Por que um Deus bom criou um Diabo ruim?

A Bíblia diz que foi o diabo (ou Satanás), na forma de uma serpente, que tentou Adão e Eva para pecarem e que trouxe a queda do casal.  Mas isto suscita uma pergunta importante:  Por que Deus criaria um diabo ‘ruim’ (cujo nome significa ‘adversário’) para corromper Sua boa criação?

Lúcifer – Aquele que Brilha

A Bíblia diz que Deus criou um espírito poderoso, inteligente e bonito que era o líder entre todos os anjos. Ele foi chamado Lúcifer (que significa ‘Aquele que Brilha’) – e ele era muito bom. Mas Lúcifer também tinha uma vontade com a qual ele podia escolher livremente. Uma passagem de Isaías 14 registra a escolha que ele fez.

Rei da Babilônia, brilhante estrela da manhã, você caiu lá do céu! Você, que dominava as nações, foi derrubado no chão!

Antigamente você pensava assim: “Subirei até o céu e me sentarei no meu trono, acima das estrelas de Deus. Reinarei lá longe, no Norte, no monte onde os deuses se reúnem.

Subirei acima das nuvens mais altas e serei como o Deus Altíssimo.” (Isaías 14:12-14)

Lúcifer, como Adão, tinha uma decisão a tomar. Ele poderia aceitar que Deus era Deus ou poderia decidir escolher que ele seria o deus para si mesmo. As repetidas vezes que ele disse “eu serei” mostra que ele escolheu desafiar Deus e declarar a si mesmo o ‘Altíssimo’. Uma passagem em Ezequiel mostra um registro paralelo da queda de Lúcifer: 

Você vivia no Éden, o jardim de Deus… Você vivia no meu monte santo e andava pelo meio de pedras brilhantes. A sua conduta foi perfeita desde o dia em que foi criado, até que você começou a fazer o mal. Você ficou ocupado, comprando e vendendo, e isso o levou à violência e ao pecado. Por isso, anjo protetor, eu o humilhei e expulsei do monte de Deus, do meio das pedras brilhantes. Você ficou orgulhoso por causa da sua beleza… Então eu o joguei no chão a fim de servir de aviso para outros reis. (Ezequiel 28:13-17)

A beleza, sabedoria e poder de Lúcifer – todas as coisas boas criadas nele por Deus – o levaram ao orgulho. Seu orgulho o levou à rebelião, mas ele jamais perdeu qualquer de seus poderes ou habilidades. Ele agora está liderando uma revolta cósmica contra seu Criador para ver quem será Deus. Sua estratégia é alistar a humanidade para se juntar a ele – ao tentar a humanidade para que façam a mesma escolha que ele fez – amar a si mesmos, se tornarem independentes de Deus e desafiar a Deus.  O cerne do teste da vontade de Adão foi o mesmo teste de Lúcifer; o teste apenas foi apresentado de maneira diferente. Ambos escolheram ser ‘deus’ para si mesmos.

Satanás – operando através de terceiros

A passagem de Isaías está direcionada para o ‘Rei da Babilônia’ e a passagem de Ezequiel está endereçada ao ‘Rei de Tiro’. Mas a partir das descrições dadas, fica claro que nenhum humano é endereçado. Os “eu serei” em Isaías descreve alguém que foi lançado na terra em punição por querer colocar seu trono acima do de Deus. Ezequiel trata de um ‘guardião angélico’ que outrora andava no Éden e na ‘montanha de Deus’.  Satanás (ou Lúcifer) geralmente se coloca por trás ou através de outra pessoa. Em Gênesis ele fala através da serpente. Em Isaías ele reina através do Rei da Babilônia, e em Ezequiel ele possui o Rei de Tiro.    

Por que Lúcifer se revoltou contra Deus?

Mas por que Lúcifer quer desafiar o Criador todo poderoso e todo onisciente? Parte de ser ‘inteligente’ é saber se você pode ou não derrotar seu oponente. Lúcifer pode ter poder, mas este poder ainda é insuficiente para derrotar Seu Criador. Por que perder tudo por algo que ele não pode ganhar? Penso que um anjo ‘inteligente’ teria reconhecido suas limitações contra Deus – e segurado sua revolta. Então, por que ele não fez isso? Essa é a pergunta me intrigou por anos.

Então percebi que Lúcifer só poderia acreditar que Deus era o Criador todo poderoso pela fé – e o mesmo vale para nós. A Bíblia sugere que os anjos foram criados na semana da criação. Por exemplo, uma passagem em Jó nos diz:

Então o Senhor respondeu a Jó do meio da tempestade. Disse ele: Onde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se é que você sabe tanto. Quem marcou os limites das suas dimensões? Vai ver que você sabe! E quem estendeu sobre ela a linha de medir? E as suas bases, sobre o que foram postas? E quem colocou sua pedra de esquina, enquanto as estrelas matutinas juntas cantavam e todos os anjos se regozijavam? (Jó 38:1, 4-7)

Imagine Lúcifer sendo criado e se tornando consciente na semana da criação, em algum lugar do universo. Tudo o que ele sabe é agora ele existe e está autoconsciente, e também que existe outro Ser que reivindica ter criado Lúcifer e o universo. Mas como Lúcifer sabe que esta reivindicação é verdadeira? Talvez, este assim denominado ‘criador’ veio à existência nas estrelas um pouco antes de Lúcifer ter vindo à existência. E porque este ‘criador’ chegou primeiro em cena, ele era (talvez) mais poderoso e (talvez) tinha mais conhecimento do que ele tinha – mas então, talvez esse não fosse o caso. Talvez tanto ele quanto o ‘criador’ tinham vindo à existência. Lúcifer não conseguia aceitar a Palavra de Deus à ele de que Deus o havia criado e que o próprio Deus era eterno e infinito. E em seu orgulho ele escolheu acreditar em sua fantasia.

Talvez pareça exagerado que Lúcifer tenha acreditado que tanto ele quanto Deus (e os outros anjos) tenham simplesmente vindo à existência. Mas esta é a mesma ideia básica por trás dos mais recentes pensamentos da cosmologia moderna. Houve uma flutuação do nada, e então, a partir desta flutuação o universo surgiu – esta é a existência das teorias modernas de cosmologia. Fundamentalmente, todos – de Lúcifer a Richard Dawkins & Stephen Hawkings a você & eu – devem escolher pela fé se o universo é autocontido ou foi criado e sustentado por um Deus Criador. 

Em outras palavras, ver não é acreditar. Lúcifer teria visto e conversado com Deus. Mas ele ainda teria que aceitar ‘pela fé’ que Deus o havia criado. Muitas pessoas dizem que se Deus simplesmente ‘aparecesse’ para eles, então eles acreditariam. Mas na Bíblia muitas pessoas viram e ouviram a Deus – mas ainda assim não acreditaram em Sua palavra. A questão era se eles aceitariam e confiariam em Sua Palavra acerca de Si Mesmo (Deus) e deles mesmos. Desde Adão e Eva, Caim & Abel, a Noé, aos egípcios na primeira Páscoa, à travessia feita pelos israelitas do Mar Vermelho – até mesmo aqueles que viram os milagres de Jesus – ‘ver’ nunca resulta em crer.  A queda de Lúcifer é um exemplo dessa premissa.

O que o diabo está fazendo hoje?

