como Ele pagará por ela? Veremos isso em nosso próximo artigo.

A Promessa Perene a um Homem Desconhecido

O que o mundo presta muita atenção hoje no esporte e politica será rapidamente esquecido conforme nossa atenção se mudar para outros entretenimentos, campeonatos ou acontecimentos políticos. O destaque de um dia rapidamente é esquecido no dia seguinte. Vimos em nosso  artigo anterior  que foi exatamente isso o que aconteceu no tempo de Abraão. As importantes realizações que chamavam a atenção do povo vivendo 4000 anos atrás estão totalmente esquecidas, mas uma promessa dita calmamente a um individuo, apesar de negligenciada pelo mundo na época, está crescendo e ainda se desenrolando diante de nossos olhos. A promessa feita a Abraão cerca de 4000 anos atrás se cumpriu. Talvez Deus exista e esteja trabalhando no mundo.

A Reclamação de Abraão

Vários anos se passaram na vida de Abraão desde que  a Promessa registrada em Gênesis 12  foi dita.  Em obediência, Abraão se mudou para Canaã (a Terra Prometida) no local que hoje é Israel, mas o nascimento do filho da promessa não aconteceu. Então Abraão começou a se preocupar.

Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa! ”

Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me dá, é continuo sem filhos e o pastor que é possível Eliézer de Damasco?” E acrescentou: “Tu não me deste cão filho! Um servo da minha casa será o meu herdeiro! (Gênesis 15:1-3)

A Promessa de Deus

Abraão estava acampando do lado de fora da Terra esperando o inicio da ‘Grande Nação’ que lhe fora prometida. Mas nada aconteceu e ele estava com aproximadamente 85 anos de idade (dez anos havia se passado desde o tempo que havia se mudado). Ele reclamou que Deus não estava mantendo Sua Promessa.  A conversa entre Abraão e Deus continuou:

Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”. Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua descendência”. (Gênesis 15:4-5)

Então Deus expandiu Sua Promessa inicial ao declarar que Abraão teria um filho que se tornaria um povo tão incontável quanto as estrelas no céu. E estas pessoas receberiam a Terra Prometida – hoje chamada Israel.

A Resposta de Abraão: Efeito Eterno

Como Abraão responderia à Promessa expandida? O que vem a seguir é uma frase que a própria Bíblia trata como uma das frases mais importantes em toda a Bíblia. Ela nos ajuda a entender a Bíblia e mostra o coração de Deus. Ela diz:

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. (Gênesis 15:6)

É mais fácil entender esta frase se substituirmos os pronomes por nomes, a frase ficaria assim:

Abrão creu no Senhor, e o Senhor creditou isso como justiça a Abrão. (Gênesis 15:6)

É uma frase muito curta e simples, mas ela é realmente importante. Por quê? Porque nesta curta frase Abraão obtém ‘justiça’. Esta é uma qualidade – e a única qualidade – que precisamos para alcançarmos posição favorável diante de Deus.

Revisando nosso Problema: Corrupção

A partir do ponto de vista de Deus, embora tenhamos sido criados à imagem de Deus algo aconteceu  que nos corrompeu.

O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens…Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. (Salmos 14:2-3)

O resultado da nossa corrupção é que não fazemos aquilo que é bom – causando vazio e morte.  Se duvidar disto, leia as manchetes dos noticiários e veja o que as pessoas fizeram nas últimas 24 horas. Isto significa que estamos separados do Deus Reto porque carecemos de retidão.

Nossa corrupção repele a Deus da mesma maneira que nos afastamos do corpo de um rato morto. Não queremos chegar perto do rato morto. Então as palavras do profeta Isaias na Bíblia se cumprem.

Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe. (Isaias 64:6)

Abraão e Retidão

Mas aqui na conversa entre Abraão e Deus vemos uma calma declaração que Abraão havia ganhado ‘retidão’, do tipo de retidão que Deus aceita – ainda que Abraão não estivesse sem pecados. Então, o que Abraão ‘fez’ para obter essa retidão? O texto simplesmente diz que Abraão ‘acreditou’. Só isso?! Tentamos merecer a retidão ao fazer algo, mas este homem, Abraão, a alcançou simplesmente ao ‘acreditar’.

