Como os detalhes da morte de Cristo foram profetizados?

O “corte” de Cristo predito em detalhe pelos profetas do Antigo Testamento

Em nossa última postagem nós vimos que ‘Cristo’ seria ‘cortado’ após um ciclo específico de anos. Esta predição de Daniel foi cumprida na entrada triunfante de Jesus em Jerusalém – ali apresentado como Cristo de Israel – exatamente 173.880 dias após o decreto persa para restaurar Jerusalém ter sido promulgado. A expressão ‘cortado’ foi mencionada na imagem de Isaías do Ramo nascendo a partir de uma raiz aparentemente morta. Mas o que ele quis dizer com esta imagem?

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Isaías também tinha escrito outras profecias em seu livro, utilizando temas diferentes do tema do Ramo. Um destes temas foi sobre a vinda do Servo. Quem era este Servo’? O que ele iria fazer? Vamos analisar em detalhe esta longa passagem. Eu reproduzo abaixo a passagem em sua totalidade e exatamente como ela é, apenas inserindo alguns comentários meus.

O Servo vindouro. A passagem completa de Isaías 52:13-53:12

Vejam, o meu servo agirá com sabedoria;

será engrandecido, elevado e muitíssimo exaltado.

Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele;

sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem;

não parecia um ser humano; de igual modo ele aspergirá muitas nações,

e reis calarão a boca por causa dele. Pois aquilo que não lhes foi dito verão,

e o que não ouviram compreenderão. (Isaías 52:13-15)

Sabemos que este Servo será um homem, pois Isaías se refere ao Servo como um ‘ele’, ‘o’, ‘dele’, e especificamente descreve acontecimentos futuros (a partir das expressões ‘agirá’, ‘será levantado’, e assim sucessivamente), portanto, esta é uma profecia explícita. Mas do que tratava essa profecia?

Quando os sacerdotes judeus ofereciam sacrifícios para os israelitas, eles os aspergiam com sangue do sacrifício – simbolizando que seus pecados foram cobertos e não seriam mais mantidos contra eles. Mas aqui o texto diz que o Sevo aspergirá ‘muitas nações’, portanto, Isaías está dizendo, de maneira semelhante, que este Servo também irá prover aos não judeus assim como os sacerdotes do Antigo Testamento faziam pelos adoradores judeus.

Esta predição é paralela à de Zacarias de que o Ramo seria um sacerdote, unindo os papeis de Rei e Sacerdote, porque somente os sacerdotes poderiam aspergir sangue. Este escopo global de ‘muitas nações’ segue aquelas promessas históricas e verificáveis feitas séculos atrás a Abraão, de que ‘todas as nações’ serão abençoadas através de sua descendência.

Mas ao aspergir sobre as muitas nações a própria ‘aparência’ e ‘forma’ do Servo é predita como sendo ‘desfigurada’ e ‘irreconhecível’. E embora não fique prontamente claro o que o Servo fará, um dia as nações ‘entenderão’.

Quem creu em nossa mensagem? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele  como um broto tenro,

e como uma raiz saída de uma terra seca.

Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse,

nada havia em sua aparência para que o desejássemos.

Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores

e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem

os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. (Isaías 53:1-3)

Embora o Servo viesse a aspergir muitas nações, ele seria ‘desprezado’ e ‘rejeitado’, cheio de ‘sofrimento’ e ‘familiarizado com o sofrimento’.

Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades

e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos

castigado por Deus, por Deus atingido e afligido.

Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões,

foi esmagado por causa de nossas iniqüidades;

o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. (Isaías 53:4-5)

O Servo irá assumir ‘nossa’ dor. Este Servo também será ‘perfurado’ e ‘esmagado’ em ‘castigo’. O castigo nos trará (àqueles nas muitas nações) ‘paz’ e nos curará.

Eu escrevo isto na sexta-feira santa. Tanto as fontes seculares quanto as bíblicas nos contam que neste dia aproximadamente 2000 anos atrás (mas ainda mais 700 anos após Isaías ter feito esta predição), Jesus foi crucificado. Ao fazer isto ele foi literalmente perfurado, conforme Isaías previu que o Servo seria, com os pregos da crucificação.

Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos,

cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho;

e o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.          (Isaías 53:6)

 Vimos em Corruptos… errando o alvo, que uma das definições bíblicas de pecado é ‘errar o alvo intencionado’. Como uma flecha torta, nós seguimos nosso próprio caminho. Este Servo carrega o mesmo pecado (iniquidade) que causamos.

Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. (Isaías 53:7)

O Servo será como um cordeiro sendo levado ao ‘matadouro’. Mas ele não protestará ou sequer ‘abrirá sua boca’. Vimos no Sinal de Abraão  que um carneiro foi usado como substituto para o filho de Abraão. Aquele carneiro – um cordeiro – foi morto. E Jesus foi morto no mesmo local  (Monte Moriá = Jerusalém). Vimos na Páscoa que um cordeiro foi morto na páscoa – e Jesus também foi morto na Páscoa.

 Com julgamento opressivo ele foi levado.
E quem pode falar dos seus descendentes?
Pois ele foi eliminado da terra dos viventes;
por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. (Isaías 53:8)

 Este Servo é ‘cortado’ ‘da terra dos viventes’. Isto é exatamente o termo empregado por Daniel  quando ele predisse o que aconteceria ao Cristo após ele ser apresentado a Israel como seu Messias. Isaías prediz em mais detalhes que ‘cortado’ significa ‘cortado da terra dos viventes’ – isto é, morte! Então, naquela fatídica sexta-feira santa Jesus morreu, sendo literalmente ‘cortado da terra dos viventes’, pouquíssimos dias após ter sido apresentado como o Messias em sua entrada triunfante.

Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido nenhuma violência nem houvesse nenhuma mentira em sua boca.  (Isaías 53:9)

Apesar de Jesus ter sido executado e morrido como um criminoso (‘foi-lhe dado um túmulo entre os ímpios’), os escritores do evangelho nos contam que um homem rico, dos líderes do sinédrio, José de Arimatéia, pegou o corpo de Jesus e o enterrou em seu próprio túmulo (Mateus 27:60). Jesus literalmente cumpriu os dois lados da predição paradóxica – embora ele ‘tenha recebido um túmulo entre os ímpios’, ele também esteve ‘com o rico em sua morte’.

 Contudo, foi da vontade do Senhor
esmagá-lo e fazê-lo sofrer,
e, embora o Senhor tenha feito da vida dele
uma oferta pela culpa,
ele verá sua prole e prolongará seus dias,
e a vontade do Senhor
prosperará em sua mão. (Isaías 53:10)

Toda esta morte cruel não foi um acidente terrível ou um infortúnio. Foi explicitamente “a vontade de Deus” esmagá-lo. Mas por quê? Assim como cordeiros no sistema sacrificial mosaico eram ofertas pelos pecados de maneira que a pessoa oferecendo o sacrifício era tida como sem culpa, aqui a ‘vida’ deste Servo também é uma ‘oferta pelo pecado’. Pelo pecado de quem? Bem, considerando que ‘muitas nações’ seriam ‘aspergidas’ (acima), é o pecado das pessoas nas ’muitas nações’. Aqueles ’todos’ que ’se afastaram’ e ’ se desviaram’ de quem Isaías está falando somos eu e você.

Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniqüidade deles. (Isaías 53:11)

Embora a passagem do Servo seja horrível, aqui ela muda o tom e se torna mais otimista e até mesmo triunfante. Após este terrível sofrimento (de ser ’cortado da terra dos viventes’ e receber ’um túmulo’), este Servo verá ’a luz da vida’. Ele voltará à vida?! Eu analisei a questão da ressurreição. Aqui a ressurreição é prevista.  E ao ‘ver a luz da vida’ este Servo ‘justificará’ muitos. ‘Justificar’ é o mesmo que conceder ‘retidão’. Lembre-se de que a fé de Abraão lhe foi ‘creditada’ ou dada ‘retidão’. De maneira semelhante, este Servo justificará ou creditará retidão a ‘muitos’.

Por isso eu lhe darei uma porção entre os grandes,

e ele dividirá os despojos com os fortes,

porquanto ele derramou sua vida até a morte,

e foi contado entre os transgressores.