De acordo com a Bíblia, Deus não criou um ‘diabo ruim’, mas criou um ser angelical poderoso e inteligente. Através do orgulho ele liderou uma revolta contra Deus – e ao assim fazer ele se corrompeu enquanto ainda mantinha seu esplendor original. Você, eu e toda a humanidade nos tornamos parte do campo de batalha desta batalha entre Deus e seu ‘adversário’ (diabo). A estratégia do diabo não é andar por aí com casacos pretos como os ‘Black Riders’ no Senhor dos Anéis, que lançam maldições nas pessoas. Em vez disto, ele busca nos enganar da redenção que Deus prometeu no início do tempo, através de Abraão, através de Moisés, e então realizado na  morte e ressurreição de Jesus.  Conforme a Bíblia diz:

E isso não é de admirar, pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz. Portanto, não é nada demais que os servidores dele se disfarcem, apresentando-se como pessoas que fazem o bem. (2 Coríntios 11:14-15)

Pelo fato de que Satanás e seus servos podem se disfarçar como ‘luz’, nós somos enganados mais facilmente. Talvez seja por isso que o Evangelho sempre do lado oposto de nossos instintos e contra todas as culturas.

A Bíblia é textualmente confiável ou ela foi corrompida?

Crítica Textual e a Bíblia

Em nossa era científica e educada nós questionamos as crenças não científicas que as gerações prévias adotaram. Tal ceticismo é verdadeiro de livros religiosos, como um todo, e a Bíblia em particular. Muitos de nós questiona a confiabilidade da Bíblia. Essa dúvida se origina a partir do que sabemos sobre a Bíblia. Afinal de contas, a Bíblia foi escrita há mais de dois mil anos. Na maior parte destes milênios não existia a imprensa, máquinas de xérox ou empresas gráficas ou editoras. Logo, os manuscritos originais eram copiados manualmente, geração após geração, e ao passo em que línguas morriam e novas surgiam, ao passo que impérios mudavam e novas forças ascendiam. Uma vez que os manuscritos originais há muito se perderam, como sabemos que o que lemos hoje na Bíblia é o que os autores originais de fato escreveram? Ou será que a Bíblia foi alterada ou corrompida, talvez pelos líderes na igreja, ou padres e monges que desejavam mudar sua mensagem para que ela se adequasse a seus propósitos?

Princípios de Crítica Textual

Esta dúvida, naturalmente, é verdadeira de qualquer escrito antigo. A linha do tempo abaixo ilustra o processo pelo qual qualquer escrito antigo foi preservado no decorrer do tempo. Ela mostra um exemplo de um documento antigo escrito 500 A.C. (esta data foi escolhida aleatoriamente). Este original, contudo, não dura indefinidamente, logo, antes que ele se deteriore, seja perdido ou destruído, uma cópia do manuscrito (MSS) é feita (primeira cópia). Uma classe profissional de pessoas chamada escribas era responsável pelo trabalho de cópia. Com o passar dos anos cópias são feitas (segunda e terceira cópias). Em determinado momento uma cópia é preservada de maneira que ela está em existência até o dia de hoje (terceira cópia). Em nosso exemplo esta cópia existente foi escrita 500 A.D. Isto quer dizer que o mais cedo que podemos saber do estado do documento é apenas a partir de 500 A.D. Consequentemente, o período de 500 A.C. a 500 A.D. (rotulado x no diagrama) é o período onde não podemos fazer quaisquer verificações de cópias uma vez que todos os manuscritos desse período desapareceram.

Por exemplo, se erros de cópia (intencionais ou do contrário) foram feitos quando a segunda cópia foi feita a partir da primeira cópia, não seríamos capazes de detectar tais erros ao passo que nenhum desses documentos está disponível para que sejam comparados um com o outro. Este simples período que antecede as cópias atualmente existentes (o período x) é, portanto, o intervalo da incerteza textual. Consequentemente, um princípio utilizado lida com questões acerca da confiabilidade é analisar o período deste período de tempo. Quanto menor o intervalo (‘x’ no diagrama), maior  confiança colocamos na preservação acurada do documento em nosso período moderno, uma vez que o período de incerteza é reduzido.       

Claro, geralmente mais de uma cópia de manuscrito de um documento está em existência hoje. Suponha que tenhamos duas cópias de manuscritos e na mesma seção de cada uma delas encontramos a seguinte expressão:

O autor original ou escreveu acerca de Joan ou acerca de João, e o outro destes manuscritos contem um erro de cópia. A pergunta é: Qual cópia está errada? A partir dos manuscritos disponíveis é muito difícil determinar.

Agora, suponha que tenhamos encontrado mais cópias de manuscritos da mesma obra, conforme mostrados abaixo:

Agora é mais fácil deduzir qual manuscrito tem o erro de cópia. É mais provável que o erro tenha sido cometido uma vez, em vez de que o mesmo erro tenha se repetido três vezes, logo, é provável que MSS #2 seja a cópia que possui erros, e o autor estava escrevendo sobre Joan, não João.

Este simples exemplo ilustra um segundo princípio utilizado para verificar a integridade do manuscrito – Quanto mais manuscritos estiverem disponíveis, mais fácil é detectar e corrigir erros e de assessar o conteúdo do original.

Crítica Textual: escritos greco-romanos comparados aos escritos do Novo Testamento

Agora temos dois indicadores embasados em evidências utilizados para determinar a confiabilidade textual dos documentos antigos: 1) mensurando o tempo entre a composição original e as mais antigas cópias de manuscritos existentes, e 2) contar o número de cópias de manuscritos existentes. Uma vez que estes indicadores pertencem a qualquer escrito antigo, podemos avançar para aplicar tais indicadores às obras aceitas de história, conforme feito na tabela abaixo (1).

Autor Quando
Escrito
Cópia Mais
Antiga
Período
de Tempo
César 50 AC 900 AD 950 10
Platão 350 AC 900 AD 1250 7
Aristótoles* 300 AC 1100 AD 1400 5
Tucídides 400 AC 900 AD 1300 8
Heródoto 400 AC 900 AD 1300 8
Sófocles 400 AC 1000 AD 1400 100
Tácito 100 AD 1100 AD 1000 20
Plínio 100 AD 850 AD 750 7

* a partir de qualquer obra

Estes escritores representam os maiores escritores clássicos da antiguidade –os escritos que moldaram o desenvolvimento da civilização ocidental. Em media, eles nos foram transmitidos por 10-100 manuscritos que estão preservados começando a partir de aproximadamente 1000 anos após o original ter sido escrito. A partir de um ponto de vista científico estes dados podem ser considerados nosso experimento de controle uma vez que ele abrange dados (história clássica e filosofia) que são aceitos e utilizados por acadêmicos e universidades em todo o mundo.

A seguinte tabela compara os escritos neotestamentários seguindo tais critérios (2). Isto pode ser considerado nossos dados experimentais que serão comparados aos nossos dados de controle, assim como qualquer investigação científica.

MSSQuando Escrito Data do MSS Período
de Tempo
John Rylan 90 AD 130 AD 40 anos
Papiros
de Bodmer
90 AD 150-200 AD 110 anos
Chester  Beatty 60 AD *80 AD 20 anos
Códice Vaticano 60-90 AD 325 AD 265 anos
Códice Sinaítico 60-90 AD 350 AD 290 anos

* Tradicionalmente datado de 200 AD, mas a pesquisa mais recente dá 80 AD.

Esta tabela nos oferece um breve destaque de alguns dos manuscritos existentes. O número de manuscritos neotestamentários é tão vasto que seria impossível lista-los todos em uma tabela. Conforme um erudito (3) que gastou anos estudando esta questão afirma:

“Temos mais de 24000 cópias de manuscritos de porções do Novo Testamento em existência hoje… Nenhum outro documento da antiguidade sequer começa a se aproximar de tais números e atestação. Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com 643 manuscritos que ainda sobrevivem”.