Mas o que acreditar significa? E o que isto tem a ver com sua retidão e a minha? Abordaremos isso a seguir.

A jornada de um ancião que nos afeta hoje em dia…

Embora Israel seja um país pequeno, ele esta sempre nas noticias. Essas noticias continuam a apresentar e relatar sobre os judeus que se mudam para Israel, sobre sua tecnologia inventada e também sobre conflitos, guerras e tensões em torno das pessoas. E o por que? Se olharmos a um tempo atrás para a história de Israel no livro de Gênesis, na bíblia, que revela que há 4000 anos atrás um homem adentrou em uma jornada nesta mesma parte do mundo,[Israel], que agora é muito bem conhecida. Na Bíblia dizia que a história deste homem afetaria o nosso futuro.

Este ancião é Abraão, (também conhecido como Abrão). Podemos considerar seriamente esta história, porque os lugares e cidades que ele visitou são citadas em outras antigas escrituras.

Promessa para Abraão…

Deus fez uma promessa para Abraão

“Farei de você um grande povo, e o abençoarei;

Tornarei famoso seu nome, e você será abençoado;

Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que os amaldiçoarem;

E por meio de você todos os povos da terra serão abençoados’’.

O nome de Abraão tornou-se famoso  (Gênesis 12 2-3)

A maioria de nós quer saber se existe um Deus e se ele realmente é o Deus da bíblia. Na bíblia Deus diz,‘’Tornarei famoso teu nome’’. E hoje o nome de Abraão e conhecido no mundo todo. A promessa tornou-se realidade, e na copia mais antiga de Gênesis encontrada nos manuscritos do mar morto e datada 200-100 A.C o que significa que a promessa tem sido escrita desde então. Naquele tempo o nome de abrão não era bem conhecido por isso a promessa tornou- se realidade somente depois que ele foi escrito.

… Por meio desta grande nação

Surpreendentemente Abrão realmente não tinha feito nada importante na vida dele, ele não foi um grande escritor,rei, inventor ou líder militar. Ele não fez nada exceto acampar, onde lhe foi dito para ir e foi como um pai para algumas crianças. Seu nome ficou famoso porque essas crianças tornaram-se nações que mantiveram o registro de sua vida e depois os individuos e as nações que vieram com ele tornou-se grande. Isto é exatamente como foi prometido em Gênesis 12 (Farei de você um grande povo… tornarei famoso o seu nome). Ninguém em toda história é tão conhecido só por causa de seus descendentes ao invés de grandes realizaçõess em sua própria vida.

… Através da vontade do criador

Os Judeus qual descendem de Abraão nunca foram realmente umas das nações que viríamos com grandeza, pois eles não conquistaram um grande império como fizeram os romanos ou construirão um grande monumento como fizeram os Egipcios ao contruirem suas pirâmides. Sua fama veio a partir da lei e do livro que eles escreveram a partir de alguns individuos notáveis que era Judeus e sobreviveram como um grupo de pessoas um tanto diferente para a época. Não se tornaram grande por causa de qualquer coisa que fizeram, mais o que foi feito para e por meio deles. A promessa diz repetidamente que “Eu vou” Sua única grandeza aconteceu por que Deus fez isso acontecer ao invés de alguma conquista ou poder próprio.

A promessa de abraão veio ser verdade por que ele confiou na promessa e escolheu viver diferentemente dos outros. Pense em como era provável esta promessa falhar mas em vez disso ela se tornou realidade e continua revelando como foi declarado a mil anos atrás. Mais o ponto forte é que esta promessa só se tornou realidade pelo poder e autoridade do nosso Criador.

A jornada que ainda estremece o mundo

Abraham trek
Esse mapa mostra a jornada de abraão.

 

A biblía então diz, “ Então abrão partiu como o senhor lhe havia dito”, (V.4). Ele iniciou sua jornada, mostrada no mapa que ainda esta fazendo história.

