O Enigma da Profecia do Salmo 22

Há alguns anos um amigo e colega de trabalho, J, veio até a minha mesa. J era inteligente e educado – e definitivamente não cria no evangelho. Mas ele era, de certa forma, curioso, o que levou com que tivéssemos algumas boas e afetuosas conversas. Ele jamais havia analisado a Bíblia, portanto, eu o encorajei para que ele a investigasse.

Um dia ele veio até o meu escritório com uma Bíblia para me mostrar que ele estava dando uma olhada na Bíblia. Ele aleatoriamente abriu a Bíblia mais ou menos no meio. Eu lhe perguntei o que ele estava lendo. Nossa conversa foi algo mais ou menos assim:

“Estou lendo o salmo 22”, ele disse.

“Sério?”, eu disse. “Alguma ideia do que você está lendo?”

“Acho que estou lendo sobre a crucificação de Jesus”, J respondeu.

“Foi uma boa conjectura”, eu ri. “Mas você está adiantado cerca de mil anos. O Salmo 22 foi escrito por Davi cerca de 1000 antes de Cristo. A crucificação de Jesus se deu aproximadamente no ano 30 da Era Comum”.

Não estando familiarizado com a Bíblia, J não se deu conta de que os Salmos não eram os registros da vida de Jesus escritas por seus contemporâneos. J só havia ouvido estórias acerca de Jesus, incluindo sua crucificação, e ao abrir a Bíblia aleatoriamente e ter lido algo como aquela passagem, a partir da perspectiva dele, a passagem bíblica parecia descrever a crucificação, e sem saber mais sobre a Bíblia, ele simplesmente presumiu que era a história da crucificação. Tivemos umas boas risadas sobre seu primeiro deslize na leitura da Bíblia.

Então eu perguntei ao J o que ele viu no Salmo 22 que fez com que ele pensasse estar lendo sobre a crucificação de Jesus. Assim começou nosso pequeno estudo investigativo. Eu te convido a considerar algumas das semelhanças que J observou ao colocar as passagens lado a lado sobre a mesa. Para te auxiliar eu colori os textos que são semelhantes.

Comparação dos registros do Evangelho da Crucificação com os detalhes do Salmo 22

Detalhes da crucificação dos Evangelhos Salmo 22 – escrito 1000 AC
(Mateus 27: 31-48). ..Então o (Jesus) levaram para crucificá-lo…. 39 OS que passavam lhe lancavam insultos, balançando a cabeça 40 e dizendo: “… salve-se! Desça da cruz, se é o Filho de Deus!” 41 Ida mesma forma, os chefes dos sacerdotes,  os mestres da lei e os líderes religiosos zombavam dele. 42 “Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo! E é o rei de Israel! Desça agora da cruz, e creremos nele 43 Ele confiou em Deus. Que Deus o salve agora, se dele tem compaixão…Por volta das três da tarde Jesus bradou em alta voz…Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” …48 Imediatamente, um deles correu e, embebeu-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e deu-a a Jesus para beber.Marcos 15: 16-2016 Os soldados o levaram dentro à sala… Vestiram-no com um manto de púrpura, depois fizeram uma coroa de espinhos e a colocaram nele. 18 E começaram a saudá-lo: “Salve, rei dos judeus!” 19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara e cuspiam nele. Ajoelhavam-se e lhe prestavam adoração. 20 Depois de terem zombado e vestiram-lhe suas próprias roupas. Então o levaram para for a, a fim de crucificá-lo…37 Com um alto brado, expirou.(JOÃO 19:34) não lhe quebraram as pernas..., perfurou o lado de Jesus com uma lança, e logo saiu sangue e água.…Eles o crucificaram… (JOÃO 20:25) [Tomas] se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos ,…”…JOÃO 19:23-24 Quando os soldados crucificaram Jesus, os soldados tomaram as roupas dele e as dividiram em quatro partes, uma para cada um deles, restando a túnica…Não vamos rasga-la”, disseram eles, “Vamos tirar a sorte para ver quem fica com ela” Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! …Todos os que me veem zombam de mim; eles lançam insultos sobre mim, balançando suas cabeças “Confiou no Senhor,” que o livre; livre-o, pois nele tem prazer”.9 9 Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. 10 Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.11 Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude.12 Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam. 13 Como leão voraz rugindo, escancaram a boca contra mim. 14 Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram. O meu coração é como a cera, derreteu-se no meu íntimo 15 Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte.16 Câes me rodearam, um bando de homens maus me cercou; perfuraram minhas mãos e meus pés. 17 Posso contas todos os meus ossos; eles me encaram com desprezo. 18 Dividiram as minhas roupas entre si e tiraram sortes pelas minhas vestes.

