Abraão: Como Deus Proverá

Abraão viveu 4000 anos atrás, viajando para o que hoje chamamos de Israel. Deus lhe prometeu um filho que se tornaria uma ‘grande nação’, mas ele precisou esperar até que estivesse idoso para ver seu filho nascer. Judeus e árabes descendem de Abraão, então sabemos que a promessa se cumpriu e que ele é uma pessoa importante na historia como o pai de grandes nações.

Abraão agora estava muito feliz de ver seu filho crescer em se tornar um homem. Mas então Deus testou Abraão de uma maneira incrível. Deus disse:

Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. (Gênesis 22:2)

Isto é difícil de entender!  Por que Deus pediria a Abraão para fazer isso? Mas Abraão, que havia aprendido a confiar em Deus – mesmo quando ele não entendia

Na manhã seguinte, Abraão levantou-se… Levou consigo dois de seus servos e Isaque, seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado. (Gênesis 22:3)

Após três dias de viagem eles chegaram até a montanha. Então

Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.  Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.  (Gênesis 22: 9-10)

Abraão estava pronto para obedecer a Deus.  Naquele exato momento algo extraordinário aconteceu

Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão!”

“Eis-me aqui”, respondeu ele.

“Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.”

13 Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar de seu filho. (Gênesis 22:11-13)

No último momento Isaque foi salvo da morte e Abraão viu um carneiro e o sacrificou no lugar do filho. Deus havia provido um carneiro e o carneiro assumiu o lugar de Isaque.

Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta. Neste momento da história o carneiro está vivo ou morto?

Por que faço a pergunta? Porque Abraão irá agora dar um nome àquele lugar, mas a maioria das pessoas perde sua importância. A história continua…

Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor proverá“. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”. (Gênesis 22:14)

Outra pergunta: O nome que Abraão deu ao local (“O Senhor proverá”) está no tempo passado, presente ou futuro?

Olhando para o futuro, não para o passado

O tempo verbal claramente é futuro. Muitas pessoas pensam que Abraão, ao dar nome àquele lugar, estava pensando no carneiro preso nos arbustos e que fora providenciado por Deus e então sacrificado em lugar se seu filho Isaque. Mas quando Abraão deu o nome o carneiro já estava morto e sacrificado. Se Abraão estivesse pensando naquele carneiro – já morto e sacrificado – ele teria chamado o local de ‘O Senhor proveu’ – no tempo verbal passado. E o momento final o texto diria: “Por isso até hoje se diz: ‘No monte do Senhor se proveu’”. Mas o nome olha para o futuro, não para o passado. Abraão não esta pensando no carneiro morto. Ele está dando o nome pensando em outra coisa – no futuro. Mas o que?

Onde fica aquele lugar?

Lembre-se de onde este sacrifício aconteceu, contado no inicio da história:

(“Pegue Isaque… Leve-o até a terra de Moriá”)

Isto aconteceu no ‘Moriá’. Onde fica isto? Era um deserto na época de Abraão (2000 AC), com apenas alguns arbustos, um carneiro e Abraão e Isaque naquela montanha. Mas mil anos depois (1000 AC) o Rei Davi construiu a cidade de Jerusalém ali, e seu filho Salomão construiu o Primeiro Templo Judaico ali. Nós lemos posteriormente no Antigo Testamento que:

Então Salomão começou a construir o templo do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá… (2 Crônicas 3:1)

O monte Moriá se tornou Jerusalém, a cidade judaica com o Templo judaico. Hoje é um lugar sagrado para o povo judaico, e Jerusalém é a capital de Israel.

O Sacrifício de Abraão e Jesus

Vamos pensar um pouco acerca dos títulos de Jesus. O titulo mais bem conhecido de Jesus é ‘Cristo’. Mas ele teve outros títulos, tais como

No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (João 1:29)

Jesus também foi chamado ‘O Cordeiro de Deus’. Pense acerca do final da vida de Jesus. Quando ele foi preso e crucificado? Foi em Jerusalém (que eh o mesmo lugar que o ‘monte Moriá‘). Ficou bem claramente estabelecido que:

Quando ficou sabendo que ele era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também estava em Jerusalém naqueles dias. (Lucas 23:7)

A prisão, julgamento e morte de Jesus foram em Jerusalém (= monte Moriá). A sequência dos acontecimentos mostra que eles aconteceram no monte Moriá.

Principais acontecimentos no monte Moriá
Principais acontecimentos no monte Moriá

Voltemos a Abraão. Por que ele deu o nome àquele lugar no tempo verbal futuro ‘O SENHOR proverá’? Isaque fora salvo no último momento quando um cordeiro foi sacrificado em seu lugar. Dois mil anos mais tarde, Jesus é chamado ‘Cordeiro de Deus’ e ele é sacrificado no mesmo local – para que eu e você também possamos viver.

Um Plano Divino

É como se uma Mente associasse estes acontecimentos que estão separados por 200 anos de história. O que torna a relação singular é que o primeiro acontecimento aponta para o último acontecimento pelo nome no tempo verbal futuro. Mas como Abraão poderia saber o que aconteceria no futuro? Nenhum ser humano sabe o futuro, em especial um futuro tão distante. Somente Deus pode conhecer o futuro. Prever o futuro e fazer com que estes acontecimentos sejam realizados no mesmo lugar é evidencia de que este não é um plano humano, mas um plano de Deus. Ele quer que pensemos acerca disso da maneira abaixo

O sacrifício de Abraão no monte Moriá é um sinal que aponta para o sacrifício de Jesus
O sacrifício de Abraão no monte Moriá é um sinal que aponta para o sacrifício de Jesus

Boas Novas para todas as nações

Esta história tem uma promessa para você. No final desta história Deus promete a Abraão que:

“e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”. (Gênesis 22:18)

Se você pertence a uma das ‘nações da terra’, então esta é uma promessa para você, uma promessa de ‘benção’ de Deus.

Então, o que é esta ‘benção’?  Como você alcança esta promessa? Pense na história. Assim como o carneiro salvou Isaque da morte, da mesma maneira Jesus, o Cordeiro de Deus, por seu sacrifício no mesmo lugar, nos salva do poder da morte. Se isto for verdadeiro, certamente isto é boas notícias.

O sacrifício de Abraão no Monte Moriá é um acontecimento importante na história primitiva. Ele é lembrado e comemorado hoje por milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas esta também é uma história para você vivendo 4000 anos mais tarde.

 

Obtendo a Retidão – O exemplo de Abraão

Previamente nós vimos que Abraão obteve a retidão simplesmente ao acreditar. Isto foi afirmado na curta frase:

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.  (Gênesis 15:6)

Crença não tem a ver com a existência de Deus

Pense no que ‘acreditar’ significa. Muitas pessoas pensam que ‘acreditar’ significa acreditar que Deus existe. Pensamos que Deus quer que acreditemos que Ele está ali. Mas a Bíblia afirma de maneira diferente. Ela diz:

Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! (Tiago 2:19)

Aqui a Bíblia está empregando sarcasmo para dizer que simplesmente acreditar que Deus existe nos torna toa bons quanto o Diabo. É verdade que Abraão acreditou na existência de Deus, mas este não é o ponto de sua retidão. Deus prometeu a Abraão que Ele lhe daria um filho. Era esta promessa que Abraão tinha que escolher acreditar ou não – mesmo quando ele sabia que ele era um octogenário e sua esposa era septuagenária. Ele acreditou que Deus de alguma forma cumpriria a promessa feita a ele. Crença, nesta historia, significa confiança. Abraão escolheu confiar em Deus por um filho.

Quando Abraão escolheu acreditar naquela promessa de um filho então Deus também lhe deu – ‘creditou’ – retidão. No fim, Abraão obteve tanto o cumprimento da promessa (um filho a partir de quem uma grande nação viria) e também retidão.

