O Ramo: Brotando exatamente em tempo para ser… ‘Cortado’

Estamos explorando tema de o Ramo que se estende através dos escritos de vários profetas veterotestamentários. Vimos que Jeremias em 600 A.C. continuou o tema (que Isaías iniciou 150 anos mais cedo) e declarou que este Ramo seria um Rei. Em nossa postagem prévia nós vimos que Zacarias, após Jeremias, previu que este Ramo seria chamado Jesus e que acumularia os papéis de Rei e Sacerdote – algo que jamais tinha acontecido na  História de Israel.

O enigma da chegada agendada do Ungido profetizado por Daniel

Mas o assunto não termina aqui. Daniel, que viver no período entre Jeremias e Zacarias, mencionou diretamente o título de ‘Ungido’ (que vimos aqui = ‘Cristo’ ou ‘Messias), ao mesmo tempo se referindo ao tema do Ramo em um enigma fascinante que previu quando o Messias seria revelado. Por volta de 538 A.C. ele escreveu o seguinte:

Saiba e entenda que, a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:25-26)

Pelo fato de o Ungido = Cristo = Messias (ver aqui), nós sabemos que Daniel estava escrevendo acerca da vinda de Cristo. Daniel especifica um período de início (“a partir da promulgação de um decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém”) e um intervalo de período específico (“sete ‘setes’ e sessenta e duas semanas”) que culminará na revelação do Cristo (= O Ungido) que será, então, ‘cortado’. A estrutura geral desta predição parece bastante clara.  Mas nós podemos, na verdade, rastrear a revelação do Cristo? Vamos começar analisando o que iniciou o tique-taque deste relógio profético.

A Promulgação do decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém

Aproximadamente 100 anos após Daniel, Neemias era copeiro de Artaxerxes, o imperador persa. Isso significa que ele era um homem com acesso ao mais elevado poder no império persa. Naquele contexto, ele solicita um decreto real para restaurar e reconstruir Jerusalém e é atendido. Eis aqui como ele relata ter feito tal pedido:

No mês de nisã do vigésimo ano do rei Artaxerxes… respondi ao rei: Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a sua benevolência, que ele me deixe ir à cidade onde meus pais estão enterrados, em Judá, para que eu possa reconstruí-la.

A seguir acrescentei: Se for do agrado do rei, eu poderia levar cartas do rei aos governadores… o rei atendeu os meus pedidos. Com isso fui aos governadores do Trans-Eufrates e lhes entreguei as cartas do rei. Acompanhou-me uma escolta de oficiais do exército e de cavaleiros que o rei enviou comigo. (Neemias 2:1-9)

Aqui vemos um decreto real, apoiado com documentos e com o exército do Império Persa para reconstruir Jerusalém. Em razão de o Imperador Artaxerxes ser conhecido na história secular, e pelo fato deste decreto especificar o início deste período em termos de reinado de Artaxerxes (vigésimo ano do reinado no mês de nisã), nós podemos determinar quando isto se deu. Artaxerxes assumiu o trono persa imediatamente após a morte de seu pai, Xerxes, em dezembro de 465 A.C. (1) e porque este decreto foi promulgado em nisã 1 (março/abril) do vigésimo ano, isto colocaria a promulgação do decreto em 5 de março de 444 A.C (1).

Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’

Mas o que são estes ‘setes’ que Daniel está utilizando para marcar o tempo? Na Lei de Moisés havia um ciclo de sete anos por meio da qual a terra deveria descansar do cultivo de agricultura a cada sete anos. Isto foi afirmado da seguinte maneira:

Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. (Levítico 25:2-4)

O contexto da declaração de Daniel é ‘anos’, portanto, por ‘sete’ ele quer dizer ciclos de sete anos. Neste caso, os Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’ podem ser afirmados numericamente como  (7+62) * 7 = 483 anos.

Um ano de 360 dias

O tamanho do ano complica levemente as coisas. Atualmente nós utilizamos o ano solar (=365.24219879 dias por ano) porque nós podemos medir com precisão a rotação da terra ao redor do sol. Naqueles dias era comum basear o ano a partir das rotações da lua (conforme o calendário islâmico faz até hoje) resultando em 354 dias/ano ou utilizando 12 meses de 30 dias totalizando 360 dias por ano. Em todos os casos alguns ajustes precisam ser feitos para ‘arrumar’ as diferenças nas rotações. (Em nosso calendário ocidental, com anos bissextos – 366 dias – para ajustar pelas frações do dia, com alguns anos bissextos sendo pulados). Nas civilizações antigas do Egito, Babilônia, índia e Grega um calendário de 360 dias era comum. Isto parece ser a base para estes anos em Daniel. Motivos adicionais para a utilização de um calendário de 360 dias são apresentados aqui.

