Como os detalhes da morte de Cristo foram profetizados?

O “corte” de Cristo predito em detalhe pelos profetas do Antigo Testamento

Em nossa última postagem nós vimos que ‘Cristo’ seria ‘cortado’ após um ciclo específico de anos. Esta predição de Daniel foi cumprida na entrada triunfante de Jesus em Jerusalém – ali apresentado como Cristo de Israel – exatamente 173.880 dias após o decreto persa para restaurar Jerusalém ter sido promulgado. A expressão ‘cortado’ foi mencionada na imagem de Isaías do Ramo nascendo a partir de uma raiz aparentemente morta. Mas o que ele quis dizer com esta imagem?

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Isaías também tinha escrito outras profecias em seu livro, utilizando temas diferentes do tema do Ramo. Um destes temas foi sobre a vinda do Servo. Quem era este Servo’? O que ele iria fazer? Vamos analisar em detalhe esta longa passagem. Eu reproduzo abaixo a passagem em sua totalidade e exatamente como ela é, apenas inserindo alguns comentários meus.

O Servo vindouro. A passagem completa de Isaías 52:13-53:12

Vejam, o meu servo agirá com sabedoria;

será engrandecido, elevado e muitíssimo exaltado.

Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele;

sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem;

não parecia um ser humano; de igual modo ele aspergirá muitas nações,

e reis calarão a boca por causa dele. Pois aquilo que não lhes foi dito verão,

e o que não ouviram compreenderão. (Isaías 52:13-15)

Sabemos que este Servo será um homem, pois Isaías se refere ao Servo como um ‘ele’, ‘o’, ‘dele’, e especificamente descreve acontecimentos futuros (a partir das expressões ‘agirá’, ‘será levantado’, e assim sucessivamente), portanto, esta é uma profecia explícita. Mas do que tratava essa profecia?

Quando os sacerdotes judeus ofereciam sacrifícios para os israelitas, eles os aspergiam com sangue do sacrifício – simbolizando que seus pecados foram cobertos e não seriam mais mantidos contra eles. Mas aqui o texto diz que o Sevo aspergirá ‘muitas nações’, portanto, Isaías está dizendo, de maneira semelhante, que este Servo também irá prover aos não judeus assim como os sacerdotes do Antigo Testamento faziam pelos adoradores judeus.

Esta predição é paralela à de Zacarias de que o Ramo seria um sacerdote, unindo os papeis de Rei e Sacerdote, porque somente os sacerdotes poderiam aspergir sangue. Este escopo global de ‘muitas nações’ segue aquelas promessas históricas e verificáveis feitas séculos atrás a Abraão, de que ‘todas as nações’ serão abençoadas através de sua descendência.

Mas ao aspergir sobre as muitas nações a própria ‘aparência’ e ‘forma’ do Servo é predita como sendo ‘desfigurada’ e ‘irreconhecível’. E embora não fique prontamente claro o que o Servo fará, um dia as nações ‘entenderão’.

Quem creu em nossa mensagem? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele  como um broto tenro,

e como uma raiz saída de uma terra seca.

Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse,

nada havia em sua aparência para que o desejássemos.

Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores

e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem

os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. (Isaías 53:1-3)

Embora o Servo viesse a aspergir muitas nações, ele seria ‘desprezado’ e ‘rejeitado’, cheio de ‘sofrimento’ e ‘familiarizado com o sofrimento’.

Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades

e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos

castigado por Deus, por Deus atingido e afligido.

Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões,

foi esmagado por causa de nossas iniqüidades;

o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. (Isaías 53:4-5)

O Servo irá assumir ‘nossa’ dor. Este Servo também será ‘perfurado’ e ‘esmagado’ em ‘castigo’. O castigo nos trará (àqueles nas muitas nações) ‘paz’ e nos curará.

Eu escrevo isto na sexta-feira santa. Tanto as fontes seculares quanto as bíblicas nos contam que neste dia aproximadamente 2000 anos atrás (mas ainda mais 700 anos após Isaías ter feito esta predição), Jesus foi crucificado. Ao fazer isto ele foi literalmente perfurado, conforme Isaías previu que o Servo seria, com os pregos da crucificação.

Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos,

cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho;

e o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.          (Isaías 53:6)

 Vimos em Corruptos… errando o alvo, que uma das definições bíblicas de pecado é ‘errar o alvo intencionado’. Como uma flecha torta, nós seguimos nosso próprio caminho. Este Servo carrega o mesmo pecado (iniquidade) que causamos.

Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. (Isaías 53:7)

O Servo será como um cordeiro sendo levado ao ‘matadouro’. Mas ele não protestará ou sequer ‘abrirá sua boca’. Vimos no Sinal de Abraão  que um carneiro foi usado como substituto para o filho de Abraão. Aquele carneiro – um cordeiro – foi morto. E Jesus foi morto no mesmo local  (Monte Moriá = Jerusalém). Vimos na Páscoa que um cordeiro foi morto na páscoa – e Jesus também foi morto na Páscoa.

 Com julgamento opressivo ele foi levado.
E quem pode falar dos seus descendentes?
Pois ele foi eliminado da terra dos viventes;
por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. (Isaías 53:8)

 Este Servo é ‘cortado’ ‘da terra dos viventes’. Isto é exatamente o termo empregado por Daniel  quando ele predisse o que aconteceria ao Cristo após ele ser apresentado a Israel como seu Messias. Isaías prediz em mais detalhes que ‘cortado’ significa ‘cortado da terra dos viventes’ – isto é, morte! Então, naquela fatídica sexta-feira santa Jesus morreu, sendo literalmente ‘cortado da terra dos viventes’, pouquíssimos dias após ter sido apresentado como o Messias em sua entrada triunfante.

Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido nenhuma violência nem houvesse nenhuma mentira em sua boca.  (Isaías 53:9)

Apesar de Jesus ter sido executado e morrido como um criminoso (‘foi-lhe dado um túmulo entre os ímpios’), os escritores do evangelho nos contam que um homem rico, dos líderes do sinédrio, José de Arimatéia, pegou o corpo de Jesus e o enterrou em seu próprio túmulo (Mateus 27:60). Jesus literalmente cumpriu os dois lados da predição paradóxica – embora ele ‘tenha recebido um túmulo entre os ímpios’, ele também esteve ‘com o rico em sua morte’.

 Contudo, foi da vontade do Senhor
esmagá-lo e fazê-lo sofrer,
e, embora o Senhor tenha feito da vida dele
uma oferta pela culpa,
ele verá sua prole e prolongará seus dias,
e a vontade do Senhor
prosperará em sua mão. (Isaías 53:10)

Toda esta morte cruel não foi um acidente terrível ou um infortúnio. Foi explicitamente “a vontade de Deus” esmagá-lo. Mas por quê? Assim como cordeiros no sistema sacrificial mosaico eram ofertas pelos pecados de maneira que a pessoa oferecendo o sacrifício era tida como sem culpa, aqui a ‘vida’ deste Servo também é uma ‘oferta pelo pecado’. Pelo pecado de quem? Bem, considerando que ‘muitas nações’ seriam ‘aspergidas’ (acima), é o pecado das pessoas nas ’muitas nações’. Aqueles ’todos’ que ’se afastaram’ e ’ se desviaram’ de quem Isaías está falando somos eu e você.

Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniqüidade deles. (Isaías 53:11)

Embora a passagem do Servo seja horrível, aqui ela muda o tom e se torna mais otimista e até mesmo triunfante. Após este terrível sofrimento (de ser ’cortado da terra dos viventes’ e receber ’um túmulo’), este Servo verá ’a luz da vida’. Ele voltará à vida?! Eu analisei a questão da ressurreição. Aqui a ressurreição é prevista.  E ao ‘ver a luz da vida’ este Servo ‘justificará’ muitos. ‘Justificar’ é o mesmo que conceder ‘retidão’. Lembre-se de que a fé de Abraão lhe foi ‘creditada’ ou dada ‘retidão’. De maneira semelhante, este Servo justificará ou creditará retidão a ‘muitos’.