Bençãos pra nós

Há algo mais prometido também. A bençãpo não era só para abrão, diz que; “Por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”(por meio de abrão), nós deveriamos prestar mais atenção por que eu e você somos parte de “todos os povos da terra”, sem importar nossa religião ou cor, conhecimento ou nacionalidade, estatus social ou a lingua que falamos, esta promessa é uma benção que inclui todos vivos hoje! Como? Quando? Que tipo de benção?Isto não esta claramente explicado aqui, mais uma vez que sabemos que as primeiras partes desta promessa se tornou realidade, nós podemos ter confiança de que esta última parte também tornará realidade!.

A Contagem Regressiva Final – Escondida no Início

Nós vimos como a humanidade caiu de seu primeiro estado criado. A Bíblia nos diz que Deus tinha um plano embasado em uma Promessa feita no inicio da história.

A Bíblia – De fato uma Biblioteca

Primeiro vejamos alguns fatos sobre a Bíblia. A Bíblia é uma coleção de livros, escritos por muitos autores.  Levou mais de 1500 anos para que estes livros fossem escritos do início ao fim. Isto torna a Bíblia mais como uma biblioteca e a separa dos demais livros. Se a Bíblia fosse escrita apenas por um autor, ou um grupo de pessoas que se conhecessem, a unidade da Bíblia não seria uma surpresa, mas os autores da Bíblia estão separados por centenas de anos e mesmo milhares de anos.  Estes escritores vêm de diferentes países, línguas e posições sociais. Mas suas mensagens e predições estão ligadas umas as outras e aos fatos históricos registrados fora da Bíblia. As mais antigas copias dos livros do Antigo Testamento (os livros antes de Jesus) que ainda existem hoje são de 200 A.C. Cópias existentes  do Novo Testamento são datadas de 125 AD e mais tarde.

A Promessa do Evangelho no Jardim

Vemos logo bem no inicio da Bíblia um exemplo de como a Bíblia prediz o futuro. Ainda que seja sobre o Início, ela foi escrita com o Final em mente. Aqui vemos uma Promessa quando Deus confronta Satanás (que estava na forma de uma serpente) com um enigma logo após ele ter trazido a Queda da Humanidade.

“Porei (eu – Deus) inimizade entre você (Satanás) e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”. (Gênesis 3:15)

Você pode ver que isto é profético pelos verbos ‘porei’ e ‘ferirá’  que estão no tempo verbal futuro.  Existem também cinco personagens diferentes mencionados. Eles são:

  1. Eu = Deus
  2. Você = serpente ou Satanás
  3. A mulher
  4. A descendência da mulher
  5. A descendência da serpente ou Satanás

A Promessa prediz como estes personagens se relacionarão no futuro. Isto é demonstrado abaixo:

Relacionamentos entre as personagens na Promessa
Relacionamentos entre as personagens na Promessa

O texto não diz quem ‘a mulher’ é, mas Deus fará com que tanto a mulher quanto Satanás tenham uma ‘descendência’. Haverá uma ‘inimizade’ ou ódio entre estas descendências e entre a mulher e Satanás. Satanás ‘ferirá o calcanhar’ da descendência da mulher enquanto que a descendência da mulher ‘esmagará a cabeça’ de Satanás.

Quem é a Descendência? – um ‘ele’

Fizemos algumas observações, agora faremos algumas conclusões. Pelo fato de a ‘descendência’ da mulher ser um ‘ele’ nós podemos descartar algumas possibilidades. Como o ‘ele’ da descendência não é um ‘eles’, então a descendência NÃO é um grupo de pessoas ou uma nação. O ‘ele’ da descendência é uma pessoa e não uma ‘coisa’. A descendência não é uma filosofia, ensino, sistema politico ou uma religião – uma vez que todas estas coisas citadas não são uma pessoa. Uma ‘coisa’ como uma destas teria sido uma escolha preferida para corrigir a corrupção uma vez que as pessoas sempre estão pensando em novos sistemas e religiões. Deus tem algo diferente em mente – um ‘ele’ – um ser humano singular. Este ‘ele’ esmagaria a cabeça de Satanás.