O fato de que J fez uma conclusão lógica, embora equivocada, de que o salmo 22 era uma testemunha ocular da crucificação na Sexta-Feira Santa deve nos levar a fazer uma pergunta. Como explicamos a similaridade entre os registros do evangelho e os registros do Salmo 22? Seria isto uma coincidência do acaso que os detalhes podem ser tão precisamente idênticos ao ponto de incluir que TANTO as roupas seriam divididas (as roupas com costuras eram divididas nas costuras e repartidas entre os soldados) QUANTO lançar sortes (a vestimenta sem costura seria arruinada caso fosse rasgada, de sorte que eles lançaram sortes para ver quem ficaria com ela). O salmo 22 foi escrito antes que a crucificação tivesse sido inventada, mas ele ainda assim a descreve em seus vários detalhes (o perfurar das mãos e pés, ossos sendo desconjuntados – pelo fato de a vítima ser esticada enquanto fica pendurada). Ademais, o evangelho de João declara que sangue e água fluíram quando a lança perfurou o lado de Jesus, indicando um acúmulo de fluído na cavidade do pericárdio ao redor do coração. Jesus, portanto, morreu de ataque cardíaco. Isto se coaduna com a descrição do Salmo 22 de que ‘meu coração se tornou como cera’. A palavra hebraica no v. 16 de Salmo 22, que é traduzida por ‘perfurar’ literalmente significa ‘como um leão’. Em outras palavras as mãos e pés foram mutilados e destroçados no momento que foram perfurados. Portanto, o que fazemos com tudo isso?

Jesus, através da pena dos escritores do Evangelho, argumentou que estas semelhanças foram proféticas. Deus inspirou profetas veterotestamentários centenas de anos antes da vida de Jesus para prever os detalhes de sua vida e morte de maneira que nós possamos saber que tudo isto estava nos planos de Deus. O cumprimento profético seria como ter uma assinatura divina sobre estes acontecimentos da Sexta-Feira Santa uma vez que humano algum pode conhecer o futuro desta maneira. Isto seria evidência da intervenção de Deus na história.

A explicação de Bart Ehrman

Bart Ehrman, erudito bíblico bastante conhecido e critico do Evangelho, contesta dizendo que as credenciais proféticas do Salmo 22 estão erradas porque todo o ponto da história do Evangelho era a que de que o ‘Messias’ ou ‘Cristo’ era aquele que deveria ser sacrificado e o Salmo 22 nada diz da vítima ser o ‘Messias’. Conforme ele afirma:

“Mas o que fazer com o fato de que não havia profecias judaicas de que o Messias sofreria e morreria?” (Bart Ehrman, Jesus Interrupted. p. 234)

Mas isto suscita outra questão. Não é que só existe uma profecia (como a do Salmo 22) que Jesus iria cumprir, mas existem inúmeras delas. Todas elas são predições escritas por diferentes autores em diferentes períodos da história e a partir de camadas sociais diferentes por todo o período do Antigo Testamento – e elas são verificáveis uma vez que podemos averiguar se tais profecias aconteceram ou não. Logo, para aceitar o desafio de Ehrman, Daniel, vivendo no exílio na Babilônia por volta de 550 AC teve uma visão na qual lhe foi dito o seguinte enigma profético:

Depois de ser dada a ordem para reconstruir Jerusalém, sete anos vezes sete vão passar até que chegue o líder escolhido por Deus. As novas ruas e muralhas de Jerusalém durarão sessenta e dois anos vezes sete, mas será um tempo de muito sofrimento. No fim desse tempo, o líder escolhido por Deus será morto injustamente. (Daniel 9:25-26)

Hmm. Meu profundo respeito ao estudioso do Novo Testamento, mas ele deixou passar isto acerca do Antigo Testamento. Aqui, exatamente conforme ele desafiou, há uma profecia de que ‘O Ungido’ (= Cristo = Messias) seria ‘cortado’. O The tempo disto e os detalhes do ‘corte’, que previram o significado da morte de Jesus, completamente refutam a reivindicação de Ehrman de que não existe profecia no Antigo Testamento de que o ‘Cristo’ sofreria e morreria.