Retidão – não do mérito ou esforço

Abraão não ‘mereceu’ a retidão; ela lhe foi ‘creditada’.  Qual é a diferença? Se você ‘ganha’ algo é porque você trabalhou por aquilo – você mereceu. É como ganhar salário pelo trabalho que você faz. Mas quando algo lhe é creditado, tal coisa lhe é dada. Não é algo ganho ou merecido, mas simplesmente recebido.

Pensamos que fazer mais coisas boas do que ruins, fazer bons atos ou cumprir as obrigações nos permite merecer ou ser dignos da retidão. Abraão prova que essa ideia é falsa. Ele não tentou ganhar a retidão. Ele simplesmente escolheu acreditar na promessa que lhe foi feita, e a retidão lhe foi dada.

A Crença de Abraão: Ele apostou sua vida nela

Escolher acreditar na promessa de um filho era simples, mas não era fácil. Quando  ele primeiramente recebeu a promessa de uma ‘Grande Nação’ ele tinha 75 anos de idade e havia deixado seu país natal e viajado para Canaã.  Quase dez anos se passaram e Abraão e Sara ainda não têm um filho – muito menos uma nação! “Por que Deus já não nos deu um filho se ele pode nos dar”?, ele teria imaginado. Abraão acreditou na promessa de um filho porque ele confiou em Deus, ainda que ele não entendesse tudo acerca da promessa, e nem tivesse todas as suas perguntas respondidas.

Acreditar na promessa exigia espera ativa. Toda sua vida foi interrompida enquanto ele vivia em tendas esperando pela promessa. Teria sido muito mais fácil criar desculpas e voltar para casa na Mesopotâmia (atualmente no Iraque) que ele havia deixado muitos anos atrás, e onde seu irmão e família ainda viviam. A vida era confortável lá.

Sua confiança assumiu a prioridade sobre seus objetivos normais na vida – segurança, conforto e bem-estar. Ele poderia ter desacreditado na promessa enquanto ainda acreditava na existência de Deus e continuava suas atividades religiosas e boas ações. Então ele teria mantido sua religião, mas não teria sido ‘creditado’ com retidão.

Nosso Exemplo

O restante da Bíblia trata Abraão como um exemplo para nós. A crença de Abraão na promessa de Deus, e o fato dele ter sido creditado com retidão, é um padrão para nós. A Bíblia tem outras promessas que Deus faz para todos nós. Nós também temos de escolher se confiaremos nelas.

Eis aqui um exemplo de tal promessa:

Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,  os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus. (João 1:12-13)

Hoje sabemos que a promessa a Abraão se cumpriu. É inegável que o povo judeu hoje existe como a nação que veio de Abraão. Mas como Abraão nós enfrentamos uma promessa hoje que parece improvável e suscita algumas perguntas. Como Abraão, nós escolhemos confiar nesta promessa – ou não.

Quem paga pela Retidão?

Abraão mostrou que a retidão é dada como um presente. Quando você recebe um presente você não paga por ele. O presenteador é quem paga. Deus, o doador da retidão, terá de pagar pela retidão. Como Ele pagará por ela? Veremos isso em nosso próximo artigo.

A Promessa Perene a um Homem Desconhecido

O que o mundo presta muita atenção hoje no esporte e politica será rapidamente esquecido conforme nossa atenção se mudar para outros entretenimentos, campeonatos ou acontecimentos políticos. O destaque de um dia rapidamente é esquecido no dia seguinte. Vimos em nosso  artigo anterior  que foi exatamente isso o que aconteceu no tempo de Abraão. As importantes realizações que chamavam a atenção do povo vivendo 4000 anos atrás estão totalmente esquecidas, mas uma promessa dita calmamente a um individuo, apesar de negligenciada pelo mundo na época, está crescendo e ainda se desenrolando diante de nossos olhos. A promessa feita a Abraão cerca de 4000 anos atrás se cumpriu. Talvez Deus exista e esteja trabalhando no mundo.

A Reclamação de Abraão

Vários anos se passaram na vida de Abraão desde que  a Promessa registrada em Gênesis 12  foi dita.  Em obediência, Abraão se mudou para Canaã (a Terra Prometida) no local que hoje é Israel, mas o nascimento do filho da promessa não aconteceu. Então Abraão começou a se preocupar.

Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa! ”

Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me dá, é continuo sem filhos e o pastor que é possível Eliézer de Damasco?” E acrescentou: “Tu não me deste cão filho! Um servo da minha casa será o meu herdeiro! (Gênesis 15:1-3)

A Promessa de Deus

Abraão estava acampando do lado de fora da Terra esperando o inicio da ‘Grande Nação’ que lhe fora prometida. Mas nada aconteceu e ele estava com aproximadamente 85 anos de idade (dez anos havia se passado desde o tempo que havia se mudado). Ele reclamou que Deus não estava mantendo Sua Promessa.  A conversa entre Abraão e Deus continuou:

Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”. Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua descendência”. (Gênesis 15:4-5)

Então Deus expandiu Sua Promessa inicial ao declarar que Abraão teria um filho que se tornaria um povo tão incontável quanto as estrelas no céu. E estas pessoas receberiam a Terra Prometida – hoje chamada Israel.

A Resposta de Abraão: Efeito Eterno

Como Abraão responderia à Promessa expandida? O que vem a seguir é uma frase que a própria Bíblia trata como uma das frases mais importantes em toda a Bíblia. Ela nos ajuda a entender a Bíblia e mostra o coração de Deus. Ela diz:

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. (Gênesis 15:6)

É mais fácil entender esta frase se substituirmos os pronomes por nomes, a frase ficaria assim:

Abrão creu no Senhor, e o Senhor creditou isso como justiça a Abrão. (Gênesis 15:6)

É uma frase muito curta e simples, mas ela é realmente importante. Por quê? Porque nesta curta frase Abraão obtém ‘justiça’. Esta é uma qualidade – e a única qualidade – que precisamos para alcançarmos posição favorável diante de Deus.

Revisando nosso Problema: Corrupção

A partir do ponto de vista de Deus, embora tenhamos sido criados à imagem de Deus algo aconteceu  que nos corrompeu.

O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens…Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. (Salmos 14:2-3)

O resultado da nossa corrupção é que não fazemos aquilo que é bom – causando vazio e morte.  Se duvidar disto, leia as manchetes dos noticiários e veja o que as pessoas fizeram nas últimas 24 horas. Isto significa que estamos separados do Deus Reto porque carecemos de retidão.

Nossa corrupção repele a Deus da mesma maneira que nos afastamos do corpo de um rato morto. Não queremos chegar perto do rato morto. Então as palavras do profeta Isaias na Bíblia se cumprem.

Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe. (Isaias 64:6)

Abraão e Retidão

Mas aqui na conversa entre Abraão e Deus vemos uma calma declaração que Abraão havia ganhado ‘retidão’, do tipo de retidão que Deus aceita – ainda que Abraão não estivesse sem pecados. Então, o que Abraão ‘fez’ para obter essa retidão? O texto simplesmente diz que Abraão ‘acreditou’. Só isso?! Tentamos merecer a retidão ao fazer algo, mas este homem, Abraão, a alcançou simplesmente ao ‘acreditar’.

Mas o que acreditar significa? E o que isto tem a ver com sua retidão e a minha? Abordaremos isso a seguir.

A jornada de um ancião que nos afeta hoje em dia…

Embora Israel seja um país pequeno, ele esta sempre nas noticias. Essas noticias continuam a apresentar e relatar sobre os judeus que se mudam para Israel, sobre sua tecnologia inventada e também sobre conflitos, guerras e tensões em torno das pessoas. E o por que? Se olharmos a um tempo atrás para a história de Israel no livro de Gênesis, na bíblia, que revela que há 4000 anos atrás um homem adentrou em uma jornada nesta mesma parte do mundo,[Israel], que agora é muito bem conhecida. Na Bíblia dizia que a história deste homem afetaria o nosso futuro.