Pois ele levou o pecado de muitos,

e pelos transgressores intercedeu. (Isaías 53:12)

A passagem do Servo aponta tão misteriosamente para a crucificação e ressurreição de Jesus que alguns críticos dizem que as narrativas do evangelho foram escritas especificamente para ‘se encaixarem’ nesta passagem do Servo. Mas em sua conclusão Isaías desfia estes críticos. A conclusão não é uma predição da crucificação e ressurreição como tal, mas do impacto da morte muitos anos após ela. E o que Isaías prediz? Este Servo, ainda que ele morra como um criminoso, estará um dia entre os ‘grandes’. Os escritores do evangelho não poderia fazer esta parte ‘se encaixar’ nas narrativas do evangelho, pois os evangelhos só foram escritos poucas décadas após a crucificação de Jesus – quando o impacto da morte de Jesus ainda estava em dúvida. Aos olhos do mundo, Jesus ainda era o líder executado de uma seita rejeitada  quando os evangelhos foram escritos.

Estamos hoje 2000 anos mais tarde e vemos o impacto desta morte e percebemos como através da história isto lhe tem tornado ‘grande’. Os escritores do evangelho não poderiam ter previsto isso. Mas Isaías previu. O Servo, também conhecido como o Ramo, através de seu sacrifício voluntário, começaria a atrair as pessoas a ele – para até mesmo o adorarem – assim como Jesus predisse quando ele chamou a si mesmo de o ‘o Filho do Homem’ em seu julgamento diante do sinédrio.

O Ramo: Brotando exatamente em tempo para ser… ‘Cortado’

Estamos explorando tema de o Ramo que se estende através dos escritos de vários profetas veterotestamentários. Vimos que Jeremias em 600 A.C. continuou o tema (que Isaías iniciou 150 anos mais cedo) e declarou que este Ramo seria um Rei. Em nossa postagem prévia nós vimos que Zacarias, após Jeremias, previu que este Ramo seria chamado Jesus e que acumularia os papéis de Rei e Sacerdote – algo que jamais tinha acontecido na  História de Israel.

O enigma da chegada agendada do Ungido profetizado por Daniel

Mas o assunto não termina aqui. Daniel, que viver no período entre Jeremias e Zacarias, mencionou diretamente o título de ‘Ungido’ (que vimos aqui = ‘Cristo’ ou ‘Messias), ao mesmo tempo se referindo ao tema do Ramo em um enigma fascinante que previu quando o Messias seria revelado. Por volta de 538 A.C. ele escreveu o seguinte:

Saiba e entenda que, a partir da promulgação do decreto que manda restaurar e reconstruir Jerusalém até que o Ungido, o líder, venha, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas. Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:25-26)

Pelo fato de o Ungido = Cristo = Messias (ver aqui), nós sabemos que Daniel estava escrevendo acerca da vinda de Cristo. Daniel especifica um período de início (“a partir da promulgação de um decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém”) e um intervalo de período específico (“sete ‘setes’ e sessenta e duas semanas”) que culminará na revelação do Cristo (= O Ungido) que será, então, ‘cortado’. A estrutura geral desta predição parece bastante clara.  Mas nós podemos, na verdade, rastrear a revelação do Cristo? Vamos começar analisando o que iniciou o tique-taque deste relógio profético.

A Promulgação do decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém

Aproximadamente 100 anos após Daniel, Neemias era copeiro de Artaxerxes, o imperador persa. Isso significa que ele era um homem com acesso ao mais elevado poder no império persa. Naquele contexto, ele solicita um decreto real para restaurar e reconstruir Jerusalém e é atendido. Eis aqui como ele relata ter feito tal pedido:

No mês de nisã do vigésimo ano do rei Artaxerxes… respondi ao rei: Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a sua benevolência, que ele me deixe ir à cidade onde meus pais estão enterrados, em Judá, para que eu possa reconstruí-la.

A seguir acrescentei: Se for do agrado do rei, eu poderia levar cartas do rei aos governadores… o rei atendeu os meus pedidos. Com isso fui aos governadores do Trans-Eufrates e lhes entreguei as cartas do rei. Acompanhou-me uma escolta de oficiais do exército e de cavaleiros que o rei enviou comigo. (Neemias 2:1-9)

Aqui vemos um decreto real, apoiado com documentos e com o exército do Império Persa para reconstruir Jerusalém. Em razão de o Imperador Artaxerxes ser conhecido na história secular, e pelo fato deste decreto especificar o início deste período em termos de reinado de Artaxerxes (vigésimo ano do reinado no mês de nisã), nós podemos determinar quando isto se deu. Artaxerxes assumiu o trono persa imediatamente após a morte de seu pai, Xerxes, em dezembro de 465 A.C. (1) e porque este decreto foi promulgado em nisã 1 (março/abril) do vigésimo ano, isto colocaria a promulgação do decreto em 5 de março de 444 A.C (1).

Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’

Mas o que são estes ‘setes’ que Daniel está utilizando para marcar o tempo? Na Lei de Moisés havia um ciclo de sete anos por meio da qual a terra deveria descansar do cultivo de agricultura a cada sete anos. Isto foi afirmado da seguinte maneira:

Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. (Levítico 25:2-4)

O contexto da declaração de Daniel é ‘anos’, portanto, por ‘sete’ ele quer dizer ciclos de sete anos. Neste caso, os Sete ‘Setes’ e Sessenta e dois ‘Setes’ podem ser afirmados numericamente como  (7+62) * 7 = 483 anos.

Um ano de 360 dias

O tamanho do ano complica levemente as coisas. Atualmente nós utilizamos o ano solar (=365.24219879 dias por ano) porque nós podemos medir com precisão a rotação da terra ao redor do sol. Naqueles dias era comum basear o ano a partir das rotações da lua (conforme o calendário islâmico faz até hoje) resultando em 354 dias/ano ou utilizando 12 meses de 30 dias totalizando 360 dias por ano. Em todos os casos alguns ajustes precisam ser feitos para ‘arrumar’ as diferenças nas rotações. (Em nosso calendário ocidental, com anos bissextos – 366 dias – para ajustar pelas frações do dia, com alguns anos bissextos sendo pulados). Nas civilizações antigas do Egito, Babilônia, índia e Grega um calendário de 360 dias era comum. Isto parece ser a base para estes anos em Daniel. Motivos adicionais para a utilização de um calendário de 360 dias são apresentados aqui.

A Chegada Agendada do Cristo

Munido desta informação agora é mais fácil calcular quando Cristo deveria chegar de acordo com a profecia de Daniel. 483 anos de 360 dias/ano nos dará:

483 anos * 360 dias/ano = 173. 880 dias

 Em nosso calendário moderno isso é o equivalente a 476 anos solares com 25 dias sobrando.  (173 880/365.24219879 = 476 com 25 como lembrete).

O ponto de partida para este cálculo foi o decreto de Artaxerxes promulgado no dia 5 de março de 444 A.C. Acrescente 476 anos solares  a esta data e chegaremos ao dia 5 de março do ano 33 A.D.  (Não existe ano zero, o calendário vai de 1A.C. a 1 A.D. em um ano, então, aritmeticamente é -444 + 476 +1= 33).

Se agora subtrairmos os 25 anos restantes e acrescentarmos a 5 de março do ano 33 A.D., chegamos a 30 de março de 33 A.D., ilustrado na linha do tempo abaixo. Ou, conforme Hoehner (cujo cálculo eu estou seguindo) afirma:

“Ao acrescentarmos 25 dias a 5 de março (444 A.C.) chegamos a 30 de março (33 A.D.), que era nisã 10. Este foi o dia da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém…“ Hoehner, Chronological Aspects of the Life of Christ Part VI, pg. 16 1977.

A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus
A Linha do Tempo da profecia de Daniel de ‘setes’ culminando na entrada triunfante de Jesus

A Entrada Triunfante de Jesus – Aquele Dia

Este é o  Domingo de Ramos, o exato dia que nos lembramos da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. Com as suposições que fizemos acima e utilizando matemática básica, descobrimos que o enigma de Daniel dos ‘setes’ cai exatamente neste dia. Este é o dia em que Jesus foi apresentado como Rei ou Cristo à nação judaica. Sabemos disto porque Zacarias (que havia profetizado o nome de Cristo) também escreveu que:

Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém!

Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. (Zacarias 9:9)

 O tão aguardado Rei seria revelado entrando em Jerusalém montado sobre um jumento com uma multidão de pessoas gritando e se alegrando. No dia da Entrada Triunfante de Jesus em Jerusalém – aquele mesmo dia previsto por Daniel neste enigma dos ‘setes’ – Jesus entra em Jerusalém montando em um jumento. Lucas registra o acontecido:

Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente e em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam:

“Bendito é o rei que vem… Paz no céu e glória nas alturas!”

Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. (Lucas 19:37-42)

Neste relato Jesus chora porque as pessoas não o reconheceram naquele mesmo dia previsto tanto por Zacarias quanto por Daniel. Mas porque elas não reconheceram aquele dia em que Cristo foi revelado, algo totalmente inesperado aconteceria. Daniel, na mesma passagem onde ele apresentou o enigma dos ‘setes’, previu que:

Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto, e já não haverá lugar para ele.   (Daniel 9:26)

Em vez de assumir o trono para reinar, o Cristo seria ‘cortado’ e ‘nada’ teria. Ao empregar a expressão ‘cortado’ (algumas Bíblias traduzem como ‘morrerá’) Daniel se refere ao ‘Ramo’, que brota da raiz de Jessé, profetizado por Jeremias, t nome profetizado por Zacarias  e previsto tanto por Daniel quanto Zacarias. Este Ramo seria  ‘cortado’. Então a cidade (Jerusalém) seria destruída (que sucedeu em 70 A.D.). Mas como este Ramo seria ‘cortado’? Retornaremos a Isaías em nossa próxima postagem  para vermos uma vívida descrição.

 

1) A referência utilizada por todo o texto é Chronological Aspects of the Life of Christ, Part VI: Harold W. Hoehner

 

O Ramo: Nomeado centenas de anos antes de seu nascimento

Vimos como Isaías utilizou a imagem do Ramo. Um ‘ele’ da dinastia caída de Davi, detentor de sabedoria e pode estava por vir. Jeremias veio em seguida afirmando que este Ramo seria o Senhor (o nome do Antigo Testamento para o próprio Deus).

Zacarias continua O Ramo

Zacarias retornou após o exílio babilônico para reconstruir o Templo
Zacarias retornou após o exílio babilônico para reconstruir o Templo

O profeta Zacarias viveu em 520 A.C., logo após o povo judeu ter retornado a Jerusalém de seu primeiro exílio na Babilônia. Naquela época o povo judeu estava reconstruindo seu templo destruído. O sumo-sacerdote da época era um homem chamado Josué e ele estava reiniciando a obra dos sacerdotes. Zacarias, o profeta, estava fazendo uma parceria com o seu colega Josué, o sumo-sacerdote, ao conduzir o povo judeu. Eis aqui o que Deus – através de Zacarias – disse acerca deste Josué:

 “Ouçam bem, sumo sacerdote Josué e seus companheiros sentados diante de você, homens que prefiguram coisas que virão: Vou trazer o meu servo, o Ramo (…) e removerei o pecado desta terra num único dia”. (Zacarias 3:8-9)

O Ramo! Iniciado por Isaías 200 anos antes, continuado por Jeremias 60 anos antes, Zacarias prossegue com ‘O Ramo’. Aqui o Ramo também é chamado de ‘meu servo’. De certa maneira o sumo-sacerdote Josué em Jerusalém em 520 A.C., colega de Zacarias, era um símbolo deste ramo por vir. Mas como? O texto diz que em ‘um único dia’ os pecados serão removidos pelo Senhor. Como isto aconteceria?

O Ramo: Unindo Sacerdote e Rei

Zacarias explica mais tarde. Para entender nós precisamos saber que os papeis do Sacerdote e  Rei eram estritamente separados no Antigo Testamento. Nenhum dos reis davídicos poderiam ser sacerdotes, e os sacerdotes não poderiam ser reis. O papel do sacerdote era mediar entre Deus e o homem através da oferta de sacrifícios de animais a Deus para expiar os pecados, e o trabalho do Rei era governar com justiça a partir do trono. Ambos eram cruciais, ambos eram distintos. Contudo, Zacarias escreveu que no futuro:

E o Senhor me ordenou: “(…) Pegue a prata e o ouro, faça uma coroa, e coloque-a na cabeça do sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Diga-lhe que assim diz o Senhor dos Exércitos: ‘Aqui está o homem cujo nome é Ramo, e ele sairá do seu lugar e construirá o templo do Senhor. Ele construirá o templo do Senhor, será revestido de majestade e se assentará em seu trono para governar. E ele será sacerdote no trono. E haverá harmonia entre os dois’”. (Zacarias 6:9-13)

Aqui, contra todas as regras previas, o sumo-sacerdote na época de Zacarias (Josué) deve colocar a coroa simbolicamente como o Ramo. Lembre-se de que Josué ‘prefigurava (era símbolo de) as coisas que virão’. Josué, o sumo-sacerdote, ao colocar a coroa real, previa um futuro unindo o Rei e Sacerdote em uma pessoa – um sacerdote no trono do Rei. Ademais, Zacarias escreveu que ‘Josué’ era o nome do Ramo. O que ele quis dizer?

O nome ‘Josué’ é o nome ‘Jesus’

Para entender precisamos rever a história da tradução do Antigo Testamento. O Antigo Testamento original, em hebraico, foi traduzido para o grego em 250 A.C., conhecido como a Septuaginta ou LXX (70). Ainda amplamente utilizada, nós vimos como ‘Cristo’ foi primeiramente utilizado na LXX e seguimos aquela analise para ‘Josué’.

'Josué' = 'Jesus'. Ambos vêm do nome hebraico 'Yhowshuwa'
‘Josué’ = ‘Jesus’. Ambos vêm do nome hebraico ‘Yhowshuwa’

Como pode ver na figura, Josué eh uma transliteração para o português do nome hebraico original Yhowshuwa’. O quadrante #1 mostra como Zacarias escreveu ‘Josué’ em 520 AEC em hebraico. O nome é transliterado ‘Josué’ em português (#1=> #3). Yhowshuwa’ em hebraico é o mesmo que Josué em português. Quando a Septuaginta foi traduzida do hebraico para o grego em 250 A.E.C. Yhowshuwa foi transliterado para Iesous (#1 => #2). ‘Yhowshuwa’ em hebraico é o mesmo que Iesous no grego. Quando o grego é traduzido para o português, Iesous é transliterado para ‘Jesus’ (#2 => #3).  Iesous no grego é o mesmo que Jesus no português.

Jesus era chamado Yhowshuwa em língua falada em hebraico, mas no Novo Testamento em grego seu nome era escrito ‘Iesous’ – idêntico a como a Septuaginta grega escrevia seu nome. Quando o Novo Testamento é traduzido do grego para o inglês (#2 => #3) ‘Iesous’ é transliterado ao familiar nome ‘Jesus’. Portanto, o nome ‘Jesus’ = ‘Josué’, com ‘Jesus’ vindo através de um passo intermediário em grego, e ‘Josué’ vindo diretamente do hebraico. Tanto Jesus de Nazaré quanto Josué, o sumo-sacerdote de 520 A.E.C. tinham o mesmo nome, sendo chamados ‘Yhowshuwa’ em sua língua nativa hebraica. Em grego, ambos eram chamados ‘Iesous’.

Jesus de Nazaré é o Ramo

Agora a profecia de Zacarias faz sentido. Esta é uma predição feita em 520 A.E.C. que o nome da Ramo por vir seria ‘Jesus’, apontando diretamente para Jesus de Nazaré.

Este Jesus por vir, de acordo com Zacarias, uniria os papeis de Rei e Sacerdote. O que os sacerdotes faziam? Em nome do povo eles ofereciam sacrifícios a Deus para expiar os pecados. O sacerdote cobria os pecados do povo pelo sacrifício. Semelhantemente, o Ramo vindouro ‘Jesus’ iria oferecer um sacrifício de maneira que o Senhor ‘removerá o pecado desta terra em um único dia’ – o dia que Jesus ofereceu a si mesmo como sacrifício.