A explicação de Spong

Outros, como Shelby Spong, defendem que os acontecimentos da crucificação na Sexta-Feira Santa se deram simplesmente pelo fato de que os escritores do Evangelho fizeram com que os acontecimentos ‘se encaixassem’ na profecia. Ele tem uma análise detalhada, versículo a versículo, mostrando as semelhanças entre o Salmo 22 e a crucificação de Jesus nos Evangelhos. No mínimo, a teoria de Sponge significa que ele pensa que as similaridades exigem uma explicação. Mas sua explicação totalmente ignora o testemunho dos historiadores daquela época fora da Bíblia. Josefo e Tácito respectivamente nos dizem que:

“Nessa época houve um sábio… Jesus… bom, e…virtuoso. E muitas pessoas dentre os judeus e outras nações se tornaram seus discípulos. Pilatos o condenou para que fosse morto por crucificação” (Josefo. 90AD. Antiquities xviii. 33.  Josefo foi um historiador judeu)

“Cristus, o fundador do nome, foi posto a morte por Poncio Pilatos, procurador da Judeia no reino de Tibério” (Tácito. 117 AD. Annals XV. 44.  Tácito foi um historiador romano)

O testemunho deles concorda em termos amplos com os evangelhos de que Jesus foi cruficado. Isto é importante porque muitos dos detalhes no Salmo 22 são simplesmente particularidades do ato de ser crucificado. Se os escritores dos evangelhos fossem inventar ou grosseiramente distorcer os eventos reais para fazê-los ‘se encaixar’ no Salmo 22 então eles teriam basicamente que inventar todo o processo de crucificação. Contudo, ninguém daquela época negou sua crucificação, e o historiador judeu Josefo explicitamente afirma que foi desta maneira que ele foi executado.

Salmo 22 e o legado de Jesus

Mas o Salmo 22 não termina no v. 18 conforme na tabela acima – ele continua. Observe aqui como o modo se torna triunfante no final – após a pessoa ter morrido!

Todas as nações lembrarão de Deus, o Senhor, todos os povos da terra se voltarão para ele, e todas as raças o adorarão.

Pois o Senhor é Rei e governa as nações. Todos os orgulhosos se curvarão na sua presença, e o adorarão todos os mortais, todos os que um dia vão morrer.

As pessoas dos tempos futuros o servirão e falarão às gerações seguintes a respeito de Deus, o Senhor.

Os que ainda não nasceram ouvirão falar do que ele fez: “Deus salvou o seu povo!” (Salmo 22:27-31)

Observe que a passagem não está falando de forma alguma dos detalhes dos acontecimentos da morte dessa pessoa. Aqueles detalhes foram tratados na primeira seção do Salmo. O salmista está agora lidando com o impacto da morte desta pessoa sobre a ‘posteridade’ e ‘gerações futuras’ (v.30).  A quem isto se refere? A nós, vivendo 2000 anos após a crucificação. O salmista nos conta que a ‘posteridade’ que segue este homem ‘perfurado’ que padeceu uma morte horrível lhe‘ servirá’ e ‘ouvirá acerca dele’.  O versículo 27 prediz o escopo geográfico do impacto – ‘os limites da terra’ se lembrarão e os fará com que ‘se convertam ao Senhor’. O versículo 29 prediz que ‘todos os que morrem’ (uma vez que todos morrem e isso significa todos nós) irão um dia se prostrar diante dele.   A retidão deste homem será proclamada às pessoas que não estavam vivas (os ‘ainda não nascidos’) na época de sua morte.

Alguém não poderia fazer uma predição melhor deste legado subsequente da morte de Jesus do que a conclusão do Salmo 22 faz. Dois mil anos após Jesus, em meio às comemorações anuais globais da Sexta-Feira Santa, elas ressaltam o impacto mundial da morte de Jesus, cumprindo a conclusão do Salmo 22 como precisamente os versículos anteriores predisseram os detalhes de sua morte. Quem mais na história do mundo pode reivindicar tanto os detalhes de sua morte como também o legado de sua vida por um período tão longo no futuro, com cerca de mil anos antes de a pessoa ter vivido?

A conclusão do Salmo 22 não tem nada a ver com o fato de se os registros do evangelho copiaram informações dessa passagem ou inventaram os acontecimentos da crucificação pois ela agora está lidando com acontecimentos muito posteriores – aqueles acontecimentos de nossa época. Os escritores dos evangelhos, vivendo no primeiro século, não poderiam ‘inventar’ o impacto da morte de Jesus em nosso tempo. Eles não sabiam qual seria este impacto. Como Sponge incorpora este fato em sua explicação? Ele não incorpora. Ele ignora esta parte futura do Salmo 22.