Um proeminente estudioso no Museu Britânico (4) corrobora isso:

“Estudiosos se satisfazem quando possuem substancialmente o texto verdadeiro dos principais escritores gregos e romanos…contudo, nosso conhecimento de seus escritos depende de alguns meros manuscritos ao passo que os manuscritos do Novo Testamento são contados aos…milhares”.

Crítica textual neotestamentária e Constantino

E um número significante destes manuscritos é extremamente antigo. Eu ganhei um livro acerca dos documentos mais antigos do Novo Testamento. A apresentação começa com:

“Este livro fornece transcrições de 69 dos manuscritos mais antigos do Novo Testamento… datados do início do segundo século ao início do quarto século (100-300AD)… contendo cerca de 2/3do texto do Novo Testamento” (5).

Isto é importante uma vez que estes manuscritos vêm antes do Imperador Romano Constantino (aproximadamente 325 AD) e a ascensão ao poder da Igreja Católica Romana, uma vez que tanto Constantino quanto a Igreja Romana são acusados de alterar o texto bíblico. Nós podemos de fato testar esta alegação ao comparar os textos anteriores a Constantino (uma vez que os possuímos) com os textos que vieram posteriormente. Quando os comparamos descobrimos que os textos são os mesmos. A mensagem dos textos de 200 AD é a mesma dos textos de 1200 AD. Nem a Igreja Católica Romana nem Constantino alterou a Bíblia. Esta não é uma declaração religiosa, ela está embasada unicamente em dados científicos. A imagem abaixo ilustra a linha do tempo dos manuscritos a partir dos quais o Novo Testamento da Bíblia está embasado.

Implicações da Crítica Textual da Bíblia

Então, o que podemos concluir a partir disto? Certamente, ao menos naquilo que podemos objetivamente mensurar (número de manuscritos existentes e períodos de tempo entre os manuscritos originais e os mais antigos) o Novo Testamento é verificado em um nível bem mais elevado do que qualquer outra obra clássica. O veredito ao qual a evidência nos leva é melhor resumida na seguinte declaração (6):

“Ser cético do texto resultante do Novo Testamento é permitir que toda a antiguidade clássica caia em obscuridade, pois nenhum outro documento do período antigo é tão bem atestado bibliograficamente quanto o Novo Testamento”.

O que este acadêmico está dizendo é que para ser consistente, se decidirmos duvidar da confiabilidade da preservação da Bíblia, nós deveríamos descartar tudo o que sabemos acerca da história clássica em geral – e isto nenhum histórico informado jamais fez. Sabemos que os textos bíblicos não foram alterados ao passo que eras, línguas e impérios vieram e se foram, pois os manuscritos mais antigos antecedem tais acontecimentos. Por exemplo, sabemos que nenhum monge medieval extremamente zeloso acrescentou milagres de Jesus ao registro bíblico uma vez que temos manuscritos que antecedem os monges medievais e todos estes manuscritos anteriores também contém os registros miraculosos de Jesus.

Mas e a tradução da Bíblia?

Mas e com relação aos erros envolvidos na tradução, e o fato de que existem tantas versões diferentes da Bíblia hoje? Isto não mostra que é impossível determinar com precisão o que os autores originais realmente escreveram?

Primeiro devemos esclarecer uma concepção errada comum. Muitas pessoas pensam que a Bíblia hoje passou por uma série de passos de tradução, com cada língua sendo traduzida de uma língua anterior, algo mais ou menos assim: grego -> latim -> inglês medieval -> inglês shakespeariano -> inglês moderno -> todas as línguas modernas.  Na verdade, as Bíblias em todas as línguas são traduzidas diretamente a partir da língua original. Para a tradução do Novo Testamento é assim: grego -> língua moderna, e para o Antigo Testamento é assim: hebraico -> língua moderna. Os textos base em grego e hebraico são padrão.

Portanto, as diferenças nas versões bíblicas vêm de como os linguistas escolhem traduzir as expressões para a língua de chegada.

Devido à vasta literatura clássica que foi escrita em grego (língua original do Novo Testamento), tem sido possível precisamente traduzir os pensamentos e palavras originais dos autores originais. Na verdade, as diferentes versões modernas atestam isto. Por exemplo, leia Romanos 6:23 versículo bastante conhecido na maioria das versões comuns, e observe a leve variação em como o versículo é escrito, mas a consistência em ideia e significado:

1) Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. (Almeida Revista e Corrigida 2009)

2) Pois o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Senhor. (Nova Traduҫão na Linguagem de Hoje 2000)

3) Pois o salário do pecado é a morte, mas a dádiva de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Nova Versão Transformadora)

Você pode ver que não existe discordância entre as traduções – elas dizem exatamente  a mesma coisa com uma leve diferença no uso das palavras.

Resumindo, nem o tempo e nem a tradução corromperam as ideias e pensamentos expressos nos manuscritos originais bíblicos para esconder tais erros de nós hoje. Nós podemos saber que a Bíblia hoje acuradamente contém o que os autores de fato disseram há tempos atrás. A Bíblia é textualmente confiável. É importante perceber o que este estudo faz o que ele não faz. Isto não prova que a Bíblia seja necessariamente a Palavra de Deus, nem que ela é sequer verdadeira. Pode ser discutido (ao menos a partir da evidência apresentada aqui) que embora as ideias originais dos autores bíblicos foram acuradamente passadas a nós hoje, o que de fato não prova ou indica que estas ideias originais jamais estiveram certas para início de conversa (ou sequer que tais ideias são de Deus). Isso é verdade. Mas o entendimento da confiabilidade textual bíblica fornece um ponto de partida a partir do qual se pode começar a investigar seriamente a Bíblia para verificar se algumas destas outras perguntas também podem ser respondidas, e se tornar informado em relação a qual é sua mensagem. A Bíblia reivindica que sua mensagem é uma bênção de Deus. E se houver uma chance de que isto seja verdade? Invista seu tempo aprendendo alguns dos acontecimentos importantes da Bíblia que são explicados neste website.  

  • Extraído de McDowell, J. Evidence That Demands a Verdict. 1979, p. 42-48.
  • Comfort, P.W. The Origin of  the Bible. 1992, p. 193
  • McDowell, J. Evidence That Demands a Verdict. 1979, p. 40
  • Kenyon, F.G. (ex-diretor do Museu Britânico) Our Bible and the Ancient Manuscripts. 1941, p.23.
  • Comfort, P.W. “The Text of the Earliest New Testament Greek Manuscripts”. 2001, p. 17.
  • Montgomery. History and Christianity. 1971, p.29.

De onde vem ‘Cristo’ em Jesus Cristo?

Eu por vezes pergunto às pessoas qual era o sobrenome de Jesus. Geralmente elas respondem: “Acho que o sobrenome dele era ‘Cristo’, mas não tenho certeza”. Então eu pergunto: “Se for assim, quando Jesus era um garotinho, o José Cristo e a Maria Cristo levavam o pequeno Jesus Cristo ao mercado?” Ouvindo desta forma, eles percebem que ‘Cristo’ não é o sobrenome de Jesus. Então, o que ‘Cristo’ significa? De onde vem este nome? Qual o significado do termo? É isto o que explorarei neste artigo.