A Chegada Agendada do Cristo

Munido desta informação agora é mais fácil calcular quando Cristo deveria chegar de acordo com a profecia de Daniel. 483 anos de 360 dias/ano nos dará:

483 anos * 360 dias/ano = 173. 880 dias

 Em nosso calendário moderno isso é o equivalente a 476 anos solares com 25 dias sobrando.  (173 880/365.24219879 = 476 com 25 como lembrete).

O ponto de partida para este cálculo foi o decreto de Artaxerxes promulgado no dia 5 de março de 444 A.C. Acrescente 476 anos solares  a esta data e chegaremos ao dia 5 de março do ano 33 A.D.  (Não existe ano zero, o calendário vai de 1A.C. a 1 A.D. em um ano, então, aritmeticamente é -444 + 476 +1= 33).

Se agora subtrairmos os 25 anos restantes e acrescentarmos a 5 de março do ano 33 A.D., chegamos a 30 de março de 33 A.D., ilustrado na linha do tempo abaixo. Ou, conforme Hoehner (cujo cálculo eu estou seguindo) afirma:

“Ao acrescentarmos 25 dias a 5 de março (444 A.C.) chegamos a 30 de março (33 A.D.), que era nisã 10. Este foi o dia da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém…“ Hoehner, Chronological Aspects of the Life of Christ Part VI, pg. 16 1977.

A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus
A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus

A Entrada Triunfante de Jesus – Aquele Dia

Este é o  Domingo de Ramos, o exato dia que nos lembramos da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. Com as suposições que fizemos acima e utilizando matemática básica, descobrimos que o enigma de Daniel dos ‘setes’ cai exatamente neste dia. Este é o dia em que Jesus foi apresentado como Rei ou Cristo à nação judaica. Sabemos disto porque Zacarias (que havia profetizado o nome de Cristo) também escreveu que:

Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém!

Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. (Zacarias 9:9)

 O tão aguardado Rei seria revelado entrando em Jerusalém montado sobre um jumento com uma multidão de pessoas gritando e se alegrando. No dia da Entrada Triunfante de Jesus em Jerusalém – aquele mesmo dia previsto por Daniel neste enigma dos ‘setes’ – Jesus entra em Jerusalém montando em um jumento. Lucas registra o acontecido:

Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente e em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam:

“Bendito é o rei que vem… Paz no céu e glória nas alturas!”

Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. (Lucas 19:37-42)

Neste relato Jesus chora porque as pessoas não o reconheceram naquele mesmo dia previsto tanto por Zacarias quanto por Daniel. Mas porque elas não reconheceram aquele dia em que Cristo foi revelado, algo totalmente inesperado aconteceria. Daniel, na mesma passagem onde ele apresentou o enigma dos ‘setes’, previu que:

Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:26)

Em vez de assumir o trono para reinar, o Cristo seria ‘cortado’ e ‘nada’ teria. Ao empregar a expressão ‘cortado’ (algumas Bíblias traduzem como ‘morrerá’) Daniel se refere ao ‘Ramo’, que brota da raiz de Jessé, profetizado por Jeremias, t nome profetizado por Zacarias  e previsto tanto por Daniel quanto Zacarias. Este Ramo seria  ‘cortado’. Então a cidade (Jerusalém) seria destruída (que sucedeu em 70 A.D.). Mas como este Ramo seria ‘cortado’? Retornaremos a Isaías em nossa próxima postagem  para vermos uma vívida descrição.

 

1) A referência utilizada por todo o texto é Chronological Aspects of the Life of Christ, Part VI: Harold W. Hoehner

 

O Sinal do Ramo: O Velho Tronco Renasce

Jesus teve críticos que questionavam sua autoridade. Ele os responderia ao apontar para os profetas que vieram antes, alegando que eles previram sua vida. Eis aqui um exemplo onde Jesus disse a eles:

… E são as Escrituras que testemunham a meu respeito… (João 5:39)

Em outras palavras, Jesus reivindicava que profetizaram acerca dele no Antigo Testamento, que lhe precedeu por centenas de anos. Os profetas do Antigo Testamento reivindicavam que Deus havia inspirado seus escritos. Uma vez que homem algum pode prever com certeza centenas de anos no futuro, Jesus disse que esta uma prova a ser averiguada caso ele realmente tivesse vindo ou não como plano de Deus. É um teste para ver se Deus existe e se Ele fala. O Antigo Testamento está disponível para nós a fim que nós mesmos possamos examinar e refletir sobre esta mesma pergunta.