Talvez, como o meu amigo J, você aproveitará a oportunidade para considerar o Salmo 22 à luz da crucificação de Jesus. Isto exigirá certo esforço mental. Mas não permita que isto te pare. A recompensa vale o custo porque o homem a quem o Salmo 22 se refere prometeu o seguinte:

… eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa. (João 10:10)

Isto certamente tornará os feriados da Páscoa em algo realmente gratificante. Eis aqui o Salmo 22 completo, e o registro da crucificação de acordo com Mateus, Marcos, Lucas e John.  Que você possa experimentar algumas destas bênçãos não apenas na Sexta-Feira Santa, mas em todos os dias do ano também.

 

 

O Ramo: Brotando exatamente em tempo para ser… ‘Cortado’

Estamos explorando tema de o Ramo que se estende através dos escritos de vários profetas veterotestamentários. Vimos que Jeremias em 600 A.C. continuou o tema (que Isaías iniciou 150 anos mais cedo) e declarou que este Ramo seria um Rei. Em nossa postagem prévia nós vimos que Zacarias, após Jeremias, previu que este Ramo seria chamado Jesus e que acumularia os papéis de Rei e Sacerdote – algo que jamais tinha acontecido na  História de Israel.

O enigma da chegada agendada do Ungido profetizado por Daniel

Mas o assunto não termina aqui. Daniel, que viver no período entre Jeremias e Zacarias, mencionou diretamente o título de ‘Ungido’ (que vimos aqui = ‘Cristo’ ou ‘Messias), ao mesmo tempo se referindo ao tema do Ramo em um enigma fascinante que previu quando o Messias seria revelado. Por volta de 538 A.C. ele escreveu o seguinte:

Saiba e entenda que, a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:25-26)

Pelo fato de o Ungido = Cristo = Messias (ver aqui), nós sabemos que Daniel estava escrevendo acerca da vinda de Cristo. Daniel especifica um período de início (“a partir da promulgação de um decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém”) e um intervalo de período específico (“sete ‘setes’ e sessenta e duas semanas”) que culminará na revelação do Cristo (= O Ungido) que será, então, ‘cortado’. A estrutura geral desta predição parece bastante clara.  Mas nós podemos, na verdade, rastrear a revelação do Cristo? Vamos começar analisando o que iniciou o tique-taque deste relógio profético.

A Promulgação do decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém

Aproximadamente 100 anos após Daniel, Neemias era copeiro de Artaxerxes, o imperador persa. Isso significa que ele era um homem com acesso ao mais elevado poder no império persa. Naquele contexto, ele solicita um decreto real para restaurar e reconstruir Jerusalém e é atendido. Eis aqui como ele relata ter feito tal pedido:

No mês de nisã do vigésimo ano do rei Artaxerxes… respondi ao rei: Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a sua benevolência, que ele me deixe ir à cidade onde meus pais estão enterrados, em Judá, para que eu possa reconstruí-la.

A seguir acrescentei: Se for do agrado do rei, eu poderia levar cartas do rei aos governadores… o rei atendeu os meus pedidos. Com isso fui aos governadores do Trans-Eufrates e lhes entreguei as cartas do rei. Acompanhou-me uma escolta de oficiais do exército e de cavaleiros que o rei enviou comigo. (Neemias 2:1-9)

Aqui vemos um decreto real, apoiado com documentos e com o exército do Império Persa para reconstruir Jerusalém. Em razão de o Imperador Artaxerxes ser conhecido na história secular, e pelo fato deste decreto especificar o início deste período em termos de reinado de Artaxerxes (vigésimo ano do reinado no mês de nisã), nós podemos determinar quando isto se deu. Artaxerxes assumiu o trono persa imediatamente após a morte de seu pai, Xerxes, em dezembro de 465 A.C. (1) e porque este decreto foi promulgado em nisã 1 (março/abril) do vigésimo ano, isto colocaria a promulgação do decreto em 5 de março de 444 A.C (1).

Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’

Mas o que são estes ‘setes’ que Daniel está utilizando para marcar o tempo? Na Lei de Moisés havia um ciclo de sete anos por meio da qual a terra deveria descansar do cultivo de agricultura a cada sete anos. Isto foi afirmado da seguinte maneira:

Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. (Levítico 25:2-4)

O contexto da declaração de Daniel é ‘anos’, portanto, por ‘sete’ ele quer dizer ciclos de sete anos. Neste caso, os Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’ podem ser afirmados numericamente como  (7+62) * 7 = 483 anos.