Jesus de Nazaré é bem conhecido fora dos evangelhos. O Talmude judaico, Josefo e todos outros escritores históricos sobre Jesus, tanto amigos quanto inimigos, sempre se referiram a ele como Jesus’ ou ‘Cristo’, então seu nome não foi inventado nos evangelhos. Mas Zacarias predisse seu nome 500 anos antes dele ter vivido.

Jesus vem ‘do tronco de Jessé’ uma vez que tanto Jessé quanto Davi foram seus ancestrais. Jesus possuía sabedoria e entendimento em um nível que o coloca em separado dos demais. Sua perspicácia, postura e discernimento continuam a impressionar tanto críticos quanto seguidores. Seu poder através dos milagres nos evangelhos é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles, mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de possuir sabedoria excepcional e poder que Isaías predisse que um diria viria deste Ramo.

Agora pense na vida de Jesus de Nazaré. Ele certamente reivindicou ser rei – o Rei, na verdade. Isto é o que ‘Cristo’ significa. Mas o que ele fez enquanto esteve na terra foi na verdade sacerdotal. A tarefa do sacerdote era oferecer sacrifícios aceitáveis em prol do povo judeu. A morte de Jesus foi importante no sentido que ela também foi uma oferta a Deus, em nosso lugar. Sua morte expia o pecado e a culpa de qualquer pessoa, não apenas do judeu. Os pecados da terra foram literalmente removidos ‘em um único dia’ conforme Zacarias havia predito – o dia que Jesus morrer e pagou por todos os pecados. Em sua morte ele cumpriu todas as exigências como Sacerdote, ainda que ele seja mais conhecido como ‘O Cristo’ ou o Rei. Ele realmente uniu os dois papéis. O Ramo, aquele que Davi ha muito tempo chamou de ‘Cristo’, é o Rei-Sacerdote. E seu nome foi previsto por Zacarias 500 anos antes de seu nascimento.

O Sinal do Ramo: O Velho Tronco Renasce

Jesus teve críticos que questionavam sua autoridade. Ele os responderia ao apontar para os profetas que vieram antes, alegando que eles previram sua vida. Eis aqui um exemplo onde Jesus disse a eles:

… E são as Escrituras que testemunham a meu respeito… (João 5:39)

Em outras palavras, Jesus reivindicava que profetizaram acerca dele no Antigo Testamento, que lhe precedeu por centenas de anos. Os profetas do Antigo Testamento reivindicavam que Deus havia inspirado seus escritos. Uma vez que homem algum pode prever com certeza centenas de anos no futuro, Jesus disse que esta uma prova a ser averiguada caso ele realmente tivesse vindo ou não como plano de Deus. É um teste para ver se Deus existe e se Ele fala. O Antigo Testamento está disponível para nós a fim que nós mesmos possamos examinar e refletir sobre esta mesma pergunta.

Primeiro vamos fazer uma revisão. A vinda de Jesus foi aludida bem no início do Antigo Testamento. Então vimos que o sacrifício de Abraão previu o local onde Jesus seria sacrificado ao passo que a Páscoa previu o dia no ano que ela ocorreria.  Vimos que o Salmo 2 foi onde o título ‘Cristo’ foi utilizado para prever o Rei que viria. Mas não termina aí. Muito mais foi escrito olhando para o futuro utilizando outros títulos e temas. Isaías (750 A.C.) começou um tema que livros posteriores do Antigo Testamento desenvolveram – o tema do Ramo por vir.

Isaías e o Ramo

A figura abaixo mostra Isaías em uma linha do tempo histórica com alguns dos escritores do Antigo Testamento.

Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos
Isaías mostrado em cronologia histórica. Ele viveu no período do governo dos reis davídicos

Você verá a partir da linha do tempo histórica que o livro de Isaías foi escrito no período da dinastia real de Davi (1000 – 600 A.C.). Naquela época (cerca de 750 A.C.) a dinastia e o reino eram corruptos. Isaías rogou que os reis retornassem à Deus e à pratica e espirito da lei mosaica. Mas Isaías sabia que Israel não se arrependeria e então ele profetizou que a nação seria destruída e a dinastia real terminaria.

A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore
A imagem que Isaías utilizou da dinastia como uma árvore

Ele utilizava uma metáfora, ou uma imagem, para a dinastia real, apresentando-a como uma grande árvore. Esta árvore tinha sua raiz Jessé, o pai de Davi. Sobre Jessé a dinastia foi iniciada com Davi, e a partir de seu sucessor, Salomão, a árvore continuou a crescer e a se desenvolver.

 

Primeiro uma árvore… depois um tronco… depois um ramo

Isaías escreveu que esta dinastia da ‘árvore’ em breve seria cortada, reduzindo-a a um tronco. Eis aqui como ele começou a imagem da árvore que então ele transformou em um enigma de um tronco e um ramo:

“Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um ramo. O Espírito do Senhor repousará sobre ele, o Espírito que dá sabedoria e entendimento, o Espírito que traz conselho e poder, o Espírito que dá conhecimento e temor do Senhor”. (Isaías 11:1-2)

Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi
Dinastia vista como um tronco de Jessé – pai de Davi

O corte desta ‘árvore’ se deu por volta de 150 anos após Isaías, cerca de 600 A.C., quando os Babilônios conquistaram Jerusalém e arrastaram seu povo e rei à Babilônia no exilio (o período em vermelho na linha do tempo acima). Jessé era o pai de Davi e era a raiz da dinastia de Davi. O tronco de Jessé era, portanto, uma metáfora à destruição futura da dinastia de Davi.

O Ramo: Um ‘ele’ que viria de Davi e que teria sabedoria

Ramo a partir do tronco morto de Jessé
Ramo a partir do tronco morto de Jessé

Mas esta profecia também olhava mais longe para o futuro do que apenas a destruição dos reis. Isaías predisse que embora o ‘tronco’ parecesse morto (como os troncos parecem), um dia em um futuro bem distante um futuro renovo, conhecido como o Ramo, nasceria daquele tronco, assim como ramos podem surgir de troncos. Este Ramo é mencionado como ‘ele’, então Isaías está falando sobre um homem especifico, vindo da descendência de Davi após a dinastia ter sido cortada. Este homem teria tais qualidades de sabedoria, poder e conhecimento e seria como se o Espirito de Deus estava repousando sobre ele.

Jesus… Um ‘ele’ de Davi que possuía sabedoria

Jesus se encaixa nas exigências do ‘tronco de Jessé’ que estava por vir uma vez que Jessé e Davi foram seus ancestrais. O que transforma Jesus em algum bastante incomum é a sabedoria e o entendimento que ele possuía. Sua sagacidade, equilíbrio e discernimento ao lidar com oponentes e discípulos continuam a impressionar tanto os críticos quanto os seguidores de Jesus desde aquela época. Seu poder nos evangelhos através dos milagres é inegável. Pode-se escolher não acreditar neles; mas não se pode ignora-los. Jesus se encaixa na qualidade de detentor de sabedoria excepcional e poder que Isaías previu que um dia viria deste Ramo.

Jeremias e o Ramo

É como uma placa de sinalização colocada por Isaías na história. Mas não termina aí. Sua placa de sinalização é apenas uma de varias outras placas. Jeremias, vivendo aproximadamente 150 após Isaías, quando a dinastia de Davi estava sendo destruída bem diante de seus próprios olhos, escreveu:

“Dias virão”, declara o Senhor, “em que levantarei para Davi    um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O Senhor é a Nossa Justiça. (Jeremias 23:5-6)

Jeremias expande o tema do Ramo da dinastia de Davi iniciado por Isaías 150 anos atrás. O Ramo será um Rei que reina. Mas isto é exatamente o que a profecia do  Salmo 2  falava sobre o Filho de Deus/Cristo/Messias que viria. Será que o Ramo e o Filho de Deus são a mesma pessoa?

O Ramo: O Senhor nossa Retidão

Mas como este Ramo será chamado? Ele seria chamado o ‘SENHOR’ que também será ‘nossa’ (isto é – nós humanos) Retidão. Como vimos com Abraão, o problema para os humanos é que somos ‘corruptos’, e então precisamos de ‘retidão’.  Aqui, ao descrever o Ramo, vemos uma alusão que as pessoas no futuro, no tempo de Jeremias, obteriam a exigência de ‘retidão’ pelo Senhor – o próprio YHWH (YHWH ou Javé é o nome de Deus no Antigo Testamento). Mas como isto seria feito? Zacarias acrescenta mais detalhes para nós enquanto ele desenvolve mais sobre o tema do Ramo Vindouro, predizendo até mesmo o nome de Jesus – que nós analisaremos a seguir.