Primeiro vamos fazer uma revisão. A vinda de Jesus foi aludida bem no início do Antigo Testamento. Então vimos que o sacrifício de Abraão previu o local onde Jesus seria sacrificado ao passo que a Páscoa previu o dia no ano que ela ocorreria.  Vimos que o Salmo 2 foi onde o título ‘Cristo’ foi utilizado para prever o Rei que viria. Mas não termina aí. Muito mais foi escrito olhando para o futuro utilizando outros títulos e temas. Isaías (750 A.C.) começou um tema que livros posteriores do Antigo Testamento desenvolveram – o tema do Ramo por vir.

Isaías e o Ramo

A figura abaixo mostra Isaías em uma linha do tempo histórica com alguns dos escritores do Antigo Testamento.

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Você verá a partir da linha do tempo histórica que o livro de Isaías foi escrito no período da dinastia real de Davi (1000 – 600 A.C.). Naquela época (cerca de 750 A.C.) a dinastia e o reino eram corruptos. Isaías rogou que os reis retornassem à Deus e à pratica e espirito da lei mosaica. Mas Isaías sabia que Israel não se arrependeria e então ele profetizou que a nação seria destruída e a dinastia real terminaria.

A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore
A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore

Ele utilizava uma metáfora, ou uma imagem, para a dinastia real, apresentando-a como uma grande árvore. Esta árvore tinha sua raiz Jessé, o pai de Davi. Sobre Jessé a dinastia foi iniciada com Davi, e a partir de seu sucessor, Salomão, a árvore continuou a crescer e a se desenvolver.

 

Primeiro uma árvore… depois um tronco… depois um ramo

Isaías escreveu que esta dinastia da ‘árvore’ em breve seria cortada, reduzindo-a a um tronco. Eis aqui como ele começou a imagem da árvore que então ele transformou em um enigma de um tronco e um ramo:

“Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um ramo. O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor”. (Isaías 11:1-2)

Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi
Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi

O corte desta ‘árvore’ se deu por volta de 150 anos após Isaías, cerca de 600 A.C., quando os Babilônios conquistaram Jerusalém e arrastaram seu povo e rei à Babilônia no exilio (o período em vermelho na linha do tempo acima). Jessé era o pai de Davi e era a raiz da dinastia de Davi. O tronco de Jessé era, portanto, uma metáfora à destruição futura da dinastia de Davi.

O Ramo: Um ‘ele’ que viria de Davi e que teria sabedoria

Ramo a partir do tronco morto de Jessé
Ramo a partir do tronco morto de Jessé

Mas esta profecia também olhava mais longe para o futuro do que apenas a destruição dos reis. Isaías predisse que embora o ‘tronco’ parecesse morto (como os troncos parecem), um dia em um futuro bem distante um futuro renovo, conhecido como o Ramo, nasceria daquele tronco, assim como ramos podem surgir de troncos. Este Ramo é mencionado como ‘ele’, então Isaías está falando sobre um homem especifico, vindo da descendência de Davi após a dinastia ter sido cortada. Este homem teria tais qualidades de sabedoria, poder e conhecimento e seria como se o Espirito de Deus estava repousando sobre ele.

Jesus… Um ‘ele’ de Davi que possuía sabedoria

Jesus se encaixa nas exigências do ‘tronco de Jessé’ que estava por vir uma vez que Jessé e Davi foram seus ancestrais. O que transforma Jesus em algum bastante incomum é a sabedoria e o entendimento que ele possuía. Sua sagacidade, equilíbrio e discernimento ao lidar com oponentes e discípulos continuam a impressionar tanto os críticos quanto os seguidores de Jesus desde aquela época. Seu poder nos evangelhos através dos milagres é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles; mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de detentor de sabedoria excepcional e poder que Isaías previu que um dia viria deste Ramo.