Um ano de 360 dias

O tamanho do ano complica levemente as coisas. Atualmente nós utilizamos o ano solar (=365.24219879 dias por ano) porque nós podemos medir com precisão a rotação da terra ao redor do sol. Naqueles dias era comum basear o ano a partir das rotações da lua (conforme o calendário islâmico faz até hoje) resultando em 354 dias/ano ou utilizando 12 meses de 30 dias totalizando 360 dias por ano. Em todos os casos alguns ajustes precisam ser feitos para ‘arrumar’ as diferenças nas rotações. (Em nosso calendário ocidental, com anos bissextos – 366 dias – para ajustar pelas frações do dia, com alguns anos bissextos sendo pulados). Nas civilizações antigas do Egito, Babilônia, índia e Grega um calendário de 360 dias era comum. Isto parece ser a base para estes anos em Daniel. Motivos adicionais para a utilização de um calendário de 360 dias são apresentados aqui.

A Chegada Agendada do Cristo

Munido desta informação agora é mais fácil calcular quando Cristo deveria chegar de acordo com a profecia de Daniel. 483 anos de 360 dias/ano nos dará:

483 anos * 360 dias/ano = 173. 880 dias

 Em nosso calendário moderno isso é o equivalente a 476 anos solares com 25 dias sobrando.  (173 880/365.24219879 = 476 com 25 como lembrete).

O ponto de partida para este cálculo foi o decreto de Artaxerxes promulgado no dia 5 de março de 444 A.C. Acrescente 476 anos solares  a esta data e chegaremos ao dia 5 de março do ano 33 A.D.  (Não existe ano zero, o calendário vai de 1A.C. a 1 A.D. em um ano, então, aritmeticamente é -444 + 476 +1= 33).

Se agora subtrairmos os 25 anos restantes e acrescentarmos a 5 de março do ano 33 A.D., chegamos a 30 de março de 33 A.D., ilustrado na linha do tempo abaixo. Ou, conforme Hoehner (cujo cálculo eu estou seguindo) afirma:

“Ao acrescentarmos 25 dias a 5 de março (444 A.C.) chegamos a 30 de março (33 A.D.), que era nisã 10. Este foi o dia da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém…“ Hoehner, Chronological Aspects of the Life of Christ Part VI, pg. 16 1977.

A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus
A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus

A Entrada Triunfante de Jesus – Aquele Dia

Este é o  Domingo de Ramos, o exato dia que nos lembramos da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. Com as suposições que fizemos acima e utilizando matemática básica, descobrimos que o enigma de Daniel dos ‘setes’ cai exatamente neste dia. Este é o dia em que Jesus foi apresentado como Rei ou Cristo à nação judaica. Sabemos disto porque Zacarias (que havia profetizado o nome de Cristo) também escreveu que:

Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém!

Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. (Zacarias 9:9)

 O tão aguardado Rei seria revelado entrando em Jerusalém montado sobre um jumento com uma multidão de pessoas gritando e se alegrando. No dia da Entrada Triunfante de Jesus em Jerusalém – aquele mesmo dia previsto por Daniel neste enigma dos ‘setes’ – Jesus entra em Jerusalém montando em um jumento. Lucas registra o acontecido:

Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente e em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam:

“Bendito é o rei que vem… Paz no céu e glória nas alturas!”

Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. (Lucas 19:37-42)

Neste relato Jesus chora porque as pessoas não o reconheceram naquele mesmo dia previsto tanto por Zacarias quanto por Daniel. Mas porque elas não reconheceram aquele dia em que Cristo foi revelado, algo totalmente inesperado aconteceria. Daniel, na mesma passagem onde ele apresentou o enigma dos ‘setes’, previu que:

Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:26)

Em vez de assumir o trono para reinar, o Cristo seria ‘cortado’ e ‘nada’ teria. Ao empregar a expressão ‘cortado’ (algumas Bíblias traduzem como ‘morrerá’) Daniel se refere ao ‘Ramo’, que brota da raiz de Jessé, profetizado por Jeremias, t nome profetizado por Zacarias  e previsto tanto por Daniel quanto Zacarias. Este Ramo seria  ‘cortado’. Então a cidade (Jerusalém) seria destruída (que sucedeu em 70 A.D.). Mas como este Ramo seria ‘cortado’? Retornaremos a Isaías em nossa próxima postagem  para vermos uma vívida descrição.