Este ancião é Abraão, (também conhecido como Abrão). Podemos considerar seriamente esta história, porque os lugares e cidades que ele visitou são citadas em outras antigas escrituras.

Promessa para Abraão…

Deus fez uma promessa para Abraão

“Farei de você um grande povo, e o abençoarei;

Tornarei famoso seu nome, e você será abençoado;

Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que os amaldiçoarem;

E por meio de você todos os povos da terra serão abençoados’’.

O nome de Abraão tornou-se famoso  (Gênesis 12 2-3)

A maioria de nós quer saber se existe um Deus e se ele realmente é o Deus da bíblia. Na bíblia Deus diz,‘’Tornarei famoso teu nome’’. E hoje o nome de Abraão e conhecido no mundo todo. A promessa tornou-se realidade, e na copia mais antiga de Gênesis encontrada nos manuscritos do mar morto e datada 200-100 A.C o que significa que a promessa tem sido escrita desde então. Naquele tempo o nome de abrão não era bem conhecido por isso a promessa tornou- se realidade somente depois que ele foi escrito.

… Por meio desta grande nação

Surpreendentemente Abrão realmente não tinha feito nada importante na vida dele, ele não foi um grande escritor,rei, inventor ou líder militar. Ele não fez nada exceto acampar, onde lhe foi dito para ir e foi como um pai para algumas crianças. Seu nome ficou famoso porque essas crianças tornaram-se nações que mantiveram o registro de sua vida e depois os individuos e as nações que vieram com ele tornou-se grande. Isto é exatamente como foi prometido em Gênesis 12 (Farei de você um grande povo… tornarei famoso o seu nome). Ninguém em toda história é tão conhecido só por causa de seus descendentes ao invés de grandes realizaçõess em sua própria vida.

… Através da vontade do criador

Os Judeus qual descendem de Abraão nunca foram realmente umas das nações que viríamos com grandeza, pois eles não conquistaram um grande império como fizeram os romanos ou construirão um grande monumento como fizeram os Egipcios ao contruirem suas pirâmides. Sua fama veio a partir da lei e do livro que eles escreveram a partir de alguns individuos notáveis que era Judeus e sobreviveram como um grupo de pessoas um tanto diferente para a época. Não se tornaram grande por causa de qualquer coisa que fizeram, mais o que foi feito para e por meio deles. A promessa diz repetidamente que “Eu vou” Sua única grandeza aconteceu por que Deus fez isso acontecer ao invés de alguma conquista ou poder próprio.

A promessa de abraão veio ser verdade por que ele confiou na promessa e escolheu viver diferentemente dos outros. Pense em como era provável esta promessa falhar mas em vez disso ela se tornou realidade e continua revelando como foi declarado a mil anos atrás. Mais o ponto forte é que esta promessa só se tornou realidade pelo poder e autoridade do nosso Criador.

A jornada que ainda estremece o mundo

Abraham trek
Esse mapa mostra a jornada de abraão.

 

A biblía então diz, “ Então abrão partiu como o senhor lhe havia dito”, (V.4). Ele iniciou sua jornada, mostrada no mapa que ainda esta fazendo história.

Bençãos pra nós

Há algo mais prometido também. A bençãpo não era só para abrão, diz que; “Por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”(por meio de abrão), nós deveriamos prestar mais atenção por que eu e você somos parte de “todos os povos da terra”, sem importar nossa religião ou cor, conhecimento ou nacionalidade, estatus social ou a lingua que falamos, esta promessa é uma benção que inclui todos vivos hoje! Como? Quando? Que tipo de benção?Isto não esta claramente explicado aqui, mais uma vez que sabemos que as primeiras partes desta promessa se tornou realidade, nós podemos ter confiança de que esta última parte também tornará realidade!.

A Contagem Regressiva Final – Escondida no Início

Nós vimos como a humanidade caiu de seu primeiro estado criado. A Bíblia nos diz que Deus tinha um plano embasado em uma Promessa feita no inicio da história.

A Bíblia – De fato uma Biblioteca

Primeiro vejamos alguns fatos sobre a Bíblia. A Bíblia é uma coleção de livros, escritos por muitos autores.  Levou mais de 1500 anos para que estes livros fossem escritos do início ao fim. Isto torna a Bíblia mais como uma biblioteca e a separa dos demais livros. Se a Bíblia fosse escrita apenas por um autor, ou um grupo de pessoas que se conhecessem, a unidade da Bíblia não seria uma surpresa, mas os autores da Bíblia estão separados por centenas de anos e mesmo milhares de anos.  Estes escritores vêm de diferentes países, línguas e posições sociais. Mas suas mensagens e predições estão ligadas umas as outras e aos fatos históricos registrados fora da Bíblia. As mais antigas copias dos livros do Antigo Testamento (os livros antes de Jesus) que ainda existem hoje são de 200 A.C. Cópias existentes  do Novo Testamento são datadas de 125 AD e mais tarde.

A Promessa do Evangelho no Jardim

Vemos logo bem no inicio da Bíblia um exemplo de como a Bíblia prediz o futuro. Ainda que seja sobre o Início, ela foi escrita com o Final em mente. Aqui vemos uma Promessa quando Deus confronta Satanás (que estava na forma de uma serpente) com um enigma logo após ele ter trazido a Queda da Humanidade.

“Porei (eu – Deus) inimizade entre você (Satanás) e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”. (Gênesis 3:15)

Você pode ver que isto é profético pelos verbos ‘porei’ e ‘ferirá’  que estão no tempo verbal futuro.  Existem também cinco personagens diferentes mencionados. Eles são:

  1. Eu = Deus
  2. Você = serpente ou Satanás
  3. A mulher
  4. A descendência da mulher
  5. A descendência da serpente ou Satanás

A Promessa prediz como estes personagens se relacionarão no futuro. Isto é demonstrado abaixo:

Relacionamentos entre as personagens na Promessa
Relacionamentos entre as personagens na Promessa

O texto não diz quem ‘a mulher’ é, mas Deus fará com que tanto a mulher quanto Satanás tenham uma ‘descendência’. Haverá uma ‘inimizade’ ou ódio entre estas descendências e entre a mulher e Satanás. Satanás ‘ferirá o calcanhar’ da descendência da mulher enquanto que a descendência da mulher ‘esmagará a cabeça’ de Satanás.

Quem é a Descendência? – um ‘ele’

Fizemos algumas observações, agora faremos algumas conclusões. Pelo fato de a ‘descendência’ da mulher ser um ‘ele’ nós podemos descartar algumas possibilidades. Como o ‘ele’ da descendência não é um ‘eles’, então a descendência NÃO é um grupo de pessoas ou uma nação. O ‘ele’ da descendência é uma pessoa e não uma ‘coisa’. A descendência não é uma filosofia, ensino, sistema politico ou uma religião – uma vez que todas estas coisas citadas não são uma pessoa. Uma ‘coisa’ como uma destas teria sido uma escolha preferida para corrigir a corrupção uma vez que as pessoas sempre estão pensando em novos sistemas e religiões. Deus tem algo diferente em mente – um ‘ele’ – um ser humano singular. Este ‘ele’ esmagaria a cabeça de Satanás.

Observe o que não é dito. Deus não diz que esta descendência virá da mulher e do homem, mas apenas da mulher. Isto é especialmente incomum uma vez que a Bíblia quase sempre registra apenas os filhos através da menção das figuras paternas. Alguns consideram a Bíblia como ‘sexista’ porque ela simplesmente registra pais de filhos. Mas aqui é diferente – não existe promessa alguma de uma descendência (um ‘ele’) vindo de um homem. A Bíblia diz apenas que haverá uma descendência vindo da mulher, sem mencionar um homem.