 

O discurso de despedida de Moisés: A história seguindo sua própria norma

As bênçãos e maldições de Moisés

Moisés viveu há cerca de 3500 anos e escreveu os primeiros cinco livros da Bíblia – conhecidos como Pentateuco ou Torá. Seu quinto livro, Deuteronômio, contem suas ultimas proclamações feitas entes de sua morte. Estas foram suas bênçãos ao povo de Israel – os judeus, mas também suas maldições. Moisés escreveu que estas bênçãos e maldições moldariam a história e seriam refletidas não apenas pelos judeus, mas por todas as demais nações. Então, isto foi escrito para você e para mim, para que pensamos sobre isto. As bênçãos e maldições completas estão aqui. Eu sintetizo abaixo os principais pontos.

As bênçãos de Moisés

Moisés começou descrevendo as bênçãos que os israelitas receberiam caso obedecessem a Lei. A lei fora dada nos primeiros livros e incluíam os Dez Mandamentos. As bênçãos vinham de Deus e seriam tamanhas que todas as demais nações reconheceriam Sua benção. O resultado destas bênçãos seria que:

Então todos os povos da terra verão que vocês pertencem ao Senhor e terão medo de vocês.  (Deuteronômio 28:10)

… e as maldições

Contudo, caso os israelitas fracassassem em obedecer aos Mandamentos, eles então receberiam maldições correspondentes às bênçãos. Estas maldições seriam vistas pelas nações circunvizinhas de maneira que:

Vocês serão motivo de horror e objeto de zombaria e de riso para todas as nações para onde o Senhor os levar. (Deuteronômio 28:37)

E as maldições se estenderiam por toda a história:

Essas maldições serão um sinal e um prodígio para vocês e para os seus descendentes para sempre. (Deuteronômio 28:46)

Mas Deus advertiu que a pior parte das maldições viria de outras nações:

O Senhor trará de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês como a águia em mergulho, nação cujo idioma não compreenderão, nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços. Ela devorará as crias dos seus animais e as plantações da sua terra até que vocês sejam destruídos… Ela sitiará todas as cidades da sua terra, até que caiam os altos muros fortificados em que vocês confiam. Sitiará todas as suas cidades, em toda a terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá. (Deuteronômio 28:49-52)

Iria de mal a pior:

Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse. Então o Senhor os espalhará pelas nações, de um lado ao outro da terra.  No meio daquelas nações vocês não encontrarão repouso, nem mesmo um lugar de descanso para a sola dos pés. Lá o Senhor lhes dará coração desesperado, olhos exaustos de tanto esperar, e alma ansiosa. (Deuteronômio 28:63-65)

Estas bênçãos e maldições foram estabelecidas por uma aliança (um acordo) entre Deus e os israelitas:

… aliança que ele está fazendo com vocês hoje, selando-a sob juramento, para hoje confirmá-los como seu povo, para que ele seja o seu Deus, conforme lhes prometeu e jurou aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Não faço esta aliança, sob juramento, somente com vocês que estão aqui conosco na presença do Senhor, o nosso Deus, mas também com aqueles que não estão aqui hoje. (Deuteronômio 29:12-15)

Em outras palavras, esta aliança estaria atrelada aos filhos, ou gerações futuras. Na verdade, esta aliança estava direcionada às gerações futuras – tanto de israelitas quanto estrangeiros.

… as desgraças que terão caído sobre a terra e as doenças com que o Senhor a terá afligido. A terra inteira será um deserto abrasador de sal e enxofre, no qual nada que for plantado brotará, onde nenhuma vegetação crescerá. Todas as nações perguntarão: ‘Por que o Senhor fez isto a esta terra? Por que tanta ira e tanto furor?’ (Deuteronômio 29:22-24)

 E a resposta será:

Foi porque este povo abandonou a aliança do Senhor, o Deus dos seus antepassados, aliança feita com eles quando os tirou do Egito. Eles foram adorar outros deuses… Por isso a ira do Senhor acendeu-se contra esta terra, e ele trouxe sobre ela todas as maldições escritas neste livro. (Deuteronômio 29:25-27)

As bênçãos e maldições aconteceram?

Nada neutro acerca delas. As bênçãos eram agradáveis, mas as maldições eram completamente severas. Contudo, a pergunta mais importante que podemos fazer é: ‘Elas aconteceram?’ A resposta não é difícil de encontrar. Muito do Antigo Testamento é o registro dos israelitas e a partir do que podemos ver o que acontece em sua história.  Também temos registros fora do Antigo Testamento, de historiadores judeus como Josefo, historiadores greco-romanos como Tácito e encontramos muitos monumentos arqueológicos.  Todas estas fontes concordam e pintam um retrato consistente da história israelita ou judaica. Um resumo desta história, dado através da construção e uma linha do tempo, é disponibilizado aqui. Leia e verifique você mesmo se as bênçãos e maldições aconteceram.

A conclusão das bênçãos e maldições de Moisés

Mas este discurso de despedida de Moisés não terminou com as maldições. Ele continuou. Aqui vemos como Moisés fez seu pronunciamento final:

Quando todas essas bênçãos e maldições que coloquei diante de vocês lhes sobrevierem, e elas os atingirem onde quer que o Senhor, o seu Deus, os dispersar entre as nações, e quando vocês e os seus filhos voltarem para o Senhor, o seu Deus, e lhe obedecerem de todo o coração e de toda a alma, de acordo com tudo o que hoje lhes ordeno, então o Senhor, o seu Deus, lhes trará restauração, terá compaixão de vocês e os reunirá novamente de todas as nações por onde os tiver espalhado. Mesmo que tenham sido levados para a terra mais distante debaixo do céu, de lá o Senhor, o seu Deus, os reunirá e os trará de volta. Ele os trará para a terra dos seus antepassados, e vocês tomarão posse dela. Ele fará com que vocês sejam mais prósperos e mais numerosos do que os seus antepassados. (Deuteronômio 30:1-5)

Após Moisés, sucessivos escritores no Antigo Testamento continuaram com esta promessa de que ele havia primeiramente começou – de que haveria uma restauração após as maldições. Ezequiel fez uso da imagem de zumbis mortos retornado à vida para pintar um retrato vivido disto para nós. Estes escritores posteriores fizeram predições ousadas, perturbadoras e detalhadas. Juntos eles fazem um incrível conjunto de predições que estão acontecendo hoje.

 

O Sinal da Páscoa

Nós já consideramos que quando Deus provou Abraão e lhe pediu para oferecer o seu filho Isaque, aludiu ao sacrifício de Jesus, apontando o lugar onde Jesus ia morrer. Agora, vamos localizar-nos em cerca de 500 anos depois de Abraão e cerca de 1500 anos antes de Cristo. Depois de Abraão morrer, os descendentes do seu filho Isaque, agora Israelitas, tinham começado a ser uma grande população. Também, eles tinham ficado escravizados no Egito. Isso aconteceu porque José, o bisneto de Abraão, foi vendido como escravo para o Egito e depois a família dele seguiu-o.

O Enredo do Êxodo

Assim, aproximamo-nos dum enredo interessantíssimo que foi recordado por Moisés no livro Êxodo (foi chamado assim porque conta a história como Moisés conduziu os Israelitas para fora do Egito). Moisés foi enviado por Deus para confrontar o Faraó do Egito e isso resultou numa luta entre as duas vontades a de Moisés e a do Faraó, tendo resultado em nove pragas contra o Faraó até aquele tempo. Porém o Faraó ainda não concordava em permitir que os Israelitas se fossem embora e por isso Deus ordenara a décima praga devastadora. Toda a história sobre a décima praga está aqui e seria bom lê-la porque vai ajudar a entender a explicação seguinte.

A décima praga que foi ordenada por Deus, foi que todos os primogênitos morreriam naquela noite excepto aqueles que ficassem em casas onde um cordeiro tivesse sido sacrificado e o seu sangue tivesse sido esfregado nas duas ombreiras e na verga da porta. A perca de Faraó, no caso de não obedecer, seria o seu filho e herdeiro que morreria. Também, cada casa no Egito perderia o primogênito caso os seus habitantes não sacrificassem um cordeiro aplicando o sangue do cordeiro a volta da porta. Portanto o povo do Egito estava a enfrentar uma crise nacional.