 

1) A referência utilizada por todo o texto é Chronological Aspects of the Life of Christ, Part VI: Harold W. Hoehner

 

O Sinal do Ramo: O Velho Tronco Renasce

Jesus teve críticos que questionavam sua autoridade. Ele os responderia ao apontar para os profetas que vieram antes, alegando que eles previram sua vida. Eis aqui um exemplo onde Jesus disse a eles:

… E são as Escrituras que testemunham a meu respeito… (João 5:39)

Em outras palavras, Jesus reivindicava que profetizaram acerca dele no Antigo Testamento, que lhe precedeu por centenas de anos. Os profetas do Antigo Testamento reivindicavam que Deus havia inspirado seus escritos. Uma vez que homem algum pode prever com certeza centenas de anos no futuro, Jesus disse que esta uma prova a ser averiguada caso ele realmente tivesse vindo ou não como plano de Deus. É um teste para ver se Deus existe e se Ele fala. O Antigo Testamento está disponível para nós a fim que nós mesmos possamos examinar e refletir sobre esta mesma pergunta.

Primeiro vamos fazer uma revisão. A vinda de Jesus foi aludida bem no início do Antigo Testamento. Então vimos que o sacrifício de Abraão previu o local onde Jesus seria sacrificado ao passo que a Páscoa previu o dia no ano que ela ocorreria.  Vimos que o Salmo 2 foi onde o título ‘Cristo’ foi utilizado para prever o Rei que viria. Mas não termina aí. Muito mais foi escrito olhando para o futuro utilizando outros títulos e temas. Isaías (750 A.C.) começou um tema que livros posteriores do Antigo Testamento desenvolveram – o tema do Ramo por vir.

Isaías e o Ramo

A figura abaixo mostra Isaías em uma linha do tempo histórica com alguns dos escritores do Antigo Testamento.

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Você verá a partir da linha do tempo histórica que o livro de Isaías foi escrito no período da dinastia real de Davi (1000 – 600 A.C.). Naquela época (cerca de 750 A.C.) a dinastia e o reino eram corruptos. Isaías rogou que os reis retornassem à Deus e à pratica e espirito da lei mosaica. Mas Isaías sabia que Israel não se arrependeria e então ele profetizou que a nação seria destruída e a dinastia real terminaria.

A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore
A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore

Ele utilizava uma metáfora, ou uma imagem, para a dinastia real, apresentando-a como uma grande árvore. Esta árvore tinha sua raiz Jessé, o pai de Davi. Sobre Jessé a dinastia foi iniciada com Davi, e a partir de seu sucessor, Salomão, a árvore continuou a crescer e a se desenvolver.

 

Primeiro uma árvore… depois um tronco… depois um ramo

Isaías escreveu que esta dinastia da ‘árvore’ em breve seria cortada, reduzindo-a a um tronco. Eis aqui como ele começou a imagem da árvore que então ele transformou em um enigma de um tronco e um ramo:

“Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um ramo. O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor”. (Isaías 11:1-2)

Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi
Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi

O corte desta ‘árvore’ se deu por volta de 150 anos após Isaías, cerca de 600 A.C., quando os Babilônios conquistaram Jerusalém e arrastaram seu povo e rei à Babilônia no exilio (o período em vermelho na linha do tempo acima). Jessé era o pai de Davi e era a raiz da dinastia de Davi. O tronco de Jessé era, portanto, uma metáfora à destruição futura da dinastia de Davi.

O Ramo: Um ‘ele’ que viria de Davi e que teria sabedoria

Ramo a partir do tronco morto de Jessé
Ramo a partir do tronco morto de Jessé

Mas esta profecia também olhava mais longe para o futuro do que apenas a destruição dos reis. Isaías predisse que embora o ‘tronco’ parecesse morto (como os troncos parecem), um dia em um futuro bem distante um futuro renovo, conhecido como o Ramo, nasceria daquele tronco, assim como ramos podem surgir de troncos. Este Ramo é mencionado como ‘ele’, então Isaías está falando sobre um homem especifico, vindo da descendência de Davi após a dinastia ter sido cortada. Este homem teria tais qualidades de sabedoria, poder e conhecimento e seria como se o Espirito de Deus estava repousando sobre ele.

Jesus… Um ‘ele’ de Davi que possuía sabedoria

Jesus se encaixa nas exigências do ‘tronco de Jessé’ que estava por vir uma vez que Jessé e Davi foram seus ancestrais. O que transforma Jesus em algum bastante incomum é a sabedoria e o entendimento que ele possuía. Sua sagacidade, equilíbrio e discernimento ao lidar com oponentes e discípulos continuam a impressionar tanto os críticos quanto os seguidores de Jesus desde aquela época. Seu poder nos evangelhos através dos milagres é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles; mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de detentor de sabedoria excepcional e poder que Isaías previu que um dia viria deste Ramo.