Um Profeta muito posterior se embasa nessa Promessa e a aprofunda

Centenas de anos mais tarde, um profeta do Antigo Testamento acrescentou o seguinte:

Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel (Isaías 7:14)

Mais de 700 anos após Isaías, Jesus nasceu (o Novo Testamento diz) de uma virgem – cumprindo Isaías. Mas predições acerca de Jesus são feitas muito antes disso – bem no inicio da história humana? Isto se encaixa com a descendência como um ‘ele’, não uma ‘ela’, ‘eles’ ou ‘uma coisa’. Com esta perspectiva, se você ler o enigma, ele faz sentido.

Ferir seu Calcanhar?

Mas o que quer dizer que Satanás ferirá ‘seu calcanhar’? Certo ano eu trabalhei nas selvas dos Camarões. Nós tínhamos que calçar botas de plástico no calor húmido porque as cobras ficam deitadas nas gramas altas e picam os pés – seu calcanhar – e matam. Após a experiência naquelas selvas esta passagem começou a fazer sentido para mim.  ‘Ele’ destruiria Satanás, a serpente, mas ‘ele’ seria morto no processo. Isto prefigura a vitória ganha através do sacrifício de Jesus.

‘A Mulher’ – um Significado Duplo

Então, se esta Promessa no Início diz respeito a Jesus, então a mulher seria a virgem, Maria, que deu a luz a ‘ele’. Mas existe um segundo significado. Observe como outro profeta do Antigo Testamento se refere a Israel.

Eu me casarei com você para sempre; eu me casarei com você com justiça e retidão, com amor e compaixão. Eu me casarei com você com fidelidade, e você reconhecerá o Senhor. (Oséias 2:19-20)

Israel, na Bíblia, é referido como a esposa do Senhor – uma mulher. Então, o último livro da Bíblia descreve um conflito que esta mulher terá de enfrentar com seu inimigo:

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida (…) uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.

E viu-se (…) um grande dragão vermelho (…) diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.

Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro (…)

O grande dragão – a antiga serpente chamada diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançado à terra (…)

Quando o dragão viu que havia sido lançado à terra, começou a perseguir a mulher que dera à luz o menino (…) O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência (…) (Apocalipse 12:1-17, 90 AD)

Uma vez que Jesus era judeu, ele é, ao mesmo tempo, a descendência de Maria, a mulher, e Israel, a mulher. A Promessa se cumpriu de duas maneiras. A antiga serpente tem inimizade contra Israel, ‘a mulher’, e declarou guerra contra ela. Isto explica os problemas singulares que os judeus experimentaram através de sua longa história, problemas este que foram previstos nem no inicio.

A descendência da Serpente?

Mas quem é a descendência de Satanás?  No último livro da Bíblia, muitas páginas e milhares de anos após a Promessa em Gênesis, prediz a vinda de uma pessoa. Observe a descrição:

A besta que você viu, era e já não é. Ela está para subir do Abismo e caminha para a perdição. Os habitantes da terra, cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a criação do mundo, ficarão admirados quando virem a besta, porque ela era, agora não é, e entretanto virá. Aqui se requer mente sábia. (Apocalipse 17:8-9)

Este livro descreve uma batalha entre a descendência da mulher e a descendência de Satanás. Mas isto é primeiramente revelado na Promessa em Genesis, bem no inicio da Bíblia, com os detalhes preenchidos posteriormente. A contagem regressiva final entre Satanás e Deus começou há muito tempo no Jardim. Isto até pode te fazer pensar que a história é realmente sobre ‘ele’.

 

Corrompidos (parte 2)… e errando o alvo

A Bíblia nos descreve como corrompidos da imagem que Deus nos criou. Como isto aconteceu? Isto está registrado na Bíblia no livro de Gênesis. Logo apos sermos criados à ‘imagem de Deus’  os primeiros humanos (Adão e Eva) foram testados com uma escolha. A Bíblia descreve a conversa do casal com uma ‘serpente’.  Sempre se entendeu que a serpente é Satanás – um espirito inimigo de Deus. Na Bíblia, Satanás comumente fala através de alguém. Neste caso ele falou através de uma serpente:

Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?”

Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ ”.

Disse a serpente à mulher: “Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus[a], serão conhecedores do bem e do mal”.

Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.  (Gênesis 3:1-6)

Sua escolha (e tentação) foi que eles poderiam ‘ser como Deus’. Até esse ponto eles haviam confiado em Deus para tudo, mas agora eles tinham a escolha de se tornar ‘como Deus’, para confiar em si mesmos e se tornar seus próprios deuses.

Em sua escolha de serem independentes eles foram mudados. Eles sentiram-se envergonhados e tentaram se cobrir. Quando Deus confrontou Adão, ele culpou Eva (e Deus que a havia criado). Ela culpou a serpente. Ninguém aceitou a responsabilidade.

O que começou aquele dia tem continuado porque herdamos a mesma natureza independente. Alguns entendem a Bíblia de maneira equivocada e pensam que somos culpados pela péssima escolha de Adão. O único culpado é Adão, mas vivemos nas consequências de sua decisão. Agora temos herdado esta natureza independente de Adão. Podemos não querer ser deus do universo, mas queremos ser deuses em nossos contextos, separados de Deus.

Isto explica muito da vida humana: trancamos nossas portas, precisamos da policia e temos senhas em nossos computadores – pois do contrario nós roubaríamos uns aos outros. É por isso que as sociedades, por fim, se acabam – pois as culturas têm uma tendência de se deteriorar. É por isso que todas as formas de governo e sistemas econômicos, apesar de alguns funcionarem melhor que outros, eles todos, por fim, desmoronam. Algo acerca da maneira que somos nos faz errar e não vivermos as coisas como elas deveriam ser.

A palavra ‘errar’ sintetiza nossa situação. Um versículo da Bíblia nos oferece um exemplo para entender isso melhor. O versículo diz:

Dentre todos esses soldados havia setecentos canhotos, muito hábeis, e cada um deles podia atirar com a funda uma pedra num cabelo sem errar. (Juízes 20:16)

O versículo descreve soldados que são especialistas no manuseio de fundas e que jamais erravam. A palavra acima em hebraico traduzida por ‘errar’ é יַחֲטִֽא. Ela também é traduzida como pecado no Antigo Testamento.

O soldado pega uma pedra e a atira no alvo. Se ele errar ele fracassou em seu propósito. Da mesma forma, fomos criados à imagem de Deus para acertarmos o alvo acerca de como nos relacionamos com Ele tratamos as demais pessoas. ‘Pecar’ é errar o propósito, ou o alvo, que era o nosso objetivo.

O exemplo do alvo que foi errado não é um exemplo feliz ou otimista. As pessoas, às vezes, reagem fortemente contra o ensino bíblico sobre o pecado.  Um universitário certa vez me disse: “Eu não acredito porque não gosto do que a Bíblia está dizendo”. Mas o que ‘gostar’ tem a ver com a verdade? Eu não gosto de impostos, guerras ou terremotos – ninguém gosta – mas isso não transforma tais coisas em mentira. Não podemos ignorar nenhuma dessas coisas. Todos os sistemas de leis, de policiais ou de travas e de seguranças que implementamos na sociedade para nos proteger uns dos outros sugere que algo está errado. Esse ensino bíblico acerca do pecado deveria ser, ao menos, considerado a partir de uma mente aberta.

Nós temos um problema. A imagem da qual fomos primeiramente criados está corrompida, e agora erramos o alvo em se tratando de ações morais. Mas Deus não nos deixou em nossa impotência. Ele teve um plano de nos resgatar, e é por isso que o Evangelho literalmente significa ‘boas novas’ – pois este plano é as boas novas que Ele nos salva. Deus não esperou até Abraão para anunciar estas noticias; ele primeiro a anunciou na conversa com Adão e Eva. Veremos a seguir este primeiro anúncio das Boas Novas.