Tradução vs. Transliteração

Primeiro precisamos saber algumas coisas básicas sobre tradução. Os tradutores às vezes escolhem traduzir pelo som semelhante no lugar do significado, em especial para nomes e títulos. Esta ação é conhecida por transliteração. Para a Bíblia, os tradutores precisaram escolher se suas palavras (em especial nomes e títulos) ficariam melhores na língua traduzida através da tradução (por significado) ou através da transliteração (pelo som). Não existe uma regra especifica.

A Septuaginta

A Bíblia foi primeiramente traduzida em 250 A.C. quando o Antigo Testamento hebraico foi traduzido para o grego. Esta tradução é a Septuaginta (ou LXX) e ela ainda é utilizada hoje em dia. Uma vez que o Novo Testamento foi escrito 300 anos mais tarde em grego, seus escritores citavam a Septuaginta grega em vez de o Antigo Testamento hebraico.

Tradução & Transliteração na Septuaginta

A figura abaixo mostra como isto afeta as Bíblias contemporâneas:

Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje
Isto mostra a tradução a partir do original para a Bíblia moderna dos dias de hoje

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico – quadrante #1. As setas de  1 a #2 mostram sua tradução para o quadrante grego em 250 A.C. O Antigo Testamento estava agora em duas línguas – hebraico e grego. O Novo Testamento foi escrito em grego, então ele começou no quadrante #2.  Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estavam disponíveis em grego – a língua universal há 2000 anos.

Na parte abaixo (#3) temos uma língua moderna como o português. Geralmente, o Antigo Testamento é traduzido a partir do hebraico original (indo do #1 para o #3) e o Novo Testamento a partir do grego (#2 -> #3).

A origem de ‘Cristo’

Agora seguimos a mesma sequência, mas focando na palavra ‘Cristo’ que aparece nos Novos Testamentos em português.

De onde 'Cristo' vem na Bíblia
De onde ‘Cristo’ vem na Bíblia

A palavra hebraica no Antigo Testamento era ‘mashiyach’ que o dicionário hebraico define como uma pessoa ‘ungida ou consagrada’. Reis hebreus eram ungidos (cerimonialmente esfregados com óleo) antes que se tornassem reis, consequentemente, eles eram os ungidos ou mashiyach.  O Antigo Testamento também profetizou acerca de um mashiyach especifico. Para a Septuaginta, seus tradutores escolheram uma palavra em grego com um significado semelhante – Χριστός (cujo som se parece como Christos), que vinha de chrio, que significa esfregar cerimonialmente com óleo. Portanto, Christos foi traduzido por significado (e não transliterado por som) a partir do termo hebraico original ‘mashiyach’ na Septuaginta grega. Os escritores neotestamentários continuaram a utilizar a palavra Christos ‘ em seus escritos para identificar Jesus como o mashiyach.

Na Bíblia em português, o termo hebraico Mashiyach do Antigo Testamento é comumente traduzido como ‘o ungido’ e as vezes transliterado como o ‘Messias’. O termo Christos do Novo Testamento é transliterado como ‘Cristo’. A palavra ‘Cristo’ é muito especifica, derivada por tradução a partir do hebraico para o grego, e então transliteração do grego para o português.

Porque não vemos prontamente a palavra ‘Cristo’ no Antigo Testamento de hoje esta relação com o Antigo Testamento é difícil de ser vista. Mas a partir desta analise nós sabemos que na Bíblia o termo ‘Cristo’=’Messias’=’O Ungido’ e que este termo era um titulo específico.

O Cristo antecipado no primeiro século

Abaixo está a reação do Rei Herodes quando os sábios do Oriente vieram procurando pelo  ‘reis dos judeus’, uma parte bastante conhecida há história do natal. Observe, o artigo ‘o’ precede Cristo, ainda que ele não esteja se referindo especificamente à Jesus.

Quando o rei Herodes ouviu isto, ele ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele. Quando ele convocou topos os lideres dos sacerdotes e professores da lei, ele lhes perguntou onde o Cristo haveria de nascer. (Mateus 2:3-4)

A ideia de ‘o Cristo’ era conhecimento comum entre Herodes e seus conselheiros religiosos – mesmo antes de Jesus ter nascido – e o termo é utilizado aqui sem se referir especificamente à Jesus. Isto porque ‘Cristo’ vem do Antigo Testamento grego, que era comumente lido por judeus do primeiro século. ‘Cristo’ era (e ainda é) um titulo, não um nome. O titulo estava em existência centenas de anos antes do cristianismo.

Profecias veterotestamentárias de ‘O Cristo’

Na verdade, ‘Cristo’ é um titulo profético já nos Salmos, escritos por Davi cerca de 1000 A.C. – bem antes do nascimento de Jesus.

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu ungido (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles (…) dizendo: “Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte”. Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”. (Salmos 2:2-7)

O Salmo 2 na Septuaginta seria lido da seguinte maneira (estou colocando com o Cristo transliterado para que você possa ‘ver’ o titulo de Cristo como um leitor da Septuaginta podia)

Os reis da terra tomam posição (…) contra o Senhor e contra o seu Cristo (…) o Senhor põe-se a rir e caçoa deles …. (Salmos 2)

Você agora pode ‘ver’ Cristo nesta passagem como um leitor do primeiro século podia ver. Mas os Salmos continuam com mais referencias a este Cristo que estava por vir. Eu coloco a passagem lado a lado com um ‘Cristo’ transliterado para que você possa ver o título.

Salmos 132- Do hebraico Salmos 132 – Da Septuaginta
Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu ungido.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu ungido ”. Senhor, (…)10 Por amor a teu servo Davi, não rejeites o teu Cristo.11 O Senhor fez um juramento a Davi, um julgamento firme que ele não revogará: “Colocarei um de seus descendentes em teu trono — …17 “Ali farei renascer o poder de Davi e farei brilhar a luz do meu Cristo ”.

O Salmo 132 fala no tempo verbal futuro (“… farei renascer o poder de Davi…”) como tantas muitas passagens por todo o Antigo Testamento. Não é que o Novo Testamento pega algumas ideias do Antigo Testamento e as ‘fazem’ se encaixar em Jesus. Os judeus sempre estiveram esperando pelo seu Messias (ou Cristo). O fato de que eles estão esperando ou buscando a vinda do Messias tem tudo a ver com as profecias que falam do futuro no Antigo Testamento.

As profecias do Antigo Testamento: Específicas como um sistema de uma fechadura

O fato de o Antigo Testamento especificamente predizer o futuro o transforma em literatura incomum. É como uma fechadura de uma porta. Uma fechadura tem um determinado modelo de forma que somente uma ‘chave’ especifica que combina com a fechadura pode abri-la. Da mesma maneira, o Antigo Testamento é como uma fechadura. Nós vimos isto nas postagens sobre o sacrifício de Abraão, o início de Adão, e a Páscoa de Moisés. O Salmo 132 acrescenta a exigência de que ‘o Cristo’ viria da descendência de Davi. Eis aqui uma pergunta que vale a pena ser feita: Jesus é a chave que destrava as profecias?

 

Qual é a história do povo judeu?

Os judeus são uns dos povos mais antigos do mundo. Sua história está registrada na Bíblia, por historiadores fora da Bíblia e através da arqueologia. Temos mais fatos acerca de sua história do que qualquer outra nação. Nós utilizaremos esta informação para sintetizar sua história. A fim de tornarmos a história dos israelitas (uma palavra veterotestamentária para o povo judeu) mais fácil de ser acompanhada, utilizaremos uma linha do tempo.