Por isso eu lhe darei uma porção entre os grandes,

e ele dividirá os despojos com os fortes,

porquanto ele derramou sua vida até a morte,

e foi contado entre os transgressores.

Pois ele levou o pecado de muitos,

e pelos transgressores intercedeu. (Isaías 53:12)

A passagem do Servo aponta tão misteriosamente para a crucificação e ressurreição de Jesus que alguns críticos dizem que as narrativas do evangelho foram escritas especificamente para ‘se encaixarem’ nesta passagem do Servo. Mas em sua conclusão Isaías desfia estes críticos. A conclusão não é uma predição da crucificação e ressurreição como tal, mas do impacto da morte muitos anos após ela. E o que Isaías prediz? Este Servo, ainda que ele morra como um criminoso, estará um dia entre os ‘grandes’. Os escritores do evangelho não poderia fazer esta parte ‘se encaixar’ nas narrativas do evangelho, pois os evangelhos só foram escritos poucas décadas após a crucificação de Jesus – quando o impacto da morte de Jesus ainda estava em dúvida. Aos olhos do mundo, Jesus ainda era o líder executado de uma seita rejeitada  quando os evangelhos foram escritos.

Estamos hoje 2000 anos mais tarde e vemos o impacto desta morte e percebemos como através da história isto lhe tem tornado ‘grande’. Os escritores do evangelho não poderiam ter previsto isso. Mas Isaías previu. O Servo, também conhecido como o Ramo, através de seu sacrifício voluntário, começaria a atrair as pessoas a ele – para até mesmo o adorarem – assim como Jesus predisse quando ele chamou a si mesmo de o ‘o Filho do Homem’ em seu julgamento diante do sinédrio.

O Ramo: Nomeado centenas de anos antes de seu nascimento

Vimos como Isaías utilizou a imagem do Ramo. Um ‘ele’ da dinastia caída de Davi, detentor de sabedoria e pode estava por vir. Jeremias veio em seguida afirmando que este Ramo seria o Senhor (o nome do Antigo Testamento para o próprio Deus).

Zacarias continua O Ramo

Zacarias retornou após o exílio babilônico para reconstruir o Templo
Zacarias retornou após o exílio babilônico para reconstruir o Templo

O profeta Zacarias viveu em 520 A.C., logo após o povo judeu ter retornado a Jerusalém de seu primeiro exílio na Babilônia. Naquela época o povo judeu estava reconstruindo seu templo destruído. O sumo-sacerdote da época era um homem chamado Josué e ele estava reiniciando a obra dos sacerdotes. Zacarias, o profeta, estava fazendo uma parceria com o seu colega Josué, o sumo-sacerdote, ao conduzir o povo judeu. Eis aqui o que Deus – através de Zacarias – disse acerca deste Josué:

 “Ouçam bem, sumo sacerdote Josué e seus companheiros sentados diante de você, homens que prefiguram coisas que virão: Vou trazer o meu servo, o Ramo (…) e removerei o pecado desta terra num único dia”. (Zacarias 3:8-9)

O Ramo! Iniciado por Isaías 200 anos antes, continuado por Jeremias 60 anos antes, Zacarias prossegue com ‘O Ramo’. Aqui o Ramo também é chamado de ‘meu servo’. De certa maneira o sumo-sacerdote Josué em Jerusalém em 520 A.C., colega de Zacarias, era um símbolo deste ramo por vir. Mas como? O texto diz que em ‘um único dia’ os pecados serão removidos pelo Senhor. Como isto aconteceria?

O Ramo: Unindo Sacerdote e Rei

Zacarias explica mais tarde. Para entender nós precisamos saber que os papeis do Sacerdote e  Rei eram estritamente separados no Antigo Testamento. Nenhum dos reis davídicos poderiam ser sacerdotes, e os sacerdotes não poderiam ser reis. O papel do sacerdote era mediar entre Deus e o homem através da oferta de sacrifícios de animais a Deus para expiar os pecados, e o trabalho do Rei era governar com justiça a partir do trono. Ambos eram cruciais, ambos eram distintos. Contudo, Zacarias escreveu que no futuro:

E o Senhor me ordenou: “(…) Pegue a prata e o ouro, faça uma coroa, e coloque-a na cabeça do sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Diga-lhe que assim diz o Senhor dos Exércitos: ‘Aqui está o homem cujo nome é Ramo, e ele sairá do seu lugar e construirá o templo do Senhor. Ele construirá o templo do Senhor, será revestido de majestade e se assentará em seu trono para governar. E ele será sacerdote no trono. E haverá harmonia entre os dois’”. (Zacarias 6:9-13)

Aqui, contra todas as regras previas, o sumo-sacerdote na época de Zacarias (Josué) deve colocar a coroa simbolicamente como o Ramo. Lembre-se de que Josué ‘prefigurava (era símbolo de) as coisas que virão’. Josué, o sumo-sacerdote, ao colocar a coroa real, previa um futuro unindo o Rei e Sacerdote em uma pessoa – um sacerdote no trono do Rei. Ademais, Zacarias escreveu que ‘Josué’ era o nome do Ramo. O que ele quis dizer?

O nome ‘Josué’ é o nome ‘Jesus’

Para entender precisamos rever a história da tradução do Antigo Testamento. O Antigo Testamento original, em hebraico, foi traduzido para o grego em 250 A.C., conhecido como a Septuaginta ou LXX (70). Ainda amplamente utilizada, nós vimos como ‘Cristo’ foi primeiramente utilizado na LXX e seguimos aquela analise para ‘Josué’.

'Josué' = 'Jesus'. Ambos vêm do nome hebraico 'Yhowshuwa'
‘Josué’ = ‘Jesus’. Ambos vêm do nome hebraico ‘Yhowshuwa’

Como pode ver na figura, Josué eh uma transliteração para o português do nome hebraico original Yhowshuwa’. O quadrante #1 mostra como Zacarias escreveu ‘Josué’ em 520 AEC em hebraico. O nome é transliterado ‘Josué’ em português (#1=> #3). Yhowshuwa’ em hebraico é o mesmo que Josué em português. Quando a Septuaginta foi traduzida do hebraico para o grego em 250 A.E.C. Yhowshuwa foi transliterado para Iesous (#1 => #2). ‘Yhowshuwa’ em hebraico é o mesmo que Iesous no grego. Quando o grego é traduzido para o português, Iesous é transliterado para ‘Jesus’ (#2 => #3).  Iesous no grego é o mesmo que Jesus no português.

Jesus era chamado Yhowshuwa em língua falada em hebraico, mas no Novo Testamento em grego seu nome era escrito ‘Iesous’ – idêntico a como a Septuaginta grega escrevia seu nome. Quando o Novo Testamento é traduzido do grego para o inglês (#2 => #3) ‘Iesous’ é transliterado ao familiar nome ‘Jesus’. Portanto, o nome ‘Jesus’ = ‘Josué’, com ‘Jesus’ vindo através de um passo intermediário em grego, e ‘Josué’ vindo diretamente do hebraico. Tanto Jesus de Nazaré quanto Josué, o sumo-sacerdote de 520 A.E.C. tinham o mesmo nome, sendo chamados ‘Yhowshuwa’ em sua língua nativa hebraica. Em grego, ambos eram chamados ‘Iesous’.

Jesus de Nazaré é o Ramo

Agora a profecia de Zacarias faz sentido. Esta é uma predição feita em 520 A.E.C. que o nome da Ramo por vir seria ‘Jesus’, apontando diretamente para Jesus de Nazaré.

Este Jesus por vir, de acordo com Zacarias, uniria os papeis de Rei e Sacerdote. O que os sacerdotes faziam? Em nome do povo eles ofereciam sacrifícios a Deus para expiar os pecados. O sacerdote cobria os pecados do povo pelo sacrifício. Semelhantemente, o Ramo vindouro ‘Jesus’ iria oferecer um sacrifício de maneira que o Senhor ‘removerá o pecado desta terra em um único dia’ – o dia que Jesus ofereceu a si mesmo como sacrifício.