Observe o que não é dito. Deus não diz que esta descendência virá da mulher e do homem, mas apenas da mulher. Isto é especialmente incomum uma vez que a Bíblia quase sempre registra apenas os filhos através da menção das figuras paternas. Alguns consideram a Bíblia como ‘sexista’ porque ela simplesmente registra pais de filhos. Mas aqui é diferente – não existe promessa alguma de uma descendência (um ‘ele’) vindo de um homem. A Bíblia diz apenas que haverá uma descendência vindo da mulher, sem mencionar um homem.

Um Profeta muito posterior se embasa nessa Promessa e a aprofunda

Centenas de anos mais tarde, um profeta do Antigo Testamento acrescentou o seguinte:

Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel (Isaías 7:14)

Mais de 700 anos após Isaías, Jesus nasceu (o Novo Testamento diz) de uma virgem – cumprindo Isaías. Mas predições acerca de Jesus são feitas muito antes disso – bem no inicio da história humana? Isto se encaixa com a descendência como um ‘ele’, não uma ‘ela’, ‘eles’ ou ‘uma coisa’. Com esta perspectiva, se você ler o enigma, ele faz sentido.

Ferir seu Calcanhar?

Mas o que quer dizer que Satanás ferirá ‘seu calcanhar’? Certo ano eu trabalhei nas selvas dos Camarões. Nós tínhamos que calçar botas de plástico no calor húmido porque as cobras ficam deitadas nas gramas altas e picam os pés – seu calcanhar – e matam. Após a experiência naquelas selvas esta passagem começou a fazer sentido para mim.  ‘Ele’ destruiria Satanás, a serpente, mas ‘ele’ seria morto no processo. Isto prefigura a vitória ganha através do sacrifício de Jesus.

‘A Mulher’ – um Significado Duplo

Então, se esta Promessa no Início diz respeito a Jesus, então a mulher seria a virgem, Maria, que deu a luz a ‘ele’. Mas existe um segundo significado. Observe como outro profeta do Antigo Testamento se refere a Israel.

Eu me casarei com você para sempre; eu me casarei com você com justiça e retidão, com amor e compaixão. Eu me casarei com você com fidelidade, e você reconhecerá o Senhor. (Oséias 2:19-20)

Israel, na Bíblia, é referido como a esposa do Senhor – uma mulher. Então, o último livro da Bíblia descreve um conflito que esta mulher terá de enfrentar com seu inimigo:

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida (…) uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.

E viu-se (…) um grande dragão vermelho (…) diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro (…)

O grande dragão – a antiga serpente chamada diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançado à terra (…)

Quando o dragão viu que havia sido lançado à terra, começou a perseguir a mulher que dera à luz o menino (…) O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência (…) (Apocalipse 12:1-17, 90 AD)

Uma vez que Jesus era judeu, ele é, ao mesmo tempo, a descendência de Maria, a mulher, e Israel, a mulher. A Promessa se cumpriu de duas maneiras. A antiga serpente tem inimizade contra Israel, ‘a mulher’, e declarou guerra contra ela. Isto explica os problemas singulares que os judeus experimentaram através de sua longa história, problemas este que foram previstos nem no inicio.

A descendência da Serpente?

Mas quem é a descendência de Satanás?  No último livro da Bíblia, muitas páginas e milhares de anos após a Promessa em Gênesis, prediz a vinda de uma pessoa. Observe a descrição:

A besta que você viu, era e já não é. Ela está para subir do Abismo e caminha para a perdição. Os habitantes da terra, cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a criação do mundo, ficarão admirados quando virem a besta, porque ela era, agora não é, e entretanto virá. Aqui se requer mente sábia. (Apocalipse 17:8-9)

Este livro descreve uma batalha entre a descendência da mulher e a descendência de Satanás. Mas isto é primeiramente revelado na Promessa em Genesis, bem no inicio da Bíblia, com os detalhes preenchidos posteriormente. A contagem regressiva final entre Satanás e Deus começou há muito tempo no Jardim. Isto até pode te fazer pensar que a história é realmente sobre ‘ele’.