Abraão: O início da árvore genealógica judaica

A linha do tempo começa com Abraão. Ele recebeu uma promessa de nações  se originando dele e teve encontros com Deus  culminando no  sacrifício simbólico de seu filho Isaque.  O sacrifício foi um sinal apontando para Jesus ao marcar o futuro local onde Jesus seria sacrificado. A linha do tempo em verde continua quando os descendentes de Isaque foram escravos no Egito. Este período de tempo começou quando José, neto de Isaque, conduziu os israelitas ao Egito, onde posteriormente eles se tornariam escravos.

Vivendo no Egito como escravos de Faraó
Vivendo no Egito como escravos de Faraó

Moisés: Os israelitas se tornam uma nação sob Deus

Moisés liderou os israelitas para fora do Egito pela  Praga da Pascoa, que destruiu o Egito e permitiu o êxodo israelita do Egito para a terra de Israel. Antes de ele morrer, Moisés anunciou  Bênçãos e Maldições sobre os israelitas (quando a linha do tempo vai de verde para amarelo). Eles seriam abençoados se obedecessem a Deus, mas experimentariam maldições caso não obedecessem. Estas bênçãos e maldições seguiriam o povo judeu muito tempo depois.

Por várias centenas de anos os israelitas viveram em sua terra, mas eles não tinham um rei, nem tinham a cidade capital de Jerusalém –  ela pertencia a outro povo nesta época. Contudo, com o rei Davi por volta de 1000 (A.C.) isto mudou.

Vivendo com os reis davídicos governando a partir de Jerusalém
Vivendo com os reis davídicos governando a partir de Jerusalém

Davi estabelece a dinastia real em Jerusalém

Davi conquistou Jerusalém e a transformou em sua capital. Ele recebeu a promessa de um ‘Cristo’ que viria  e daquele tempo em diante o povo judeu passou a esperar o ‘Cristo’ que viria.  Seu filho Salomão lhe sucedeu e Salomão construiu o Primeiro Templo Judeu em Jerusalém. Os descendentes do rei Davi continuaram a governar por cerca de 400 anos e este período é mostrado na cor azul-agua (1000 – 600 A.C.). Este foi o período da gloria de Israel – eles alcançaram as bênçãos prometidas.  Eles eram uma nação poderosa, tiveram uma sociedade e cultura avançada e o seu templo. Mas o Antigo Testamento também descreve sua crescente corrupção e adoração a ídolos durante esta fase. Muitos profetas neste período advertiram os israelitas que as maldições de Moisés viriam sobre eles caso eles não mudassem. Mas estas advertências foram ignoradas.

O primeiro exílio para a Babilônia

Finalmente, por volta de 600 (A.C.) as maldições vieram sobre eles. Nabucodonosor, um poderoso rei babilônio veio – assim como Moisés havia predito 900 anos antes quando ele escreveu esta maldição:

O Senhor trará, de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês… nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços… Ela sitiará todas as cidades da sua terra (Deuteronômio 28:49-52)

Nabucodonosor conquistou Jerusalém, a queimou e destruiu o Templo que Salomão havia construído. Ele então exilou os israelitas para a Babilônia. Somente os israelitas pobres ficaram para trás.   Isso cumpriu as predições de Moisés de que

Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse. Então o Senhor os espalhará pelas nações, de um lado ao outro da terra. (Deuteronômio 28:63-64)

Conquistados e exilados para a Babilônia
Conquistados e exilados para a Babilônia

Então, por 70 anos, o período mostrado em vermelho, os israelitas viveram como exilados fora da terra prometida a Abraão e seus descendentes.

Retorno do exílio sob os persas

Apos isto, o imperador persa Ciro conquistou a Babilônia e tornou-se a pessoa mais poderosa do mundo. Ele então permitiu que os israelitas retornassem a sua terra.

Vivendo na Terra como parte do Império Persa
Vivendo na Terra como parte do Império Persa

Contudo, eles já não eram mais um pais independente, eles agora eram uma província no Império Persa. Isto continuou por 200 anos e esta em rosa na linha do tempo. Durante este tempo o Tempo Judeu (conhecido como o Segundo Templo) e a cidade de Jerusalém foram reconstruídos.

O período dos gregos

Então Alexandre, o Grande, conquistou o Império Persa e transformou os israelitas em uma província nos impérios gregos por mais 200 anos.  Esta fase está em azul escuro.

Vivendo na Terra como parte dos Impérios Gregos
Vivendo na Terra como parte dos Impérios Gregos

O período dos romanos

Então os romanos derrotaram os impérios gregos e se tornaram a potência mundial dominante. Os israelitas novamente se tornaram uma província neste império e isto se vê no amarelo claro. Este é o período em que Jesus viveu. Isto explica porque existem soldados romanos nos evangelhos – porque os romanos dominavam os judeus na Terra de Israel durante a vida de Jesus.

Vivendo na Terra como parte do Império Romano
Vivendo na Terra como parte do Império Romano

O segundo exílio judaico sob os romanos

A partir do tempo dos babilônios (600 A.C.) os israelitas (ou judeus, como eles eram chamados agora) não tinham usufruído de independência conforme tinham sob o rei Davi). Eles eram agora governados por outros impérios. Os judeus ressentiram tal fato e se revoltaram contra o governo romano. Os romanos vieram e destruíram Jerusalém (70 A.C.), destruíram o Segundo Templo, e deportaram os judeus como escravos por todo o Império Romano. Este foi o segundo exílio judaico. Uma vez que Roma era muito grande os judeus foram espalhados por todo o mundo.

Jerusalém e o Templo destruídos em 70 A.C. Judeus espalhados como exilados por todo mundo
Jerusalém e o Templo destruídos em 70 A.C. Judeus espalhados como exilados por todo mundo

 

E foi assim que o povo judeu viveu por quase 2000 anos: dispersos em terras estrangeiras e jamais aceitos nestas terras. Nestas diferentes nações eles comumente sofreram grandes perseguições. Desde a Espanha, na Europa Ocidental, a Rússia, os judeus viveram frequentemente em situações perigosas nestes reinos cristãos. As maldições de Moisés cerca de 1500 A.C. foram descrições acuradas de como Israel viveu.

No meio daquelas nações vocês não encontrarão repouso, nem mesmo um lugar de descanso para a sola dos pés. Lá o Senhor lhes dará coração desesperado, olhos exaustos de tanto esperar, e alma ansiosa. (Deuteronômio 28:65)

As maldições contra os israelitas foram dadas para fazer os povos se perguntarem:

Todas as nações perguntarão: ‘Por que o Senhor fez isto a esta terra? Por que tanta ira e tanto furor?’ (Deuteronômio 29:24)

E a resposta era:

Cheio de ira, indignação e grande furor, o Senhor os desarraigou da sua terra e os lançou numa outra terra, como hoje se vê’. (Deuteronômio 29:28)

A linha do tempo abaixo mostra este período de 1900 anos. Este período é mostrado na longa barra vermelha.

Linha do Tempo histórica dos judeus – apresentando seus dois períodos de exílio
Linha do Tempo histórica dos judeus – apresentando seus dois períodos de exílio

Você pode ver que em sua história o povo judeu experimentou dois períodos de exílio, mas o segundo exílio foi muito maior que o primeiro.

O Holocausto do século 20

Então as perseguições contra os judeus alcançaram seu pico quando Hitler, através da Alemanha nazista, tentou exterminar todos os judeus vivendo na Europa. Ele quase foi bem-sucedido, mas foi derrotado e um remanescente de judeus sobreviveu.