Jeremias e o Ramo

É como uma placa de sinalização colocada por Isaías na história. Mas não termina aí. Sua placa de sinalização é apenas uma de varias outras placas. Jeremias, vivendo aproximadamente 150 após Isaías, quando a dinastia de Davi estava sendo destruída bem diante de seus próprios olhos, escreveu:

“Dias virão”, declara o Senhor, “em que levantarei para Davi    um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O Senhor é a Nossa Justiça. (Jeremias 23:5-6)

Jeremias expande o tema do Ramo da dinastia de Davi iniciado por Isaías 150 anos atrás. O Ramo será um Rei que reina. Mas isto é exatamente o que a profecia do  Salmo 2  falava sobre o Filho de Deus/Cristo/Messias que viria. Será que o Ramo e o Filho de Deus são a mesma pessoa?

O Ramo: O Senhor nossa Retidão

Mas como este Ramo será chamado? Ele seria chamado o ‘SENHOR’ que também será ‘nossa’ (isto é – nós humanos) Retidão. Como vimos com Abraão, o problema para os humanos é que somos ‘corruptos’, e então precisamos de ‘retidão’.  Aqui, ao descrever o Ramo, vemos uma alusão que as pessoas no futuro, no tempo de Jeremias, obteriam a exigência de ‘retidão’ pelo Senhor – o próprio YHWH (YHWH ou Javé é o nome de Deus no Antigo Testamento). Mas como isto seria feito? Zacarias acrescenta mais detalhes para nós enquanto ele desenvolve mais sobre o tema do Ramo Vindouro, predizendo até mesmo o nome de Jesus – que nós analisaremos a seguir.

 

De onde vem ‘Cristo’ em Jesus Cristo?

Eu por vezes pergunto às pessoas qual era o sobrenome de Jesus. Geralmente elas respondem: “Acho que o sobrenome dele era ‘Cristo’, mas não tenho certeza”. Então eu pergunto: “Se for assim, quando Jesus era um garotinho, o José Cristo e a Maria Cristo levavam o pequeno Jesus Cristo ao mercado?” Ouvindo desta forma, eles percebem que ‘Cristo’ não é o sobrenome de Jesus. Então, o que ‘Cristo’ significa? De onde vem este nome? Qual o significado do termo? É isto o que explorarei neste artigo.

Tradução vs. Transliteração

Primeiro precisamos saber algumas coisas básicas sobre tradução. Os tradutores às vezes escolhem traduzir pelo som semelhante no lugar do significado, em especial para nomes e títulos. Esta ação é conhecida por transliteração. Para a Bíblia, os tradutores precisaram escolher se suas palavras (em especial nomes e títulos) ficariam melhores na língua traduzida através da tradução (por significado) ou através da transliteração (pelo som). Não existe uma regra especifica.

A Septuaginta

A Bíblia foi primeiramente traduzida em 250 A.C. quando o Antigo Testamento hebraico foi traduzido para o grego. Esta tradução é a Septuaginta (ou LXX) e ela ainda é utilizada hoje em dia. Uma vez que o Novo Testamento foi escrito 300 anos mais tarde em grego, seus escritores citavam a Septuaginta grega em vez de o Antigo Testamento hebraico.

Tradução & Transliteração na Septuaginta

A figura abaixo mostra como isto afeta as Bíblias contemporâneas:

Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje
Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico – quadrante #1. As setas de  1 a #2 mostram sua tradução para o quadrante grego em 250 A.C. O Antigo Testamento estava agora em duas línguas – hebraico e grego. O Novo Testamento foi escrito em grego, então ele começou no quadrante #2.  Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estavam disponíveis em grego – a língua universal há 2000 anos.

Na parte abaixo (#3) temos uma língua moderna como o português. Geralmente, o Antigo Testamento é traduzido a partir do hebraico original (indo do #1 para o #3) e o Novo Testamento a partir do grego (#2 -> #3).

A origem de ‘Cristo’

Agora seguimos a mesma sequência, mas focando na palavra ‘Cristo’ que aparece nos Novos Testamentos em português.