 

Corrompidos (parte 2)… e errando o alvo

A Bíblia nos descreve como corrompidos da imagem que Deus nos criou. Como isto aconteceu? Isto está registrado na Bíblia no livro de Gênesis. Logo apos sermos criados à ‘imagem de Deus’  os primeiros humanos (Adão e Eva) foram testados com uma escolha. A Bíblia descreve a conversa do casal com uma ‘serpente’.  Sempre se entendeu que a serpente é Satanás – um espirito inimigo de Deus. Na Bíblia, Satanás comumente fala através de alguém. Neste caso ele falou através de uma serpente:

Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?”

Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ ”.

Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus[a], serão conhecedores do bem e do mal”.

Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.  (Gênesis 3:1-6)

Sua escolha (e tentação) foi que eles poderiam ‘ser como Deus’. Até esse ponto eles haviam confiado em Deus para tudo, mas agora eles tinham a escolha de se tornar ‘como Deus’, para confiar em si mesmos e se tornar seus próprios deuses.

Em sua escolha de serem independentes eles foram mudados. Eles sentiram-se envergonhados e tentaram se cobrir. Quando Deus confrontou Adão, ele culpou Eva (e Deus que a havia criado). Ela culpou a serpente. Ninguém aceitou a responsabilidade.

O que começou aquele dia tem continuado porque herdamos a mesma natureza independente. Alguns entendem a Bíblia de maneira equivocada e pensam que somos culpados pela péssima escolha de Adão. O único culpado é Adão, mas vivemos nas consequências de sua decisão. Agora temos herdado esta natureza independente de Adão. Podemos não querer ser deus do universo, mas queremos ser deuses em nossos contextos, separados de Deus.

Isto explica muito da vida humana: trancamos nossas portas, precisamos da policia e temos senhas em nossos computadores – pois do contrario nós roubaríamos uns aos outros. É por isso que as sociedades, por fim, se acabam – pois as culturas têm uma tendência de se deteriorar. É por isso que todas as formas de governo e sistemas econômicos, apesar de alguns funcionarem melhor que outros, eles todos, por fim, desmoronam. Algo acerca da maneira que somos nos faz errar e não vivermos as coisas como elas deveriam ser.

A palavra ‘errar’ sintetiza nossa situação. Um versículo da Bíblia nos oferece um exemplo para entender isso melhor. O versículo diz:

Dentre todos esses soldados havia setecentos canhotos, muito hábeis, e cada um deles podia atirar com a funda uma pedra num cabelo sem errar. (Juízes 20:16)

O versículo descreve soldados que são especialistas no manuseio de fundas e que jamais erravam. A palavra acima em hebraico traduzida por ‘errar’ é יַחֲטִֽא. Ela também é traduzida como pecado no Antigo Testamento.

O soldado pega uma pedra e a atira no alvo. Se ele errar ele fracassou em seu propósito. Da mesma forma, fomos criados à imagem de Deus para acertarmos o alvo acerca de como nos relacionamos com Ele tratamos as demais pessoas. ‘Pecar’ é errar o propósito, ou o alvo, que era o nosso objetivo.

O exemplo do alvo que foi errado não é um exemplo feliz ou otimista. As pessoas, às vezes, reagem fortemente contra o ensino bíblico sobre o pecado.  Um universitário certa vez me disse: “Eu não acredito porque não gosto do que a Bíblia está dizendo”. Mas o que ‘gostar’ tem a ver com a verdade? Eu não gosto de impostos, guerras ou terremotos – ninguém gosta – mas isso não transforma tais coisas em mentira. Não podemos ignorar nenhuma dessas coisas. Todos os sistemas de leis, de policiais ou de travas e de seguranças que implementamos na sociedade para nos proteger uns dos outros sugere que algo está errado. Esse ensino bíblico acerca do pecado deveria ser, ao menos, considerado a partir de uma mente aberta.

Nós temos um problema. A imagem da qual fomos primeiramente criados está corrompida, e agora erramos o alvo em se tratando de ações morais. Mas Deus não nos deixou em nossa impotência. Ele teve um plano de nos resgatar, e é por isso que o Evangelho literalmente significa ‘boas novas’ – pois este plano é as boas novas que Ele nos salva. Deus não esperou até Abraão para anunciar estas noticias; ele primeiro a anunciou na conversa com Adão e Eva. Veremos a seguir este primeiro anúncio das Boas Novas.