Renascimento moderno de Israel

O simples fato de que havia pessoas que se identificavam como ‘judeus’ após muitas centenas de anos sem uma terra é incrível.  Mas isto permitiu que as ultimas palavras de Moisés, escritas há 3500 anos, se cumprissem. Em 1948 os judeus, através das Nações Unidas, viram o impressionante renascimento do estado de Israel, conforme Moisés havia escrito séculos atrás:

…então o Senhor, o seu Deus, lhes trará restauração, terá compaixão de vocês e os reunirá novamente de todas as nações por onde os tiver espalhado. Mesmo que tenham sido levados para a terra mais distante debaixo do céu, de lá o Senhor, o seu Deus, os reunirá e os trará de volta. (Deuteronômio 30:3-4)

Também foi impressionante uma vez que este estado foi construído apesar de grande oposição. A maioria das nações circunvizinhas fez guerra contra em Israel em 1948… em 1956… em 1967 e novamente em 1973. Israel, uma nação muito pequena, geralmente estava em guerra com cinco nações ao mesmo tempo. Contudo, não apenas Israel sobreviveu como também seu território aumentou. Na guerra de 1967 os judeus reganharam Jerusalém, sua capital histórica que Davi fundou 3000 anos atrás. O resultado da criação do estado de Israel, e as consequências destas guerras criaram os problemas políticos mais difíceis de nosso tempo.

 

Simplesmente Potente: Qual é o significado do sacrifício de Jesus?

Jesus veio para dar a si próprio, como um sacrifício por todos os povos.  Esta mensagem foi anunciada no princípio da história humana, brasonada com uma assinatura divina nos sacrifícios de Abraão e da Páscoa, com mais detalhes profetizados em várias profecias no Velho Testamento.    Porque a sua morte é tão importante e merece tal enfâse?  Esta é uma pergunta que vale a pena considerar.  A Bíblia declara algo semelhante a uma lei ao dizer:

Porque o salário do pecado é a morte… (Romanos 6:23)

“A morte” quer dizer, literalmente, “separação”.  Quando a alma se separa do corpo morremos fisicamente.  De forma semelhante, estamos separados de Deus espiritualmente.   Isto é verdade porque Deus é santo (sem pecado), e como estamos corrompidos do nosso estado original, pecamos.

separados de Deus
Estamos separados de Deus por causa dos nossos pecados. A nossa separação é como um abismo entre dois penhascos.

Isto pode ser visualizado por meio desta ilustração – estamos em cima de um penhasco e Deus está no penhasco oposto.  Estamos separados de Deus por este abismo sem fundo.  Como um ramo cortado de uma árvore morre, também estamos “cortados” de Deus e, espiritualmente, estamos mortos.

Esta separação causa vergonha e receio.  Por isso, naturalmente tentamos construir pontes para sair do nosso lado (da morte) e chegar ao lado onde está Deus.  Tentamos isto de muitas maneiras diferentes: indo à igreja, templo, ou mesquita; sendo religioso, sendo bons, meditando, tentando ser mais atenciosos, orando mais, etc.  Esta lista de atos para ganhar méritos é muito comprida para alguns de nós – e cumpri-la é complicado!  Isto está ilustrado na figura seguinte. 

not by religious merit
Bons esforços, apesar de úteis, não podem criar uma ponte entre nós e Deus.

O problema é que os nossos esforços, méritos, sacrifícios, práticas ascéticas etc., embora não sejam coisas más, são insuficientes porque o pagamento necessário pelos nossos pecados é a morte.  Os nossos esforços são como uma ponte que tenta atravessar o abismo entre nós e Deus, mas no fim não é capaz de alcançar a Deus.  As nossas boas ações não resolvem o nosso problema.  É como tentar curar um cancro fazendo uma dieta vegetariana.  Dietas vegetarianas não são más, mas não curam um cancro.  É preciso um tratamento totalmente diferente.

Até agora esta Lei tem sido muito negativa.  É tão negativa que às vezes não a queremos ouvir e frequentemente enchemos a nossa vida de atividades e bens na esperança de nos afastarmos desta Lei.  Como a cura para o cancro passa a ser muito importante logo que ouvimos o diagnóstico que temos cancro, também a Bíblia dá enfâse a esta Lei sobre o pecado e a morte para ficarmos interessados numa cura simples mas ainda assim potente.

 Porque o salário do pecado é a morte, mas… (Romanos 6:23)

A palavrinha “mas” mostra que a direção desta mensagem vai mudar e tornar-se a Boa Nova do Evangelho – a cura.

 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

A boa nova do Evangelho é que o sacrifício da morte de Jesus é suficiente para atravessar a separação entre nós e Deus.  Sabemos isto porque três dias depois de morrer, Jesus ressuscitou corporalmente do túmulo, tornando-se vivo por meio da ressurreição física.  Ainda que algumas pessoas escolham a não acreditar na ressurreição de Jesus, a maior parte ainda não se informou da forte evidência da ressurreição de Jesus.  O sacrifício de Jesus foi demonstrado profeticamente pelo sacrifício de Abraão e a inauguração do sacrifício da Páscoa.

Jesus era um humano que viveu uma vida sem pecado.  Por isso, Jesus pode alcançar os dois lados do abismo – o lado de Deus e o lado dos humanos – cobrindo o abismo que separa as pessoas de Deus.   Ele é a Ponte para a Vida, e isto pode ilustrar-se como mostra a figura seguinte.

jesus is bridge
Jesus é a ponte que preenche o abismo entre nós e Deus.

Note como nos é oferecido o sacrifício de Jesus.  É nos oferecido como um “dom gratuito”.  Pense em presentes.  Não importa o que seja, um presente verdadeiro é gratuito; não é algo que se possa merecer ou ganhar.  Se tivermos ganhado um presente, já não é um presente verdadeiro.  No mesmo sentido não se pode merecer ou ganhar o sacrifício de Jesus; é oferecido como um dom grátis.  É simples!

Ora, o que é o “dom”?  É “a vida eterna”. Isto significa que o pecado que nos leva à morte, agora está cancelado.  O sacrifício de Jesus é uma ponte que podemos atravessar para chegar a Deus e receber vida – vida que dura para sempre.  Este dom é dado por Jesus que, por ressuscitar dos mortos, mostra-se ser o “Senhor”.  É poderoso desta forma!

Então, como é que nós “atravessamos” esta Ponta da Vida que nos é oferecida?  Mais uma vez, pense em presentes.  Se alguém vier lhe dar um presente, não é merecido. Mas para desfrutar o presente tem que, pelo menos, recebê-lo. Quando um presente é oferecido existem duas alternativas.  O presente é rejeitado (“Não obrigado”) ou recebido(“Obrigado pelo presente! Deixa-me ver o que é!”).  Da mesma forma, este presente que nos é oferecido por Jesus tem que ser recebido – é só isso.  Não pode ser só consentido mentalmente, estudado, ou compreendido.  Isto está ilustrado na figura seguinte; atravessamos a cruz quando nos viramos a Deus e recebemos o presente que Ele nos oferece.

receive gift of jesus
O sacrifício de Jesus é um dom que cada um de nós
tem que escolher receber.