Jeremias e o Ramo

É como uma placa de sinalização colocada por Isaías na história. Mas não termina aí. Sua placa de sinalização é apenas uma de varias outras placas. Jeremias, vivendo aproximadamente 150 após Isaías, quando a dinastia de Davi estava sendo destruída bem diante de seus próprios olhos, escreveu:

“Dias virão”, declara o Senhor, “em que levantarei para Davi    um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O Senhor é a Nossa Justiça. (Jeremias 23:5-6)

Jeremias expande o tema do Ramo da dinastia de Davi iniciado por Isaías 150 anos atrás. O Ramo será um Rei que reina. Mas isto é exatamente o que a profecia do  Salmo 2  falava sobre o Filho de Deus/Cristo/Messias que viria. Será que o Ramo e o Filho de Deus são a mesma pessoa?

O Ramo: O Senhor nossa Retidão

Mas como este Ramo será chamado? Ele seria chamado o ‘SENHOR’ que também será ‘nossa’ (isto é – nós humanos) Retidão. Como vimos com Abraão, o problema para os humanos é que somos ‘corruptos’, e então precisamos de ‘retidão’.  Aqui, ao descrever o Ramo, vemos uma alusão que as pessoas no futuro, no tempo de Jeremias, obteriam a exigência de ‘retidão’ pelo Senhor – o próprio YHWH (YHWH ou Javé é o nome de Deus no Antigo Testamento). Mas como isto seria feito? Zacarias acrescenta mais detalhes para nós enquanto ele desenvolve mais sobre o tema do Ramo Vindouro, predizendo até mesmo o nome de Jesus – que nós analisaremos a seguir.

 

De onde vem ‘Cristo’ em Jesus Cristo?

Eu por vezes pergunto às pessoas qual era o sobrenome de Jesus. Geralmente elas respondem: “Acho que o sobrenome dele era ‘Cristo’, mas não tenho certeza”. Então eu pergunto: “Se for assim, quando Jesus era um garotinho, o José Cristo e a Maria Cristo levavam o pequeno Jesus Cristo ao mercado?” Ouvindo desta forma, eles percebem que ‘Cristo’ não é o sobrenome de Jesus. Então, o que ‘Cristo’ significa? De onde vem este nome? Qual o significado do termo? É isto o que explorarei neste artigo.

Tradução vs. Transliteração

Primeiro precisamos saber algumas coisas básicas sobre tradução. Os tradutores às vezes escolhem traduzir pelo som semelhante no lugar do significado, em especial para nomes e títulos. Esta ação é conhecida por transliteração. Para a Bíblia, os tradutores precisaram escolher se suas palavras (em especial nomes e títulos) ficariam melhores na língua traduzida através da tradução (por significado) ou através da transliteração (pelo som). Não existe uma regra especifica.

A Septuaginta

A Bíblia foi primeiramente traduzida em 250 A.C. quando o Antigo Testamento hebraico foi traduzido para o grego. Esta tradução é a Septuaginta (ou LXX) e ela ainda é utilizada hoje em dia. Uma vez que o Novo Testamento foi escrito 300 anos mais tarde em grego, seus escritores citavam a Septuaginta grega em vez de o Antigo Testamento hebraico.

Tradução & Transliteração na Septuaginta

A figura abaixo mostra como isto afeta as Bíblias contemporâneas:

Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje
Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico – quadrante #1. As setas de  1 a #2 mostram sua tradução para o quadrante grego em 250 A.C. O Antigo Testamento estava agora em duas línguas – hebraico e grego. O Novo Testamento foi escrito em grego, então ele começou no quadrante #2.  Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estavam disponíveis em grego – a língua universal há 2000 anos.

Na parte abaixo (#3) temos uma língua moderna como o português. Geralmente, o Antigo Testamento é traduzido a partir do hebraico original (indo do #1 para o #3) e o Novo Testamento a partir do grego (#2 -> #3).

A origem de ‘Cristo’

Agora seguimos a mesma sequência, mas focando na palavra ‘Cristo’ que aparece nos Novos Testamentos em português.

De onde 'Cristo' vem na Bíblia
De onde ‘Cristo’ vem na Bíblia

A palavra hebraica no Antigo Testamento era ‘mashiyach’ que o dicionário hebraico define como uma pessoa ‘ungida ou consagrada’. Reis hebreus eram ungidos (cerimonialmente esfregados com óleo) antes que se tornassem reis, consequentemente, eles eram os ungidos ou mashiyach.  O Antigo Testamento também profetizou acerca de um mashiyach especifico. Para a Septuaginta, seus tradutores escolheram uma palavra em grego com um significado semelhante – Χριστός (cujo som se parece como Christos), que vinha de chrio, que significa esfregar cerimonialmente com óleo. Portanto, Christos foi traduzido por significado (e não transliterado por som) a partir do termo hebraico original ‘mashiyach’ na Septuaginta grega. Os escritores neotestamentários continuaram a utilizar a palavra Christos ‘ em seus escritos para identificar Jesus como o mashiyach.