Contudo, nas casas onde um cordeiro tivesse sido sacrificado e o sangue dele tivesse sido aplicado nas ombreiras a promessa era que tudo ia correr bem. A morte ia passar por cima daquelas casas. Segundo a Sociedade Bíblica do Brasil, a palavra “Páscoa” (em Hebraico, pesah) é associada com o verbo pasah, que significa “saltar” ou “passar por cima”. Portanto, este dia foi chamado “Páscoa” ou “A Passagem”.

 O Sinal da Páscoa – para quem?

Muitas pessoas que conhecem esta narrativa julgam que o sangue a volta da porta era o sinal para o Anjo da Morte, mas é de notar este detalhe interessante.

 Disse o Senhor a Moisés… ‘Eu sou o SENHOR. O sangue [do cordeiro] vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós , e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.’ (Êxodo 12:13)

Apesar do SENHOR procurar o sangue à volta da porta, e ao ver isso, passasse por cima, o sangue não era um sinal para Ele. Ele diz claramente que, ‘o sangue vos será por sinal’. O sangue era um sinal para o povo. Também é um sinal para todos nós que lemos esta narrativa. Como? Depois deste acontecimento o Senhor ordenou-lhes:

Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. (Êxodo 12:14)

 O Notável Calendário da Páscoa

Nós vemos no princípio desta narrativa que este evento inaugurou o antigo calendário Judaico.

 Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito: Este mês será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. (Êxodo 12:1-2)

Assim os Israelitas foram mandados começar um calendário que ia celebrar a Páscoa no mesmo dia em cada ano. O calendário Judaico é diferente do calendário ocidental; a data da Páscoa muda cada ano no calendário ocidental.

preparing for passover
Esta é uma cena moderna em que pessoas Judaicas estão a preparar-se para celebrar a Páscoa em memória da primeira Páscoa há 3500 anos.

Ainda hoje, 3500 anos depois, o povo Judeu continua a celebrar esta festa santa todos os anos, no mesmo dia no seu calendário, em memória do evento do Egito e por causa do mandamento que lhes foi dado naquela época.

Seguindo esta festa através da história podemos ver alguma coisa extraordinária. Pode-se notar isso no Evangelho onde estão registados os detalhes sobre a detenção e o julgamento de Jesus:

 Depois, levaram Jesus… para o pretório [a casa de Pilatos o governo Romano]… Eles não entraram no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa…. [Pilatos disse para os líderes Judeus:] É costume entre vós que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa; quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus? …Então, gritaram todos, novamente: Não este… (João 18:28, 39-40)

A ligação entre a crucificação de Jesus e esta antiga festa Judaica está corroborada por escritos rabínicos no Talmude. Estes eram testemunhos hostis que não tinham motivos para concordar com os Evangelhos. No entanto, os escritos deles afirmam que:

 Jesus foi pendurado na véspera de Páscoa… (Sanhedrin 43a do Talmude Babilónico; citado em ‘Jesus and Christian Origins Outside the New Testament’. De FF Bruce. p56. 1974. pp215)

Portanto, Jesus foi preso e executado no dia da festa antiga dos Judeus a Páscoa. Mesmo na Páscoa, no dia quando os cordeiros são mortos em memória dos cordeiros que salvaram os primogénitos 1500 anos antes de Cristo! Então, lembra-se do Sinal do Sacrifício de Abraão, um dos títulos de Jesus era:

 No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (João 1:29)

Aqui nós vimos o enredo deste sinal. Jesus, o ‘Cordeiro de Deus’, foi crucificado (sacrificado) no mesmo dia quando todos os Judeus que viviam naquela época estavam também a sacrificar um cordeiro em memória da primeira Páscoa (A Passagem) no Egito que tinha iniciado o seu calendário. Isso explica porque há dois feriados que acontecem juntos todos os anos, uma ligação que poucos de nós notamos e mesmo poucos de nós questionamos. A Páscoa Cristã, que marca a morte de Jesus, acontece em cada ano quando a Festa Judaica da Páscoa acontece. Verifique no seu calendário. (Ambos os eventos acontecem na mesma semana mas nem sempre no mesmo dia porque Sexta-feira Santa foi marcada na sexta-feira desta semana, enquanto a Festa Judaica da Páscoa é sempre no dia 14 de Nissan. Portanto as festas podem ser separadas por vários dias.) Por isso a Páscoa Cristã muda todos os anos, porque a Páscoa Cristã acontece na Festa Judaica da Páscoa e esta Festa é marcada com o calendário Judaico que calcula o ano duma maneira diferente do calendário Gregoriano.

 Sinais, sinais, há sinais por todo o lado

Voltemos para a primeira Festa da Páscoa (A Passagem) no dia de Moisés quando o sangue era um sinal não para Deus mas para o povo. Pense um bocadinho sobre o que os sinais em geral fazem olhando para os sinais abaixo.

What are signs
Os sinais dirigem as nossas mentes para uma coisa particular.

Quando nós vimos uma caveira e ossos cruzados pensamos sobre morte e perigo. O ‘M amarelo’ fazem-nos pensar sobre o McDonald’s. O sinal na fita do jogador de ténis Nadal é o sinal de Nike. A Nike queria fazer-nos pensar sobre a empresa e os seus produtos quando nós vimos o marca. Por outras palavras, os sinais são símbolos para indicar alguma coisa à nossa mente além do sinal.

Então, a narrativa em Êxodo diz explicitamente que o sinal era para o povo, não para Deus, mas o sinal foi estabelecido por Deus. Ele foi o autor do sinal. Como todos os sinais, este sinal deve fazer-nos lembrar sobre alguma coisa. Deus queria lembrar-nos do quê?   Como os cordeiros foram mortos no mesmo dia da morte de Jesus e um dos nomes de Jesus era ‘o Cordeiro de Deus’, o sinal da narrativa deve ter estado a indicar o sacrifício de Jesus no futuro. Este sinal funciona na nossa mente tal como é mostrado no gráfico abaixo em relação a mim.

thinking of the passover sign
A Festa Judaica da Páscoa (ou a Passagem) e um sinal porque aponta para Jesus por causa do ‘timing’ especial que aconteceu com a Festa Judaica da Páscoa e com o crucificação de Jesus.

O sinal estava lá para me indicar a morte de Jesus. Na primeira Páscoa Judaica os cordeiros foram sacrificados e o seu sangue foi esfregado nas portas para que as pessoas pudessem viver. Portanto, este Sinal indicando Jesus conta-me que Ele, o Cordeiro de Deus, foi também oferecido e o seu sangue foi também derramado para que eu possa encontrar a vida.

Nós vimos no Sinal de Abraão que o lugar onde o carneiro morreu em vez de Isaque era o Monte Moriá, o mesmo lugar onde Jesus foi sacrificado muito mais tarde. O sinal na narrativa sobre Abraão e Isaque indicava o lugar onde Jesus ia morrer. A Festa Judaica da Páscoa indicava a morte de Jesus, e designava no calendário o dia exato da morte de Jesus! Nas duas narrativas um cordeiro foi sacrificado, mostrando que não foi só uma coincidência usada para indicar a morte de Jesus. A localização e o ‘timing’ da morte de Jesus foram previstos por dois dos acontecimentos mais importantes no Antigo Testamento. Eu não consigo pensar numa outra pessoa em toda a história que tivesse uma morte tão prevista duma maneira tão dramática. E você?

Olhando para estas duas narrativas juntas, os dois sinais devem mostrar-nos que há motivos razoáveis para considerar Jesus como a principal pedra angular num plano Divino, revelado muitos anos antes de Cristo quando os escravos dando início ao seu novo calendário, esfregando o sangue dum cordeiro a volta das suas portas.

Então, porque é que Deus colocou estes sinais para antever e prever a crucificação de Jesus? Porque é que este evento é tão importante? Porque é que aconteceram todas estas eventos sangrentos? Qual é a relevância destas coisas para mim? Para buscar as respostas para estas perguntas precisamos de começar no princípio da Bíblia para entender o que acontecia desde o princípio do tempo. Começaremos esta viagem até ao princípio no nosso artigo seguinte.