Então, como é que recebemos este dom?  A Bíblia diz que,

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. (Romanos 10:13)

Note que esta promessa é para todos.  Desde que Jesus ressuscitou dos mortos, Jesus está vivo e ainda é o “Senhor”.  Por isso, se chamarmos a Jesus ele irá ouvir e estender-nos o dom da vida eterna.  Tem que chamar a Jesus e pedir-lhe por meio duma conversa com ele.  Talvez nunca tenha feito isto antes.  Aqui tem um guia para o ajudar a conversar e orar a Jesus.  Não é um feitiço mágico.  Não são as palavras que dão poder.  É a nossa confiança (como tinha Abraão) em Jesus que ele tem a vontade e o poder de nos dar este dom.  Quando confiarmos em Jesus, ele vai ouvir e responder-nos.  O Evangelho é potente e ainda assim é tão simples.  Não hesite a seguir este guia enquanto fala em voz alta ou silenciosamente no seu espírito, com Jesus para receber este dom.

Senhor Jesus.  Eu entendo que estou separado de Deus por causa dos meus pecados.  Por mais que eu tente, não há esforço ou sacrifício da minha parte que possa transpor esta separação. Eu entendo que a Tua morte foi um sacrifício para purificar todos os pecados – até os meus.  Acredito que Tu ressuscitaste depois do Teu sacrifício para que eu pudesse saber que Teu sacrifício é suficiente.  Peço-Te que me limpes e me leves a Deus para que eu possa ter a vida eterna.  Não quero viver uma vida escravizada pelo pecado; por favor, liberta-me dos meus pecados.  Obrigado Senhor Jesus por fazer tudo isto por mim.  Que continues a conduzir-me ao longo da minha vida para que eu possa seguir-Te como o meu Senhor.  Amém.

A Ressurreição: Estória Ridícula ou História Real?

Quando criança aprendi muitas estórias maravilhosas sobre os nossos feriados religiosos. Aprendi que um homem jovial e gordo voava em volta do mundo com renas, descendo por chaminés para dar prendas a meninos bons no Natal. Aprendi sobre o coelhinho que dava ovos e chocolates aos mesmos meninos na Páscoa. Ao ficar mais velho, soube que tais estórias eram meigas mas falsas. Eu podia olhar para traz e rir das estórias, mas eu as superei.

Também aprendi outras ‘estórias’ como as sobre os nossos feriados religiosos. Nestas estórias, magos seguiam estrelas e um bebê foi posto numa manjedoura – estórias que formam a base da celebração do Natal. Talvez a estória mais dramática seja a de como Jesus morreu na cruz e três dias depois ressuscitou – estórias formando a base da Páscoa.

A segunda série dessas estórias parece tão fantástica como a primeira série. Quando eu fiquei mais velho e soube que as primeiras não eram verdade uma questão me veio à cabeça: tenho a certeza que as outras estórias são verdadeiras? Afinal todas estão entrelaçadas com feriados religiosos, todas dão espanto e são incríveis! Isto é especialmente verdade em relação a estória da Páscoa, que fala que Jesus fisicamente ressuscitou três dias depois de morrer. Esta estória é provavelmente a mais ousada dentre todas. Pode-se lhe dar o título ‘Homem morto volta à vida’. Será verdade? Será isso credível? Existirá alguma evidência para substanciar tal afirmação?

Talvez sejam questões difíceis para resolver, mas com certeza são questões que merecem o nosso pensamento maduro pois tocam diretamente na nossa vida. Afinal, o mais esperto, o mais forte, o mais poderoso de nós todos, morrerá só. O mesmo é verdade também para mim e você. Se houvesse alguém que venceu a morte, deveríamos ter interesse nisso. Deixem-me partilhar convosco o que eu descobri ao estudar este assunto.

Informação histórica de Jesus – fora da Bíblia      

Talvez a melhor maneira de resolver este problema seja considerar cada alternativa e ver qual delas faz sentido – sem prejulgar por ‘fé’ qualquer explanação. O facto de que Jesus viveu e morreu uma morte em público e que alterou o caminho da história é óbvio. Não se precisa de ir á Bíblia para se verificar isso. Há varias referências a Jesus em histórias seculares de como ele impactou o mundo durante os seus dias. Consideremos duas fontes. O governador romano e historiador Tácito escreveu uma referência fascinante a Jesus ao descrever como o Imperador Nero martirizou cristãos no século um (no ano 65 D.C.) como bodes expiatórios por causa do fogo em Roma. Tácito escreveu no ano 112 D.C.:

 Nero castigava com as piores torturas as pessoas chamadas cristãs, que eram odiadas. ‘Christus’, o fundador do nome foi condenado à morte por Pôncio Pilatos o procurador da Judeia no reino de Tibério; mas a superstição perniciosa, reprimida por algum tempo se espalhou outra vez, não só na região da Judeia onde se originou o assunto problema, mas também pela cidade de Roma. (Tacitus. Anais XV. 44)  

O ponto interessante desta afirmação é que Tácito verifica que: 1) Jesus existiu como homem na história; 2) Jesus foi executado por Pilatos e 3) já no tempo de Nero a fé cristã tinha se espalhado através do Mar Mediterrâneo, da Judeia até a Roma com tal intensidade que o Imperador sentiu que tinha que fazer alguma coisa sobre o assunto. Note também que Cornélio Tácito diz isto como testemunha hostil porque considera que o movimento que Jesus começou era uma ‘superstição perniciosa’.

Josefo era um líder militar e historiador Judaico que escreveu para uma audiência Romana. Na sua escrita Josefo resume a história da nação Judaica do princípio até ao fim da sua vida. Ao fazer isso ele explica o tempo e a carreira de Jesus com estas palavras:

Neste tempo havia um homem sábio… Jesus… bom, e… virtuoso. Muitas pessoas dos Judeus e dos outros povos tornaram-se os seus discípulos. Pilatos condenou-o à morte por crucificação. E as pessoas que se tinham tornado os seus discípulos não abandonaram a sua comitiva. Eles reportaram que ele lhes tinha aparecido três dias depois da sua crucifixão e que estava vivo.” (Josefo. 90 D.C., Antiguidades XVIII. 33)  

Então, baseado nestas visões rápidas do passado, parece que a morte de Cristo era um facto bem conhecido e que o assunto da sua ressurreição era divulgado intensamente no mundo Romano pelos seus discípulos.

Informação histórica de Jesus – da Bíblia      

Lucas, doutor e historiador, fornece mais detalhas sobre a progressão desta fé no mundo antigo. Aqui tem-se um trecho do livro Atos escrito por Lucas:

Falavam eles ainda ao povo quando sobrevieram os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos; e os prenderam, recolhendo-os ao cárcere até ao dia seguinte, pois já era tarde…. Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus… consultavam entre si, dizendo: Que faremos com estes homens? (Atos 4:1-16, no ano 63 D.C.)

 Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele… prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública… se enfureceram e queriam matá-los… açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. (Atos 5:17-40)

Pode-se ver neste trecho que os líderes da comunidade faziam grandes esforços para exterminar esta ‘superstição perniciosa’ (como era chamada por Tácito). Devemos notar que estes eventos aconteciam na cidade de Jerusalém, na mesma cidade em que Jesus tinha sido assassinado publicamente e sepultado há poucas semanas.

O corpo de Jesus poderia ter ficado no sepulcro?

Tendo considerado os dados históricos que são pertinentes, podemos pensar nas explanações possíveis sobre a alegada ressurreição de Jesus. Começando, só temos duas alternativas sobre o corpo morto de Cristo (note, somente duas): o túmulo estava vazio naquela famosa manhã da Páscoa, ou o túmulo ainda continha o corpo de Cristo. Só existem estas alternativas, não existem outras possibilidades.