 

Mas corrompidos… como orcs da Terra Média

Previamente nós analisamos o que a Bíblia quer dizer quando ela diz que as pessoas são criadas à imagem e semelhança de Deus. Isto explica porque a vida humana é preciosa. Contudo, a Bíblia prossegue, a partir da criação, a explicar um problema sério. O problema pode ser visto a partir deste Salmo (canção) na Bíblia:

O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens…

Todos se desviaram, igualmente se corromperam;

não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. (Salmos 14:2-3)

Estes salmos nos dizem que ‘todos’ nós nos ‘tornamos corrompidos’. Apesar de termos sido criados à imagem de Deus algo arruinou a imagem em todos nós. A corrupção é vista em uma escolha de viver de maneira independente de Deus (‘todos se extraviaram’ de ‘buscar a Deus’) e também de não fazer o ‘bem’.

Elfos e Orcs Pensantes

Os orcs eram feios de muitas maneiras, mas eram simplesmente elfos corrompidos
Os orcs eram feios de muitas maneiras, mas eram simplesmente elfos corrompidos

Para entender isso, compare os orcs e elfos do filme O Senhor dos Anéis.  Os orcs eram feios e maus. Elfos são bonitos e pacíficos (vide Legolas). Mas os orcs outrora foram elfos que Sauron havia corrompido no passado. A imagem original do elfo nos orcs fora corrompida. De maneira semelhante, a Bíblia diz que as pessoas se corromperam. Deus criou elfos, mas nos tornamos orcs.

Os elfos, como Legolas, eram nobres e majestosos
Os elfos, como Legolas, eram nobres e majestosos

Por exemplo, sabemos qual é o comportamento ‘certo’ e ‘errado’. Mas não vivemos infalivelmente por aquilo que sabemos. É como um vírus de computador que danifica o funcionamento adequado de um computador. Nosso código moral está ali – mas um vírus o infectou. A Bíblia inicia com pessoas boas e morais, mas depois corrompidas. Isso se encaixa naquilo que observamos acerca de nós mesmos. Mas isto também nos apresenta uma indagação: por que Deus nos criou desta maneira? Sabemos o certo e o errado, entretanto, nos corrompemos. Conforme o ateu Christopher Hitchens reclama:

 “… Se Deus realmente queria pessoas boas para serem livres de tais pensamentos [isto é., corruptos], ele deveria ter tomado mais cuidado para inventar uma espécie diferente. Christopher Hitchens.  2007.  God is not great: How religion spoils everything,  p. 100

Mas aqui ele erra em algo muito importante, a Bíblia não diz que Deus nos fez desta maneira, mas que algo terrível aconteceu após termos sido criados. Os primeiros humanos se recoltaram contra Deus e em sua rebelião eles mudaram e foram corrompidos.

A Queda da Humanidade

Isso é comumente chamada de A Queda. Adão, o primeiro homem, foi criado por Deus. Havia um acordo entre Deus e Adão, como um contrato de casamento de fidelidade, e Adão quebrou o contrato.  A Bíblia registra que Adão comeu da ‘Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal’ mesmo quando eles haviam concordado que ele não comeria daquela árvore. O contrato e a própria árvore deram a Adão uma escolha livre de permanecer ou não fiel a Deus. Adão fora criado à imagem de Deus e gozava de amizade com Deus. Mas Adão não teve escolha alguma em relação a sua criação, portanto, Deus lhe permitiu que ele escolhesse acerca dessa amizade com Deus. Assim como a escolha de ficar em pé não é real se o assentar-se for impossível, a amizade e confiança de Adão em Deus precisava ser uma escolha. Esta escolha centrava-se na ordem de não comer daquela árvore. E Adão escolheu se rebelar. O que Adão começou com sua rebelião tem perdurado por todas as gerações e continua conosco até hoje. Veremos em breve o que isto significa.

 

Feitos à Imagem de Deus

Podemos usar a Bíblia para entender de onde viemos? Muitos dizem ‘não’, mas existe muita coisa acerca de nós que faz sentido à luz do que a Bíblia diz. Por exemplo, considere o que a Bíblia ensina acerca de nossas origens. O primeiro capitulo diz:

Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança… Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Genesis 1:26-27)

À Imagem de Deus

O que quer dizer que a humanidade foi criada ‘à imagem de Deus’? Isto não quer dizer que Deus tem dois braços e uma cabeça. Antes, isto quer dizer que nossas características básicas vêm de Deus. Na Bíblia, Deus pode se entristecer, se machucar, ficar bravo ou alegre – as mesmas emoções que temos. Fazemos escolhas e tomamos decisões todos os dias. Deus também faz escolhas e toma decisões. Podemos pensar e Deus também pensa. Ser feito à imagem de Deus’ significa que temos uma mente, emoções e vontade porque Deus tem mente, emoções e vontade e Ele nos criou para sermos como ele nestes aspectos. Ele é a fonte do que encontramos em nós.

Estamos conscientes de nós mesmos e de ‘eu’ e ‘você’. Não somos coisas impessoais. Somos assim porque Deus nos criou desta forma. O Deus da Bíblia não é uma entidade impessoal como a ‘Força’ no filme Guerra nas Estrelas e nem nós somos assim, pois fomos criados à Sua imagem’.

Por que gostamos da beleza?

Nós também valorizamos a arte, dramaturgia e a beleza. Precisamos de beleza, música e livros ao nosso redor. A música enriquece nossas vidas e nos faz dançar. Amamos boas estórias porque estórias têm heróis, vilões, drama e as grandes estórias colocam estes heróis, vilões e drama em nossas imaginações. Usamos a arte em suas muitas formas para entreter, relaxar e nos revigorar porque Deus é um artista e nós somos sua imagem. É uma pergunta que vale a pena ser feita. Por que buscamos a beleza, drama, música, dança, natureza ou literatura? Daniel Dennett, um ateu convicto e uma autoridade sobre o funcionamento do cérebro, responde a partir de uma perspectiva não bíblica:

“Mas a maior parte desta pesquisa ainda ignora a música. Ela raramente indaga: Por que a música existe? Existe uma resposta curta, e ela é verdadeira ate onde se propõe responder: ela existe porque a amamos e, portanto, continuamos a criar mais música. Mas por que a amamos? Por que nós a consideramos bonita. Mas por que achamos a música bonita? Esta é uma ótima questão e uma questão completamente biológica, mas ela ainda não tem uma resposta adequada”. (Daniel Dennett.  Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon.  p. 43)

Não existe resposta clara separada de Deus sobre por que todas as formas de arte nos são tão importantes. A partir do ponto de vista bíblico isso se dá porque Deus criou coisas belas e curte a beleza. Nós, criados à sua imagem, somos iguais a Ele. O ensino bíblico explica nosso amor pela arte.

Porque somos morais

Ser ‘feito à imagem de Deus’ explica nossa capacidade moral. Entendemos o que é um comportamento ‘errado’ e um comportamento ‘certo’ – ainda que nossas línguas e culturas sejam bastante diferentes. O raciocínio moral esta ’em’ nós. Conforme o famoso ateu Richard Dawkins coloca:

“Conduzir nossos julgamentos morais é uma gramática universal… Assim como a língua, os princípios que constituem nossa gramática moral voam acima do radar de nossa consciência” (Richard Dawkins, The God Delusion, p. 223)

Dawkins explica que nossa consciência de certo e errado está embutida em nós como nossa habilidade de ter uma língua, mas é difícil para ele explicar, apenas a partir de fontes físicas, porque temos isto. Equívocos acontecem quando não reconhecemos Deus como nos dando nossa bússola moral. Veja, por exemplo, esta nova objeção de Sam Harris, outro ateu famoso:

 “Se você estiver certo em acreditar que a fé religiosa oferece a única base real para a moralidade, então os ateus devem ser inferiores aos crentes”. (Sam Harris. 2005. Letter to a Christian Nation p.38-39)

Harris entende errado. Falando biblicamente, nosso sentido de moralidade vem do fato de sermos feitos à imagem de Deus, não a partir de sermos religiosos. E é por isso que os ateus, assim como todas as demais pessoas, possuem esse sentido moral e agem moralmente. Os ateus não entendem porque somos assim.