Na Bíblia em português, o termo hebraico Mashiyach do Antigo Testamento é comumente traduzido como ‘o ungido’ e as vezes transliterado como o ‘Messias’. O termo Christos do Novo Testamento é transliterado como ‘Cristo’. A palavra ‘Cristo’ é muito especifica, derivada por tradução a partir do hebraico para o grego, e então transliteração do grego para o português.

Porque não vemos prontamente a palavra ‘Cristo’ no Antigo Testamento de hoje esta relação com o Antigo Testamento é difícil de ser vista. Mas a partir desta analise nós sabemos que na Bíblia o termo ‘Cristo’=’Messias’=’O Ungido’ e que este termo era um titulo específico.

O Cristo antecipado no primeiro século

Abaixo está a reação do Rei Herodes quando os sábios do Oriente vieram procurando pelo  ‘reis dos judeus’, uma parte bastante conhecida há história do natal. Observe, o artigo ‘o’ precede Cristo, ainda que ele não esteja se referindo especificamente à Jesus.

Quando o rei Herodes ouviu isto, ele ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele. Quando ele convocou topos os lideres dos sacerdotes e professores da lei, ele lhes perguntou onde o Cristo haveria de nascer. (Mateus 2:3-4)

A ideia de ‘o Cristo’ era conhecimento comum entre Herodes e seus conselheiros religiosos – mesmo antes de Jesus ter nascido – e o termo é utilizado aqui sem se referir especificamente à Jesus. Isto porque ‘Cristo’ vem do Antigo Testamento grego, que era comumente lido por judeus do primeiro século. ‘Cristo’ era (e ainda é) um titulo, não um nome. O titulo estava em existência centenas de anos antes do cristianismo.

Profecias veterotestamentárias de ‘O Cristo’

Na verdade, ‘Cristo’ é um titulo profético já nos Salmos, escritos por Davi cerca de 1000 A.C. – bem antes do nascimento de Jesus.

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu ungido (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles (…) dizendo: “Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte”. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”. (Salmos 2:2-7)

O Salmo 2 na Septuaginta seria lido da seguinte maneira (estou colocando com o Cristo transliterado para que você possa ‘ver’ o titulo de Cristo como um leitor da Septuaginta podia)

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu Cristo (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles …. (Salmos 2)

Você agora pode ‘ver’ Cristo nesta passagem como um leitor do primeiro século podia ver. Mas os Salmos continuam com mais referencias a este Cristo que estava por vir. Eu coloco a passagem lado a lado com um ‘Cristo’ transliterado para que você possa ver o título.

Salmos 132- Do hebraico Salmos 132 – Da Septuaginta
Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu ungido.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu ungido ”. Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu Cristo.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu Cristo ”.

O Salmo 132 fala no tempo verbal futuro (“… farei renascer o poder de Davi…”) como tantas muitas passagens por todo o Antigo Testamento. Não é que o Novo Testamento pega algumas ideias do Antigo Testamento e as ‘fazem’ se encaixar em Jesus. Os judeus sempre estiveram esperando pelo seu Messias (ou Cristo). O fato de que eles estão esperando ou buscando a vinda do Messias tem tudo a ver com as profecias que falam do futuro no Antigo Testamento.

As profecias do Antigo Testamento: Específicas como um sistema de uma fechadura

O fato de o Antigo Testamento especificamente predizer o futuro o transforma em literatura incomum. É como uma fechadura de uma porta. Uma fechadura tem um determinado modelo de forma que somente uma ‘chave’ especifica que combina com a fechadura pode abri-la. Da mesma maneira, o Antigo Testamento é como uma fechadura. Nós vimos isto nas postagens sobre o sacrifício de Abraão, o início de Adão, e a Páscoa de Moisés. O Salmo 132 acrescenta a exigência de que ‘o Cristo’ viria da descendência de Davi. Eis aqui uma pergunta que vale a pena ser feita: Jesus é a chave que destrava as profecias?