Abraão: Como Deus Proverá

Abraão viveu 4000 anos atrás, viajando para o que hoje chamamos de Israel. Deus lhe prometeu um filho que se tornaria uma ‘grande nação’, mas ele precisou esperar até que estivesse idoso para ver seu filho nascer. Judeus e árabes descendem de Abraão, então sabemos que a promessa se cumpriu e que ele é uma pessoa importante na historia como o pai de grandes nações.

Abraão agora estava muito feliz de ver seu filho crescer em se tornar um homem. Mas então Deus testou Abraão de uma maneira incrível. Deus disse:

Então disse Deus: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei”. (Gênesis 22:2)

Isto é difícil de entender!  Por que Deus pediria a Abraão para fazer isso? Mas Abraão, que havia aprendido a confiar em Deus – mesmo quando ele não entendia

Na manhã seguinte, Abraão levantou-se… Levou consigo dois de seus servos e Isaque, seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado. (Gênesis 22:3)

Após três dias de viagem eles chegaram até a montanha. Então

Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.  Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.  (Gênesis 22: 9-10)

Abraão estava pronto para obedecer a Deus.  Naquele exato momento algo extraordinário aconteceu

Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: “Abraão! Abraão!”

“Eis-me aqui”, respondeu ele.

“Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.”

13 Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar de seu filho. (Gênesis 22:11-13)

No último momento Isaque foi salvo da morte e Abraão viu um carneiro e o sacrificou no lugar do filho. Deus havia provido um carneiro e o carneiro assumiu o lugar de Isaque.

Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta. Neste momento da história o carneiro está vivo ou morto?

Por que faço a pergunta? Porque Abraão irá agora dar um nome àquele lugar, mas a maioria das pessoas perde sua importância. A história continua…

Abraão deu àquele lugar o nome de “O Senhor proverá“. Por isso até hoje se diz: “No monte do Senhor se proverá”. (Gênesis 22:14)

Outra pergunta: O nome que Abraão deu ao local (“O Senhor proverá”) está no tempo passado, presente ou futuro?

Olhando para o futuro, não para o passado

O tempo verbal claramente é futuro. Muitas pessoas pensam que Abraão, ao dar nome àquele lugar, estava pensando no carneiro preso nos arbustos e que fora providenciado por Deus e então sacrificado em lugar se seu filho Isaque. Mas quando Abraão deu o nome o carneiro já estava morto e sacrificado. Se Abraão estivesse pensando naquele carneiro – já morto e sacrificado – ele teria chamado o local de ‘O Senhor proveu’ – no tempo verbal passado. E o momento final o texto diria: “Por isso até hoje se diz: ‘No monte do Senhor se proveu’”. Mas o nome olha para o futuro, não para o passado. Abraão não esta pensando no carneiro morto. Ele está dando o nome pensando em outra coisa – no futuro. Mas o que?

Onde fica aquele lugar?

Lembre-se de onde este sacrifício aconteceu, contado no inicio da história:

(“Pegue Isaque… Leve-o até a terra de Moriá”)

Isto aconteceu no ‘Moriá’. Onde fica isto? Era um deserto na época de Abraão (2000 AC), com apenas alguns arbustos, um carneiro e Abraão e Isaque naquela montanha. Mas mil anos depois (1000 AC) o Rei Davi construiu a cidade de Jerusalém ali, e seu filho Salomão construiu o Primeiro Templo Judaico ali. Nós lemos posteriormente no Antigo Testamento que:

Então Salomão começou a construir o templo do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá… (2 Crônicas 3:1)

O monte Moriá se tornou Jerusalém, a cidade judaica com o Templo judaico. Hoje é um lugar sagrado para o povo judaico, e Jerusalém é a capital de Israel.

O Sacrifício de Abraão e Jesus

Vamos pensar um pouco acerca dos títulos de Jesus. O titulo mais bem conhecido de Jesus é ‘Cristo’. Mas ele teve outros títulos, tais como

No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (João 1:29)

Jesus também foi chamado ‘O Cordeiro de Deus’. Pense acerca do final da vida de Jesus. Quando ele foi preso e crucificado? Foi em Jerusalém (que eh o mesmo lugar que o ‘monte Moriá‘). Ficou bem claramente estabelecido que:

Quando ficou sabendo que ele era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também estava em Jerusalém naqueles dias. (Lucas 23:7)

A prisão, julgamento e morte de Jesus foram em Jerusalém (= monte Moriá). A sequência dos acontecimentos mostra que eles aconteceram no monte Moriá.

Principais acontecimentos no monte Moriá
Principais acontecimentos no monte Moriá

Voltemos a Abraão. Por que ele deu o nome àquele lugar no tempo verbal futuro ‘O SENHOR proverá’? Isaque fora salvo no último momento quando um cordeiro foi sacrificado em seu lugar. Dois mil anos mais tarde, Jesus é chamado ‘Cordeiro de Deus’ e ele é sacrificado no mesmo local – para que eu e você também possamos viver.

Um Plano Divino

É como se uma Mente associasse estes acontecimentos que estão separados por 200 anos de história. O que torna a relação singular é que o primeiro acontecimento aponta para o último acontecimento pelo nome no tempo verbal futuro. Mas como Abraão poderia saber o que aconteceria no futuro? Nenhum ser humano sabe o futuro, em especial um futuro tão distante. Somente Deus pode conhecer o futuro. Prever o futuro e fazer com que estes acontecimentos sejam realizados no mesmo lugar é evidencia de que este não é um plano humano, mas um plano de Deus. Ele quer que pensemos acerca disso da maneira abaixo

O sacrifício de Abraão no monte Moriá é um sinal que aponta para o sacrifício de Jesus
O sacrifício de Abraão no monte Moriá é um sinal que aponta para o sacrifício de Jesus

Boas Novas para todas as nações

Esta história tem uma promessa para você. No final desta história Deus promete a Abraão que:

“e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”. (Gênesis 22:18)

Se você pertence a uma das ‘nações da terra’, então esta é uma promessa para você, uma promessa de ‘benção’ de Deus.

Então, o que é esta ‘benção’?  Como você alcança esta promessa? Pense na história. Assim como o carneiro salvou Isaque da morte, da mesma maneira Jesus, o Cordeiro de Deus, por seu sacrifício no mesmo lugar, nos salva do poder da morte. Se isto for verdadeiro, certamente isto é boas notícias.

O sacrifício de Abraão no Monte Moriá é um acontecimento importante na história primitiva. Ele é lembrado e comemorado hoje por milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas esta também é uma história para você vivendo 4000 anos mais tarde.

 

Obtendo a Retidão – O exemplo de Abraão

Previamente nós vimos que Abraão obteve a retidão simplesmente ao acreditar. Isto foi afirmado na curta frase:

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.  (Gênesis 15:6)

Crença não tem a ver com a existência de Deus

Pense no que ‘acreditar’ significa. Muitas pessoas pensam que ‘acreditar’ significa acreditar que Deus existe. Pensamos que Deus quer que acreditemos que Ele está ali. Mas a Bíblia afirma de maneira diferente. Ela diz:

Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! (Tiago 2:19)

Aqui a Bíblia está empregando sarcasmo para dizer que simplesmente acreditar que Deus existe nos torna toa bons quanto o Diabo. É verdade que Abraão acreditou na existência de Deus, mas este não é o ponto de sua retidão. Deus prometeu a Abraão que Ele lhe daria um filho. Era esta promessa que Abraão tinha que escolher acreditar ou não – mesmo quando ele sabia que ele era um octogenário e sua esposa era septuagenária. Ele acreditou que Deus de alguma forma cumpriria a promessa feita a ele. Crença, nesta historia, significa confiança. Abraão escolheu confiar em Deus por um filho.

Quando Abraão escolheu acreditar naquela promessa de um filho então Deus também lhe deu – ‘creditou’ – retidão. No fim, Abraão obteve tanto o cumprimento da promessa (um filho a partir de quem uma grande nação viria) e também retidão.

Retidão – não do mérito ou esforço

Abraão não ‘mereceu’ a retidão; ela lhe foi ‘creditada’.  Qual é a diferença? Se você ‘ganha’ algo é porque você trabalhou por aquilo – você mereceu. É como ganhar salário pelo trabalho que você faz. Mas quando algo lhe é creditado, tal coisa lhe é dada. Não é algo ganho ou merecido, mas simplesmente recebido.