Porque somos tão relacionais

Biblicamente, o ponto de partida para entender a nós mesmos é reconhecer que somos feitos à imagem de Deus. Não é difícil perceber a importância que as pessoas colocam nos relacionamentos. É normal assistir a um bom filme, mas é muito melhor ver o filme com um (a) amigo (a). Nós naturalmente procuramos amigos e parentes para compartilhar experiências e melhorar nosso bem estar. Por outro lado, a solidão e famílias divididas e amizades nos estressam. Se somos a imagem de Deus, então esperamos encontrar essa mesma ênfase em Deus – e encontramos. A Bíblia diz que “Deus é amor…” (1 João 4:8). A Bíblia muito diz acerca da importância que Deus coloca em nosso amor por ele e pelas outras pessoas – esses tipos de amor são chamados na Bíblia como os dois mandamentos mais importantes da Bíblia. Quando você pensa a respeito disso, o Amor deve ser relacional uma vez que ele exige ao menos duas pessoas.

Portanto, devemos pensar em Deus como alguém que ama. Se apenas pensarmos nele como um ‘Ser Benevolente ’ não estamos pensando no Deus bíblico – antes criamos um deus a partir de nossas mentes. Ainda que Ele seja isto, Ele também é apaixonado por relacionamento. Ele não ‘tem’ amor. Ele ‘é’ amor. Os dois exemplos bíblicos mais conhecidos do relacionamento de Deus com as pessoas são aquele de um pai com seus filhos e de um marido com sua esposa. Estes não são relacionamentos distantes, mas são os mais profundos e mais íntimos dos relacionamentos humanos.  A Bíblia diz que Deus é assim.

Dessa forma, eis o que aprendemos até agora.  As pessoas foram criadas à imagem de Deus, querendo dizer, com mente, emoções e vontade. Estamos conscientes de nós mesmos e dos outros. Sabemos a diferença entre o certo e o errado. Podemos apreciar a beleza, a dramaturgia, arte e estória em todas as suas formas e iremos, naturalmente, buscar e desenvolver relacionamentos e amizades com outras pessoas. Somos tudo isso porque Deus é tudo isso e somos feitos à imagem de Deus. A seguir continuaremos a explicação bíblica do motivo pelo qual nossos relacionamentos quase sempre nos desapontam e porque Deus parece tão distante e porque nossos anseios jamais parecem se realizar.

 

Simplesmente Potente: Qual é o significado do sacrifício de Jesus?

Jesus veio para dar a si próprio, como um sacrifício por todos os povos.  Esta mensagem foi anunciada no princípio da história humana, brasonada com uma assinatura divina nos sacrifícios de Abraão e da Páscoa, com mais detalhes profetizados em várias profecias no Velho Testamento.    Porque a sua morte é tão importante e merece tal enfâse?  Esta é uma pergunta que vale a pena considerar.  A Bíblia declara algo semelhante a uma lei ao dizer:

Porque o salário do pecado é a morte… (Romanos 6:23)

“A morte” quer dizer, literalmente, “separação”.  Quando a alma se separa do corpo morremos fisicamente.  De forma semelhante, estamos separados de Deus espiritualmente.   Isto é verdade porque Deus é santo (sem pecado), e como estamos corrompidos do nosso estado original, pecamos.

separados de Deus
Estamos separados de Deus por causa dos nossos pecados. A nossa separação é como um abismo entre dois penhascos.

Isto pode ser visualizado por meio desta ilustração – estamos em cima de um penhasco e Deus está no penhasco oposto.  Estamos separados de Deus por este abismo sem fundo.  Como um ramo cortado de uma árvore morre, também estamos “cortados” de Deus e, espiritualmente, estamos mortos.

Esta separação causa vergonha e receio.  Por isso, naturalmente tentamos construir pontes para sair do nosso lado (da morte) e chegar ao lado onde está Deus.  Tentamos isto de muitas maneiras diferentes: indo à igreja, templo, ou mesquita; sendo religioso, sendo bons, meditando, tentando ser mais atenciosos, orando mais, etc.  Esta lista de atos para ganhar méritos é muito comprida para alguns de nós – e cumpri-la é complicado!  Isto está ilustrado na figura seguinte. 

not by religious merit
Bons esforços, apesar de úteis, não podem criar uma ponte entre nós e Deus.

O problema é que os nossos esforços, méritos, sacrifícios, práticas ascéticas etc., embora não sejam coisas más, são insuficientes porque o pagamento necessário pelos nossos pecados é a morte.  Os nossos esforços são como uma ponte que tenta atravessar o abismo entre nós e Deus, mas no fim não é capaz de alcançar a Deus.  As nossas boas ações não resolvem o nosso problema.  É como tentar curar um cancro fazendo uma dieta vegetariana.  Dietas vegetarianas não são más, mas não curam um cancro.  É preciso um tratamento totalmente diferente.

Até agora esta Lei tem sido muito negativa.  É tão negativa que às vezes não a queremos ouvir e frequentemente enchemos a nossa vida de atividades e bens na esperança de nos afastarmos desta Lei.  Como a cura para o cancro passa a ser muito importante logo que ouvimos o diagnóstico que temos cancro, também a Bíblia dá enfâse a esta Lei sobre o pecado e a morte para ficarmos interessados numa cura simples mas ainda assim potente.

 Porque o salário do pecado é a morte, mas… (Romanos 6:23)

A palavrinha “mas” mostra que a direção desta mensagem vai mudar e tornar-se a Boa Nova do Evangelho – a cura.

 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

A boa nova do Evangelho é que o sacrifício da morte de Jesus é suficiente para atravessar a separação entre nós e Deus.  Sabemos isto porque três dias depois de morrer, Jesus ressuscitou corporalmente do túmulo, tornando-se vivo por meio da ressurreição física.  Ainda que algumas pessoas escolham a não acreditar na ressurreição de Jesus, a maior parte ainda não se informou da forte evidência da ressurreição de Jesus.  O sacrifício de Jesus foi demonstrado profeticamente pelo sacrifício de Abraão e a inauguração do sacrifício da Páscoa.

Jesus era um humano que viveu uma vida sem pecado.  Por isso, Jesus pode alcançar os dois lados do abismo – o lado de Deus e o lado dos humanos – cobrindo o abismo que separa as pessoas de Deus.   Ele é a Ponte para a Vida, e isto pode ilustrar-se como mostra a figura seguinte.

jesus is bridge
Jesus é a ponte que preenche o abismo entre nós e Deus.

Note como nos é oferecido o sacrifício de Jesus.  É nos oferecido como um “dom gratuito”.  Pense em presentes.  Não importa o que seja, um presente verdadeiro é gratuito; não é algo que se possa merecer ou ganhar.  Se tivermos ganhado um presente, já não é um presente verdadeiro.  No mesmo sentido não se pode merecer ou ganhar o sacrifício de Jesus; é oferecido como um dom grátis.  É simples!

Ora, o que é o “dom”?  É “a vida eterna”. Isto significa que o pecado que nos leva à morte, agora está cancelado.  O sacrifício de Jesus é uma ponte que podemos atravessar para chegar a Deus e receber vida – vida que dura para sempre.  Este dom é dado por Jesus que, por ressuscitar dos mortos, mostra-se ser o “Senhor”.  É poderoso desta forma!

Então, como é que nós “atravessamos” esta Ponta da Vida que nos é oferecida?  Mais uma vez, pense em presentes.  Se alguém vier lhe dar um presente, não é merecido. Mas para desfrutar o presente tem que, pelo menos, recebê-lo. Quando um presente é oferecido existem duas alternativas.  O presente é rejeitado (“Não obrigado”) ou recebido(“Obrigado pelo presente! Deixa-me ver o que é!”).  Da mesma forma, este presente que nos é oferecido por Jesus tem que ser recebido – é só isso.  Não pode ser só consentido mentalmente, estudado, ou compreendido.  Isto está ilustrado na figura seguinte; atravessamos a cruz quando nos viramos a Deus e recebemos o presente que Ele nos oferece.

receive gift of jesus
O sacrifício de Jesus é um dom que cada um de nós
tem que escolher receber.