Vamos presumir que o corpo de Cristo ainda estivesse no túmulo. Ao pensar nos eventos da história desta perspectiva, rapidamente encontramos dificuldades. Porque é que os líderes romanos e judaicos em Jerusalém teriam que fazer tais grandes esforços ao fim de parar exagerações duma alegada ressurreição, se o corpo ainda estivesse no túmulo, a pouca distância da localização onde os apóstolos estavam a pregar? Se eu fosse um dos líderes, eu teria esperado até os discípulos terem chegado ao clímax da sua pregação sobre a ressurreição e naquele instante exibiria a todos o corpo de Cristo. Eu teria desacreditado o movimento incipiente sem ter que encarcerar, torturar nem martirizar ninguém. Considere, milhares de pessoas foram convencidos a acreditar na ressurreição física de Jesus em Jerusalém naquele tempo. Se eu fosse um das pessoas na multidão ouvindo a Pedro e ponderando se eu podia acreditar na sua incrível mensagem (pois, esta crença vinha com o preço de perseguição), pelo menos eu tinha investido a minha pausa para almoço e ido ao túmulo para verificar se o corpo ainda lá estava. Se o corpo de Cristo estivesse no túmulo o movimento não teria ganho nenhum seguidor, pois era um ambiente muito hostil com muita evidência incriminadora em todo lado. Então, a hipótese que o corpo de Cristo ficou no túmulo guia-nos a conclusões absurdas. Essa alternativa não merece consideração séria.

Os discípulos roubaram o corpo?

Até aqui a nossa investigação não prova a ressurreição – pois há muitas boas explanações para o túmulo vazio sem aceitar a ressurreição. Contudo, qualquer explanação para a ausência do corpo também precisa de prestar contas pela situação então corrente: o selo romano no túmulo, a patrulha de soldados guardando o túmulo, a pedra enorme cobrindo a entrada, o 40kg da substância para embalsamar o corpo… a lista continua. O espaço não nos deixa considerar todos os factores e cenários para explanar a ausência do corpo, mas a explanação mais popular sempre tem sido a que os discípulos a si mesmos roubaram o corpo do túmulo, esconderam-no e conseguiram enganar outros.

Vamos presumir outro cenário, evitando, por uma questão de argumento algumas das dificuldades em relação a explicar como um grupo de discípulos abatidos, que fugiu para defender a sua própria vida quando as autoridades prenderam Jesus, podia reunir-se outra vez e fabricar um plano para roubar o corpo – um plano que podia despistar e superar a guarda romana. Vamos conjeturar que eles quebrassem o selo, removessem a enorme pedra e fugissem com o corpo embalsamado sem deixarem vestígios. Vamos supor que eles conseguissem fazer tudo isso e começou uma fé religiosa baseada nesta decepção. Hoje em dia, muitos de nós acreditam que a motivação dos primeiros discípulos era a necessidade de proclamar fraternidade e amor entre os homens, e que a morte de Cristo e a ressurreição (espiritual ou metafórica) de Cristo era o catalisador da mensagem. Porém, se você ler a narração de Lucas e Josefo, notará que a questão controversa era que ‘os apóstolos estavam a ensinar ao povo e proclamando em Jesus a ressurreição dos mortos’. Este tema é proeminente nos seus escritos. Note como Paulo, outro apóstolo, atribui grande importância ao assunto da ressurreição de Cristo:

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu… que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia… apareceu a Cefas [Pedro] e, depois, aos doze… se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé… Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens… Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos. (1 Coríntios 15:3-32)

Claramente (pelo menos na mente dos apóstolos) os discípulos tinham o testemunho da ressurreição no centro da sua mensagem. Então, presumamos que o testemunho dos discípulos fosse falso e que realmente os discípulos tivessem roubado o corpo para que a evidência contra a sua mensagem não os pudesse impedir. Talvez, eles pudessem ter enganado o mundo, mas eles teriam reconhecido em si próprios que, o que estavam a pregar, escrever, e usar para criar agitação social, era falso. Mas eles deram as suas próprias vidas (literalmente) por esta missão. Porque é que fariam isso se soubessem que a base da sua fé era falsa? Frequentemente, pessoas dão a vida por uma causa (quer causa digna ou não) porque crêem na causa pela qual lutam, ou seja, acham que podem ganhar alguma coisa na luta pela causa. Considere os homens-bomba no Oriente Médio, certamente esse é o melhor exemplo moderno da devoção extrema por uma causa – culminando na morte deles e de outros. É muito provável que não acreditemos na causa dos homem-bomba, mas é óbvio que eles acreditem na causa pela qual se sacrificam. Eles chegam a tais extremos porque crêem que depois de morrer irão para o paraíso como um prêmio pelo seu sacrifício. Essa crença pode ser falsa, mas pelo menos acreditam nela, ou não iam arriscar a sua própria vida numa aposta tão drástica. A diferença principal entre os homens-bomba e os primeiros discípulos é que os homens-bomba não estão numa posição para verificar factualmente a sua crença, mas os discípulos estavam. Se tivessem roubado e escondido o corpo, eles de todas as pessoas teriam sabido que a reportagem da ressurreição não era verdade. Examine nas suas próprias palavras que preço os discípulos pagaram por causa de espalhar a sua mensagem. Pergunte-se se você pagaria tal preço pessoal para propagar uma estória que você soubesse ser falsa:

 Em tudo somos atribulados… perplexos… perseguidos… abatidos… na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nas açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, mas vigílias, nos jejuns… castigados… entristecidos… pobres… nada tendo… Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; …, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar… em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede… em frio e nudez… Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? (1Coríntios 4:8, 6:4-10, 11:24-29)

Quanto mais eu pondero o intrépido heroísmo de todas as suas vidas (nem sequer um só apóstolo renegou na hora da prova) quanto mais acho que é impossível que eles não acreditassem na mensagem que estavam a proclamar. Se a acreditassem, não podiam ter roubado e escondido o corpo de Cristo. Um dos melhores advogados criminalistas, que ensinava estudantes da lei na universidade de Harvard como se sondam as fraquezas em testemunhas, disse isto sobre este assunto:

 Os anais de guerra militar mal fornecem um só exemplo deste tipo de heroica constância, paciência e coragem inabalável. Eles tinham todos os motivos de rever cuidadosamente a base da sua fé e as evidências dos grandes factos e verdades que afirmavam. (Greenleaf. 1874. An Examination of the Testimony of the Four Evangelists by the Rules of Evidence Administered in the Courts of Justice. p. 29)

 Em relação a isso é o silêncio dos inimigos dos discípulos – judaicos ou romanos. Estas testemunhas hostis não tentaram contar a história ‘real’ de forma séria, ou mostrar que os discípulos estavam errados. Como diz Dr. Montgomery,

 Isso sublinha a confiabilidade do testemunho sobre a ressurreição de Cristo que era apresentada contemporaneamente nas sinagogas – diretamente contra a oposição, no meio de examinadores hostis que certamente podiam ter destruído o caso… se os factos fossem de outro modo. (Montgomery. 1975. Legal Reasoning and Christian Apologetics. p. 88-89)

Neste estudo breve não tivemos espaço para considerar todos os aspetos da questão. Contudo, a coragem inabalável dos discípulos e o silêncio das testemunhas hostis daquela época falam volumes ao fim que Cristo podia ter ressuscitado, e que vale a pena examinar o assunto a sério e pensativo. A ressurreição é o clímax do evangelho. Uma maneira de pensar na ressurreição com mais profundidade é entendê-la no seu contexto Bíblico. Uma boa maneira a começar é ler sobre os sinais de Abraão e Moisés. Embora vivessem mais de mil anos antes de Cristo, as suas experiências eram predições proféticas da morte e ressurreição de Jesus.