Jesus de Nazaré é bem conhecido fora dos evangelhos. O Talmude judaico, Josefo e todos outros escritores históricos sobre Jesus, tanto amigos quanto inimigos, sempre se referiram a ele como Jesus’ ou ‘Cristo’, então seu nome não foi inventado nos evangelhos. Mas Zacarias predisse seu nome 500 anos antes dele ter vivido.

Jesus vem ‘do tronco de Jessé’ uma vez que tanto Jessé quanto Davi foram seus ancestrais. Jesus possuía sabedoria e entendimento em um nível que o coloca em separado dos demais. Sua perspicácia, postura e discernimento continuam a impressionar tanto críticos quanto seguidores. Seu poder através dos milagres nos evangelhos é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles, mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de possuir sabedoria excepcional e poder que Isaías predisse que um diria viria deste Ramo.

Agora pense na vida de Jesus de Nazaré. Ele certamente reivindicou ser rei – o Rei, na verdade. Isto é o que ‘Cristo’ significa. Mas o que ele fez enquanto esteve na terra foi na verdade sacerdotal. A tarefa do sacerdote era oferecer sacrifícios aceitáveis em prol do povo judeu. A morte de Jesus foi importante no sentido que ela também foi uma oferta a Deus, em nosso lugar. Sua morte expia o pecado e a culpa de qualquer pessoa, não apenas do judeu. Os pecados da terra foram literalmente removidos ‘em um único dia’ conforme Zacarias havia predito – o dia que Jesus morrer e pagou por todos os pecados. Em sua morte ele cumpriu todas as exigências como Sacerdote, ainda que ele seja mais conhecido como ‘O Cristo’ ou o Rei. Ele realmente uniu os dois papéis. O Ramo, aquele que Davi ha muito tempo chamou de ‘Cristo’, é o Rei-Sacerdote. E seu nome foi previsto por Zacarias 500 anos antes de seu nascimento.

O Sinal do Ramo: O Velho Tronco Renasce

Jesus teve críticos que questionavam sua autoridade. Ele os responderia ao apontar para os profetas que vieram antes, alegando que eles previram sua vida. Eis aqui um exemplo onde Jesus disse a eles:

… E são as Escrituras que testemunham a meu respeito… (João 5:39)

Em outras palavras, Jesus reivindicava que profetizaram acerca dele no Antigo Testamento, que lhe precedeu por centenas de anos. Os profetas do Antigo Testamento reivindicavam que Deus havia inspirado seus escritos. Uma vez que homem algum pode prever com certeza centenas de anos no futuro, Jesus disse que esta uma prova a ser averiguada caso ele realmente tivesse vindo ou não como plano de Deus. É um teste para ver se Deus existe e se Ele fala. O Antigo Testamento está disponível para nós a fim que nós mesmos possamos examinar e refletir sobre esta mesma pergunta.

Primeiro vamos fazer uma revisão. A vinda de Jesus foi aludida bem no início do Antigo Testamento. Então vimos que o sacrifício de Abraão previu o local onde Jesus seria sacrificado ao passo que a Páscoa previu o dia no ano que ela ocorreria.  Vimos que o Salmo 2 foi onde o título ‘Cristo’ foi utilizado para prever o Rei que viria. Mas não termina aí. Muito mais foi escrito olhando para o futuro utilizando outros títulos e temas. Isaías (750 A.C.) começou um tema que livros posteriores do Antigo Testamento desenvolveram – o tema do Ramo por vir.

Isaías e o Ramo

A figura abaixo mostra Isaías em uma linha do tempo histórica com alguns dos escritores do Antigo Testamento.

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Você verá a partir da linha do tempo histórica que o livro de Isaías foi escrito no período da dinastia real de Davi (1000 – 600 A.C.). Naquela época (cerca de 750 A.C.) a dinastia e o reino eram corruptos. Isaías rogou que os reis retornassem à Deus e à pratica e espirito da lei mosaica. Mas Isaías sabia que Israel não se arrependeria e então ele profetizou que a nação seria destruída e a dinastia real terminaria.