Então, como é que recebemos este dom?  A Bíblia diz que,

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. (Romanos 10:13)

Note que esta promessa é para todos.  Desde que Jesus ressuscitou dos mortos, Jesus está vivo e ainda é o “Senhor”.  Por isso, se chamarmos a Jesus ele irá ouvir e estender-nos o dom da vida eterna.  Tem que chamar a Jesus e pedir-lhe por meio duma conversa com ele.  Talvez nunca tenha feito isto antes.  Aqui tem um guia para o ajudar a conversar e orar a Jesus.  Não é um feitiço mágico.  Não são as palavras que dão poder.  É a nossa confiança (como tinha Abraão) em Jesus que ele tem a vontade e o poder de nos dar este dom.  Quando confiarmos em Jesus, ele vai ouvir e responder-nos.  O Evangelho é potente e ainda assim é tão simples.  Não hesite a seguir este guia enquanto fala em voz alta ou silenciosamente no seu espírito, com Jesus para receber este dom.

Senhor Jesus.  Eu entendo que estou separado de Deus por causa dos meus pecados.  Por mais que eu tente, não há esforço ou sacrifício da minha parte que possa transpor esta separação. Eu entendo que a Tua morte foi um sacrifício para purificar todos os pecados – até os meus.  Acredito que Tu ressuscitaste depois do Teu sacrifício para que eu pudesse saber que Teu sacrifício é suficiente.  Peço-Te que me limpes e me leves a Deus para que eu possa ter a vida eterna.  Não quero viver uma vida escravizada pelo pecado; por favor, liberta-me dos meus pecados.  Obrigado Senhor Jesus por fazer tudo isto por mim.  Que continues a conduzir-me ao longo da minha vida para que eu possa seguir-Te como o meu Senhor.  Amém.

A Ressurreição: Estória Ridícula ou História Real?

Quando criança aprendi muitas estórias maravilhosas sobre os nossos feriados religiosos. Aprendi que um homem jovial e gordo voava em volta do mundo com renas, descendo por chaminés para dar prendas a meninos bons no Natal. Aprendi sobre o coelhinho que dava ovos e chocolates aos mesmos meninos na Páscoa. Ao ficar mais velho, soube que tais estórias eram meigas mas falsas. Eu podia olhar para traz e rir das estórias, mas eu as superei.

Também aprendi outras ‘estórias’ como as sobre os nossos feriados religiosos. Nestas estórias, magos seguiam estrelas e um bebê foi posto numa manjedoura – estórias que formam a base da celebração do Natal. Talvez a estória mais dramática seja a de como Jesus morreu na cruz e três dias depois ressuscitou – estórias formando a base da Páscoa.

A segunda série dessas estórias parece tão fantástica como a primeira série. Quando eu fiquei mais velho e soube que as primeiras não eram verdade uma questão me veio à cabeça: tenho a certeza que as outras estórias são verdadeiras? Afinal todas estão entrelaçadas com feriados religiosos, todas dão espanto e são incríveis! Isto é especialmente verdade em relação a estória da Páscoa, que fala que Jesus fisicamente ressuscitou três dias depois de morrer. Esta estória é provavelmente a mais ousada dentre todas. Pode-se lhe dar o título ‘Homem morto volta à vida’. Será verdade? Será isso credível? Existirá alguma evidência para substanciar tal afirmação?

Talvez sejam questões difíceis para resolver, mas com certeza são questões que merecem o nosso pensamento maduro pois tocam diretamente na nossa vida. Afinal, o mais esperto, o mais forte, o mais poderoso de nós todos, morrerá só. O mesmo é verdade também para mim e você. Se houvesse alguém que venceu a morte, deveríamos ter interesse nisso. Deixem-me partilhar convosco o que eu descobri ao estudar este assunto.

Informação histórica de Jesus – fora da Bíblia      

Talvez a melhor maneira de resolver este problema seja considerar cada alternativa e ver qual delas faz sentido – sem prejulgar por ‘fé’ qualquer explanação. O facto de que Jesus viveu e morreu uma morte em público e que alterou o caminho da história é óbvio. Não se precisa de ir á Bíblia para se verificar isso. Há varias referências a Jesus em histórias seculares de como ele impactou o mundo durante os seus dias. Consideremos duas fontes. O governador romano e historiador Tácito escreveu uma referência fascinante a Jesus ao descrever como o Imperador Nero martirizou cristãos no século um (no ano 65 D.C.) como bodes expiatórios por causa do fogo em Roma. Tácito escreveu no ano 112 D.C.:

 Nero castigava com as piores torturas as pessoas chamadas cristãs, que eram odiadas. ‘Christus’, o fundador do nome foi condenado à morte por Pôncio Pilatos o procurador da Judeia no reino de Tibério; mas a superstição perniciosa, reprimida por algum tempo se espalhou outra vez, não só na região da Judeia onde se originou o assunto problema, mas também pela cidade de Roma. (Tacitus. Anais XV. 44)  

O ponto interessante desta afirmação é que Tácito verifica que: 1) Jesus existiu como homem na história; 2) Jesus foi executado por Pilatos e 3) já no tempo de Nero a fé cristã tinha se espalhado através do Mar Mediterrâneo, da Judeia até a Roma com tal intensidade que o Imperador sentiu que tinha que fazer alguma coisa sobre o assunto. Note também que Cornélio Tácito diz isto como testemunha hostil porque considera que o movimento que Jesus começou era uma ‘superstição perniciosa’.

Josefo era um líder militar e historiador Judaico que escreveu para uma audiência Romana. Na sua escrita Josefo resume a história da nação Judaica do princípio até ao fim da sua vida. Ao fazer isso ele explica o tempo e a carreira de Jesus com estas palavras:

Neste tempo havia um homem sábio… Jesus… bom, e… virtuoso. Muitas pessoas dos Judeus e dos outros povos tornaram-se os seus discípulos. Pilatos condenou-o à morte por crucificação. E as pessoas que se tinham tornado os seus discípulos não abandonaram a sua comitiva. Eles reportaram que ele lhes tinha aparecido três dias depois da sua crucifixão e que estava vivo.” (Josefo. 90 D.C., Antiguidades XVIII. 33)  

Então, baseado nestas visões rápidas do passado, parece que a morte de Cristo era um facto bem conhecido e que o assunto da sua ressurreição era divulgado intensamente no mundo Romano pelos seus discípulos.

Informação histórica de Jesus – da Bíblia      

Lucas, doutor e historiador, fornece mais detalhas sobre a progressão desta fé no mundo antigo. Aqui tem-se um trecho do livro Atos escrito por Lucas:

Falavam eles ainda ao povo quando sobrevieram os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos; e os prenderam, recolhendo-os ao cárcere até ao dia seguinte, pois já era tarde…. Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus… consultavam entre si, dizendo: Que faremos com estes homens? (Atos 4:1-16, no ano 63 D.C.)

 Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele… prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública… se enfureceram e queriam matá-los… açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. (Atos 5:17-40)

Pode-se ver neste trecho que os líderes da comunidade faziam grandes esforços para exterminar esta ‘superstição perniciosa’ (como era chamada por Tácito). Devemos notar que estes eventos aconteciam na cidade de Jerusalém, na mesma cidade em que Jesus tinha sido assassinado publicamente e sepultado há poucas semanas.

O corpo de Jesus poderia ter ficado no sepulcro?

Tendo considerado os dados históricos que são pertinentes, podemos pensar nas explanações possíveis sobre a alegada ressurreição de Jesus. Começando, só temos duas alternativas sobre o corpo morto de Cristo (note, somente duas): o túmulo estava vazio naquela famosa manhã da Páscoa, ou o túmulo ainda continha o corpo de Cristo. Só existem estas alternativas, não existem outras possibilidades.