 

Mas corrompidos… como orcs da Terra Média

Previamente nós analisamos o que a Bíblia quer dizer quando ela diz que as pessoas são criadas à imagem e semelhança de Deus. Isto explica porque a vida humana é preciosa. Contudo, a Bíblia prossegue, a partir da criação, a explicar um problema sério. O problema pode ser visto a partir deste Salmo (canção) na Bíblia:

O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens…

Todos se desviaram, igualmente se corromperam;

não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. (Salmos 14:2-3)

Estes salmos nos dizem que ‘todos’ nós nos ‘tornamos corrompidos’. Apesar de termos sido criados à imagem de Deus algo arruinou a imagem em todos nós. A corrupção é vista em uma escolha de viver de maneira independente de Deus (‘todos se extraviaram’ de ‘buscar a Deus’) e também de não fazer o ‘bem’.

Elfos e Orcs Pensantes

Os orcs eram feios de muitas maneiras, mas eram simplesmente elfos corrompidos
Os orcs eram feios de muitas maneiras, mas eram simplesmente elfos corrompidos

Para entender isso, compare os orcs e elfos do filme O Senhor dos Anéis.  Os orcs eram feios e maus. Elfos são bonitos e pacíficos (vide Legolas). Mas os orcs outrora foram elfos que Sauron havia corrompido no passado. A imagem original do elfo nos orcs fora corrompida. De maneira semelhante, a Bíblia diz que as pessoas se corromperam. Deus criou elfos, mas nos tornamos orcs.

Os elfos, como Legolas, eram nobres e majestosos
Os elfos, como Legolas, eram nobres e majestosos

Por exemplo, sabemos qual é o comportamento ‘certo’ e ‘errado’. Mas não vivemos infalivelmente por aquilo que sabemos. É como um vírus de computador que danifica o funcionamento adequado de um computador. Nosso código moral está ali – mas um vírus o infectou. A Bíblia inicia com pessoas boas e morais, mas depois corrompidas. Isso se encaixa naquilo que observamos acerca de nós mesmos. Mas isto também nos apresenta uma indagação: por que Deus nos criou desta maneira? Sabemos o certo e o errado, entretanto, nos corrompemos. Conforme o ateu Christopher Hitchens reclama:

 “… Se Deus realmente queria pessoas boas para serem livres de tais pensamentos [isto é., corruptos], ele deveria ter tomado mais cuidado para inventar uma espécie diferente. Christopher Hitchens.  2007.  God is not great: How religion spoils everything,  p. 100

Mas aqui ele erra em algo muito importante, a Bíblia não diz que Deus nos fez desta maneira, mas que algo terrível aconteceu após termos sido criados. Os primeiros humanos se recoltaram contra Deus e em sua rebelião eles mudaram e foram corrompidos.

A Queda da Humanidade

Isso é comumente chamada de A Queda. Adão, o primeiro homem, foi criado por Deus. Havia um acordo entre Deus e Adão, como um contrato de casamento de fidelidade, e Adão quebrou o contrato.  A Bíblia registra que Adão comeu da ‘Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal’ mesmo quando eles haviam concordado que ele não comeria daquela árvore. O contrato e a própria árvore deram a Adão uma escolha livre de permanecer ou não fiel a Deus. Adão fora criado à imagem de Deus e gozava de amizade com Deus. Mas Adão não teve escolha alguma em relação a sua criação, portanto, Deus lhe permitiu que ele escolhesse acerca dessa amizade com Deus. Assim como a escolha de ficar em pé não é real se o assentar-se for impossível, a amizade e confiança de Adão em Deus precisava ser uma escolha. Esta escolha centrava-se na ordem de não comer daquela árvore. E Adão escolheu se rebelar. O que Adão começou com sua rebelião tem perdurado por todas as gerações e continua conosco até hoje. Veremos em breve o que isto significa.