A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore
A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore

Ele utilizava uma metáfora, ou uma imagem, para a dinastia real, apresentando-a como uma grande árvore. Esta árvore tinha sua raiz Jessé, o pai de Davi. Sobre Jessé a dinastia foi iniciada com Davi, e a partir de seu sucessor, Salomão, a árvore continuou a crescer e a se desenvolver.

 

Primeiro uma árvore… depois um tronco… depois um ramo

Isaías escreveu que esta dinastia da ‘árvore’ em breve seria cortada, reduzindo-a a um tronco. Eis aqui como ele começou a imagem da árvore que então ele transformou em um enigma de um tronco e um ramo:

“Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um ramo. O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor”. (Isaías 11:1-2)

Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi
Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi

O corte desta ‘árvore’ se deu por volta de 150 anos após Isaías, cerca de 600 A.C., quando os Babilônios conquistaram Jerusalém e arrastaram seu povo e rei à Babilônia no exilio (o período em vermelho na linha do tempo acima). Jessé era o pai de Davi e era a raiz da dinastia de Davi. O tronco de Jessé era, portanto, uma metáfora à destruição futura da dinastia de Davi.

O Ramo: Um ‘ele’ que viria de Davi e que teria sabedoria

Ramo a partir do tronco morto de Jessé
Ramo a partir do tronco morto de Jessé

Mas esta profecia também olhava mais longe para o futuro do que apenas a destruição dos reis. Isaías predisse que embora o ‘tronco’ parecesse morto (como os troncos parecem), um dia em um futuro bem distante um futuro renovo, conhecido como o Ramo, nasceria daquele tronco, assim como ramos podem surgir de troncos. Este Ramo é mencionado como ‘ele’, então Isaías está falando sobre um homem especifico, vindo da descendência de Davi após a dinastia ter sido cortada. Este homem teria tais qualidades de sabedoria, poder e conhecimento e seria como se o Espirito de Deus estava repousando sobre ele.

Jesus… Um ‘ele’ de Davi que possuía sabedoria

Jesus se encaixa nas exigências do ‘tronco de Jessé’ que estava por vir uma vez que Jessé e Davi foram seus ancestrais. O que transforma Jesus em algum bastante incomum é a sabedoria e o entendimento que ele possuía. Sua sagacidade, equilíbrio e discernimento ao lidar com oponentes e discípulos continuam a impressionar tanto os críticos quanto os seguidores de Jesus desde aquela época. Seu poder nos evangelhos através dos milagres é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles; mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de detentor de sabedoria excepcional e poder que Isaías previu que um dia viria deste Ramo.

Jeremias e o Ramo

É como uma placa de sinalização colocada por Isaías na história. Mas não termina aí. Sua placa de sinalização é apenas uma de varias outras placas. Jeremias, vivendo aproximadamente 150 após Isaías, quando a dinastia de Davi estava sendo destruída bem diante de seus próprios olhos, escreveu:

“Dias virão”, declara o Senhor, “em que levantarei para Davi    um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O Senhor é a Nossa Justiça. (Jeremias 23:5-6)

Jeremias expande o tema do Ramo da dinastia de Davi iniciado por Isaías 150 anos atrás. O Ramo será um Rei que reina. Mas isto é exatamente o que a profecia do  Salmo 2  falava sobre o Filho de Deus/Cristo/Messias que viria. Será que o Ramo e o Filho de Deus são a mesma pessoa?

O Ramo: O Senhor nossa Retidão

Mas como este Ramo será chamado? Ele seria chamado o ‘SENHOR’ que também será ‘nossa’ (isto é – nós humanos) Retidão. Como vimos com Abraão, o problema para os humanos é que somos ‘corruptos’, e então precisamos de ‘retidão’.  Aqui, ao descrever o Ramo, vemos uma alusão que as pessoas no futuro, no tempo de Jeremias, obteriam a exigência de ‘retidão’ pelo Senhor – o próprio YHWH (YHWH ou Javé é o nome de Deus no Antigo Testamento). Mas como isto seria feito? Zacarias acrescenta mais detalhes para nós enquanto ele desenvolve mais sobre o tema do Ramo Vindouro, predizendo até mesmo o nome de Jesus – que nós analisaremos a seguir.