Vamos presumir que o corpo de Cristo ainda estivesse no túmulo. Ao pensar nos eventos da história desta perspectiva, rapidamente encontramos dificuldades. Porque é que os líderes romanos e judaicos em Jerusalém teriam que fazer tais grandes esforços ao fim de parar exagerações duma alegada ressurreição, se o corpo ainda estivesse no túmulo, a pouca distância da localização onde os apóstolos estavam a pregar? Se eu fosse um dos líderes, eu teria esperado até os discípulos terem chegado ao clímax da sua pregação sobre a ressurreição e naquele instante exibiria a todos o corpo de Cristo. Eu teria desacreditado o movimento incipiente sem ter que encarcerar, torturar nem martirizar ninguém. Considere, milhares de pessoas foram convencidos a acreditar na ressurreição física de Jesus em Jerusalém naquele tempo. Se eu fosse um das pessoas na multidão ouvindo a Pedro e ponderando se eu podia acreditar na sua incrível mensagem (pois, esta crença vinha com o preço de perseguição), pelo menos eu tinha investido a minha pausa para almoço e ido ao túmulo para verificar se o corpo ainda lá estava. Se o corpo de Cristo estivesse no túmulo o movimento não teria ganho nenhum seguidor, pois era um ambiente muito hostil com muita evidência incriminadora em todo lado. Então, a hipótese que o corpo de Cristo ficou no túmulo guia-nos a conclusões absurdas. Essa alternativa não merece consideração séria.

Os discípulos roubaram o corpo?

Até aqui a nossa investigação não prova a ressurreição – pois há muitas boas explanações para o túmulo vazio sem aceitar a ressurreição. Contudo, qualquer explanação para a ausência do corpo também precisa de prestar contas pela situação então corrente: o selo romano no túmulo, a patrulha de soldados guardando o túmulo, a pedra enorme cobrindo a entrada, o 40kg da substância para embalsamar o corpo… a lista continua. O espaço não nos deixa considerar todos os factores e cenários para explanar a ausência do corpo, mas a explanação mais popular sempre tem sido a que os discípulos a si mesmos roubaram o corpo do túmulo, esconderam-no e conseguiram enganar outros.

Vamos presumir outro cenário, evitando, por uma questão de argumento algumas das dificuldades em relação a explicar como um grupo de discípulos abatidos, que fugiu para defender a sua própria vida quando as autoridades prenderam Jesus, podia reunir-se outra vez e fabricar um plano para roubar o corpo – um plano que podia despistar e superar a guarda romana. Vamos conjeturar que eles quebrassem o selo, removessem a enorme pedra e fugissem com o corpo embalsamado sem deixarem vestígios. Vamos supor que eles conseguissem fazer tudo isso e começou uma fé religiosa baseada nesta decepção. Hoje em dia, muitos de nós acreditam que a motivação dos primeiros discípulos era a necessidade de proclamar fraternidade e amor entre os homens, e que a morte de Cristo e a ressurreição (espiritual ou metafórica) de Cristo era o catalisador da mensagem. Porém, se você ler a narração de Lucas e Josefo, notará que a questão controversa era que ‘os apóstolos estavam a ensinar ao povo e proclamando em Jesus a ressurreição dos mortos’. Este tema é proeminente nos seus escritos. Note como Paulo, outro apóstolo, atribui grande importância ao assunto da ressurreição de Cristo:

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu… que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia… apareceu a Cefas [Pedro] e, depois, aos doze… se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé… Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens… Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos. (1 Coríntios 15:3-32)

Claramente (pelo menos na mente dos apóstolos) os discípulos tinham o testemunho da ressurreição no centro da sua mensagem. Então, presumamos que o testemunho dos discípulos fosse falso e que realmente os discípulos tivessem roubado o corpo para que a evidência contra a sua mensagem não os pudesse impedir. Talvez, eles pudessem ter enganado o mundo, mas eles teriam reconhecido em si próprios que, o que estavam a pregar, escrever, e usar para criar agitação social, era falso. Mas eles deram as suas próprias vidas (literalmente) por esta missão. Porque é que fariam isso se soubessem que a base da sua fé era falsa? Frequentemente, pessoas dão a vida por uma causa (quer causa digna ou não) porque crêem na causa pela qual lutam, ou seja, acham que podem ganhar alguma coisa na luta pela causa. Considere os homens-bomba no Oriente Médio, certamente esse é o melhor exemplo moderno da devoção extrema por uma causa – culminando na morte deles e de outros. É muito provável que não acreditemos na causa dos homem-bomba, mas é óbvio que eles acreditem na causa pela qual se sacrificam. Eles chegam a tais extremos porque crêem que depois de morrer irão para o paraíso como um prêmio pelo seu sacrifício. Essa crença pode ser falsa, mas pelo menos acreditam nela, ou não iam arriscar a sua própria vida numa aposta tão drástica. A diferença principal entre os homens-bomba e os primeiros discípulos é que os homens-bomba não estão numa posição para verificar factualmente a sua crença, mas os discípulos estavam. Se tivessem roubado e escondido o corpo, eles de todas as pessoas teriam sabido que a reportagem da ressurreição não era verdade. Examine nas suas próprias palavras que preço os discípulos pagaram por causa de espalhar a sua mensagem. Pergunte-se se você pagaria tal preço pessoal para propagar uma estória que você soubesse ser falsa:

 Em tudo somos atribulados… perplexos… perseguidos… abatidos… na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nas açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, mas vigílias, nos jejuns… castigados… entristecidos… pobres… nada tendo… Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; …, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar… em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede… em frio e nudez… Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? (1Coríntios 4:8, 6:4-10, 11:24-29)

Quanto mais eu pondero o intrépido heroísmo de todas as suas vidas (nem sequer um só apóstolo renegou na hora da prova) quanto mais acho que é impossível que eles não acreditassem na mensagem que estavam a proclamar. Se a acreditassem, não podiam ter roubado e escondido o corpo de Cristo. Um dos melhores advogados criminalistas, que ensinava estudantes da lei na universidade de Harvard como se sondam as fraquezas em testemunhas, disse isto sobre este assunto:

 Os anais de guerra militar mal fornecem um só exemplo deste tipo de heroica constância, paciência e coragem inabalável. Eles tinham todos os motivos de rever cuidadosamente a base da sua fé e as evidências dos grandes factos e verdades que afirmavam. (Greenleaf. 1874. An Examination of the Testimony of the Four Evangelists by the Rules of Evidence Administered in the Courts of Justice. p. 29)

 Em relação a isso é o silêncio dos inimigos dos discípulos – judaicos ou romanos. Estas testemunhas hostis não tentaram contar a história ‘real’ de forma séria, ou mostrar que os discípulos estavam errados. Como diz Dr. Montgomery,

 Isso sublinha a confiabilidade do testemunho sobre a ressurreição de Cristo que era apresentada contemporaneamente nas sinagogas – diretamente contra a oposição, no meio de examinadores hostis que certamente podiam ter destruído o caso… se os factos fossem de outro modo. (Montgomery. 1975. Legal Reasoning and Christian Apologetics. p. 88-89)

Neste estudo breve não tivemos espaço para considerar todos os aspetos da questão. Contudo, a coragem inabalável dos discípulos e o silêncio das testemunhas hostis daquela época falam volumes ao fim que Cristo podia ter ressuscitado, e que vale a pena examinar o assunto a sério e pensativo. A ressurreição é o clímax do evangelho. Uma maneira de pensar na ressurreição com mais profundidade é entendê-la no seu contexto Bíblico. Uma boa maneira a começar é ler sobre os sinais de Abraão e Moisés. Embora vivessem mais de mil anos antes de Cristo, as suas experiências eram predições proféticas da morte e ressurreição de Jesus.