De onde 'Cristo' vem na Bíblia
De onde ‘Cristo’ vem na Bíblia

A palavra hebraica no Antigo Testamento era ‘mashiyach’ que o dicionário hebraico define como uma pessoa ‘ungida ou consagrada’. Reis hebreus eram ungidos (cerimonialmente esfregados com óleo) antes que se tornassem reis, consequentemente, eles eram os ungidos ou mashiyach.  O Antigo Testamento também profetizou acerca de um mashiyach especifico. Para a Septuaginta, seus tradutores escolheram uma palavra em grego com um significado semelhante – Χριστός (cujo som se parece como Christos), que vinha de chrio, que significa esfregar cerimonialmente com óleo. Portanto, Christos foi traduzido por significado (e não transliterado por som) a partir do termo hebraico original ‘mashiyach’ na Septuaginta grega. Os escritores neotestamentários continuaram a utilizar a palavra Christos ‘ em seus escritos para identificar Jesus como o mashiyach.

Na Bíblia em português, o termo hebraico Mashiyach do Antigo Testamento é comumente traduzido como ‘o ungido’ e as vezes transliterado como o ‘Messias’. O termo Christos do Novo Testamento é transliterado como ‘Cristo’. A palavra ‘Cristo’ é muito especifica, derivada por tradução a partir do hebraico para o grego, e então transliteração do grego para o português.

Porque não vemos prontamente a palavra ‘Cristo’ no Antigo Testamento de hoje esta relação com o Antigo Testamento é difícil de ser vista. Mas a partir desta analise nós sabemos que na Bíblia o termo ‘Cristo’=’Messias’=’O Ungido’ e que este termo era um titulo específico.

O Cristo antecipado no primeiro século

Abaixo está a reação do Rei Herodes quando os sábios do Oriente vieram procurando pelo  ‘reis dos judeus’, uma parte bastante conhecida há história do natal. Observe, o artigo ‘o’ precede Cristo, ainda que ele não esteja se referindo especificamente à Jesus.

Quando o rei Herodes ouviu isto, ele ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele. Quando ele convocou topos os lideres dos sacerdotes e professores da lei, ele lhes perguntou onde o Cristo haveria de nascer. (Mateus 2:3-4)

A ideia de ‘o Cristo’ era conhecimento comum entre Herodes e seus conselheiros religiosos – mesmo antes de Jesus ter nascido – e o termo é utilizado aqui sem se referir especificamente à Jesus. Isto porque ‘Cristo’ vem do Antigo Testamento grego, que era comumente lido por judeus do primeiro século. ‘Cristo’ era (e ainda é) um titulo, não um nome. O titulo estava em existência centenas de anos antes do cristianismo.

Profecias veterotestamentárias de ‘O Cristo’

Na verdade, ‘Cristo’ é um titulo profético já nos Salmos, escritos por Davi cerca de 1000 A.C. – bem antes do nascimento de Jesus.

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu ungido (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles (…) dizendo: “Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte”. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”. (Salmos 2:2-7)

O Salmo 2 na Septuaginta seria lido da seguinte maneira (estou colocando com o Cristo transliterado para que você possa ‘ver’ o titulo de Cristo como um leitor da Septuaginta podia)

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu Cristo (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles …. (Salmos 2)

Você agora pode ‘ver’ Cristo nesta passagem como um leitor do primeiro século podia ver. Mas os Salmos continuam com mais referencias a este Cristo que estava por vir. Eu coloco a passagem lado a lado com um ‘Cristo’ transliterado para que você possa ver o título.

Salmos 132- Do hebraico Salmos 132 – Da Septuaginta
Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu ungido.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu ungido ”. Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu Cristo.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu Cristo ”.

O Salmo 132 fala no tempo verbal futuro (“… farei renascer o poder de Davi…”) como tantas muitas passagens por todo o Antigo Testamento. Não é que o Novo Testamento pega algumas ideias do Antigo Testamento e as ‘fazem’ se encaixar em Jesus. Os judeus sempre estiveram esperando pelo seu Messias (ou Cristo). O fato de que eles estão esperando ou buscando a vinda do Messias tem tudo a ver com as profecias que falam do futuro no Antigo Testamento.

As profecias do Antigo Testamento: Específicas como um sistema de uma fechadura

O fato de o Antigo Testamento especificamente predizer o futuro o transforma em literatura incomum. É como uma fechadura de uma porta. Uma fechadura tem um determinado modelo de forma que somente uma ‘chave’ especifica que combina com a fechadura pode abri-la. Da mesma maneira, o Antigo Testamento é como uma fechadura. Nós vimos isto nas postagens sobre o sacrifício de Abraão, o início de Adão, e a Páscoa de Moisés. O Salmo 132 acrescenta a exigência de que ‘o Cristo’ viria da descendência de Davi. Eis aqui uma pergunta que vale a pena ser feita: Jesus é a chave que destrava as profecias?