Pensamos que fazer mais coisas boas do que ruins, fazer bons atos ou cumprir as obrigações nos permite merecer ou ser dignos da retidão. Abraão prova que essa ideia é falsa. Ele não tentou ganhar a retidão. Ele simplesmente escolheu acreditar na promessa que lhe foi feita, e a retidão lhe foi dada.

A Crença de Abraão: Ele apostou sua vida nela

Escolher acreditar na promessa de um filho era simples, mas não era fácil. Quando  ele primeiramente recebeu a promessa de uma ‘Grande Nação’ ele tinha 75 anos de idade e havia deixado seu país natal e viajado para Canaã.  Quase dez anos se passaram e Abraão e Sara ainda não têm um filho – muito menos uma nação! “Por que Deus já não nos deu um filho se ele pode nos dar”?, ele teria imaginado. Abraão acreditou na promessa de um filho porque ele confiou em Deus, ainda que ele não entendesse tudo acerca da promessa, e nem tivesse todas as suas perguntas respondidas.

Acreditar na promessa exigia espera ativa. Toda sua vida foi interrompida enquanto ele vivia em tendas esperando pela promessa. Teria sido muito mais fácil criar desculpas e voltar para casa na Mesopotâmia (atualmente no Iraque) que ele havia deixado muitos anos atrás, e onde seu irmão e família ainda viviam. A vida era confortável lá.

Sua confiança assumiu a prioridade sobre seus objetivos normais na vida – segurança, conforto e bem-estar. Ele poderia ter desacreditado na promessa enquanto ainda acreditava na existência de Deus e continuava suas atividades religiosas e boas ações. Então ele teria mantido sua religião, mas não teria sido ‘creditado’ com retidão.

Nosso Exemplo

O restante da Bíblia trata Abraão como um exemplo para nós. A crença de Abraão na promessa de Deus, e o fato dele ter sido creditado com retidão, é um padrão para nós. A Bíblia tem outras promessas que Deus faz para todos nós. Nós também temos de escolher se confiaremos nelas.

Eis aqui um exemplo de tal promessa:

Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,  os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus. (João 1:12-13)

Hoje sabemos que a promessa a Abraão se cumpriu. É inegável que o povo judeu hoje existe como a nação que veio de Abraão. Mas como Abraão nós enfrentamos uma promessa hoje que parece improvável e suscita algumas perguntas. Como Abraão, nós escolhemos confiar nesta promessa – ou não.

Quem paga pela Retidão?

Abraão mostrou que a retidão é dada como um presente. Quando você recebe um presente você não paga por ele. O presenteador é quem paga. Deus, o doador da retidão, terá de pagar pela retidão. Como Ele pagará por ela? Veremos isso em nosso próximo artigo.

A Promessa Perene a um Homem Desconhecido

O que o mundo presta muita atenção hoje no esporte e politica será rapidamente esquecido conforme nossa atenção se mudar para outros entretenimentos, campeonatos ou acontecimentos políticos. O destaque de um dia rapidamente é esquecido no dia seguinte. Vimos em nosso  artigo anterior  que foi exatamente isso o que aconteceu no tempo de Abraão. As importantes realizações que chamavam a atenção do povo vivendo 4000 anos atrás estão totalmente esquecidas, mas uma promessa dita calmamente a um individuo, apesar de negligenciada pelo mundo na época, está crescendo e ainda se desenrolando diante de nossos olhos. A promessa feita a Abraão cerca de 4000 anos atrás se cumpriu. Talvez Deus exista e esteja trabalhando no mundo.

A Reclamação de Abraão

Vários anos se passaram na vida de Abraão desde que  a Promessa registrada em Gênesis 12  foi dita.  Em obediência, Abraão se mudou para Canaã (a Terra Prometida) no local que hoje é Israel, mas o nascimento do filho da promessa não aconteceu. Então Abraão começou a se preocupar.

Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: “Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa! ”

Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me dá, é continuo sem filhos e o pastor que é possível Eliézer de Damasco?” E acrescentou: “Tu não me deste cão filho! Um servo da minha casa será o meu herdeiro! (Gênesis 15:1-3)

A Promessa de Deus

Abraão estava acampando do lado de fora da Terra esperando o inicio da ‘Grande Nação’ que lhe fora prometida. Mas nada aconteceu e ele estava com aproximadamente 85 anos de idade (dez anos havia se passado desde o tempo que havia se mudado). Ele reclamou que Deus não estava mantendo Sua Promessa.  A conversa entre Abraão e Deus continuou:

Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”. Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: “Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: “Assim será a sua descendência”. (Gênesis 15:4-5)

Então Deus expandiu Sua Promessa inicial ao declarar que Abraão teria um filho que se tornaria um povo tão incontável quanto as estrelas no céu. E estas pessoas receberiam a Terra Prometida – hoje chamada Israel.

A Resposta de Abraão: Efeito Eterno

Como Abraão responderia à Promessa expandida? O que vem a seguir é uma frase que a própria Bíblia trata como uma das frases mais importantes em toda a Bíblia. Ela nos ajuda a entender a Bíblia e mostra o coração de Deus. Ela diz:

Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça. (Gênesis 15:6)

É mais fácil entender esta frase se substituirmos os pronomes por nomes, a frase ficaria assim:

Abrão creu no Senhor, e o Senhor creditou isso como justiça a Abrão. (Gênesis 15:6)

É uma frase muito curta e simples, mas ela é realmente importante. Por quê? Porque nesta curta frase Abraão obtém ‘justiça’. Esta é uma qualidade – e a única qualidade – que precisamos para alcançarmos posição favorável diante de Deus.

Revisando nosso Problema: Corrupção

A partir do ponto de vista de Deus, embora tenhamos sido criados à imagem de Deus algo aconteceu  que nos corrompeu.

O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens…Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. (Salmos 14:2-3)

O resultado da nossa corrupção é que não fazemos aquilo que é bom – causando vazio e morte.  Se duvidar disto, leia as manchetes dos noticiários e veja o que as pessoas fizeram nas últimas 24 horas. Isto significa que estamos separados do Deus Reto porque carecemos de retidão.

Nossa corrupção repele a Deus da mesma maneira que nos afastamos do corpo de um rato morto. Não queremos chegar perto do rato morto. Então as palavras do profeta Isaias na Bíblia se cumprem.

Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe. (Isaias 64:6)

Abraão e Retidão

Mas aqui na conversa entre Abraão e Deus vemos uma calma declaração que Abraão havia ganhado ‘retidão’, do tipo de retidão que Deus aceita – ainda que Abraão não estivesse sem pecados. Então, o que Abraão ‘fez’ para obter essa retidão? O texto simplesmente diz que Abraão ‘acreditou’. Só isso?! Tentamos merecer a retidão ao fazer algo, mas este homem, Abraão, a alcançou simplesmente ao ‘acreditar’.

Mas o que acreditar significa? E o que isto tem a ver com sua retidão e a minha? Abordaremos isso a seguir.

A jornada de um ancião que nos afeta hoje em dia…

Embora Israel seja um país pequeno, ele esta sempre nas noticias. Essas noticias continuam a apresentar e relatar sobre os judeus que se mudam para Israel, sobre sua tecnologia inventada e também sobre conflitos, guerras e tensões em torno das pessoas. E o por que? Se olharmos a um tempo atrás para a história de Israel no livro de Gênesis, na bíblia, que revela que há 4000 anos atrás um homem adentrou em uma jornada nesta mesma parte do mundo,[Israel], que agora é muito bem conhecida. Na Bíblia dizia que a história deste homem afetaria o nosso futuro.

Este ancião é Abraão, (também conhecido como Abrão). Podemos considerar seriamente esta história, porque os lugares e cidades que ele visitou são citadas em outras antigas escrituras.

Promessa para Abraão…

Deus fez uma promessa para Abraão

“Farei de você um grande povo, e o abençoarei;

Tornarei famoso seu nome, e você será abençoado;

Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que os amaldiçoarem;

E por meio de você todos os povos da terra serão abençoados’’.

O nome de Abraão tornou-se famoso  (Gênesis 12 2-3)

A maioria de nós quer saber se existe um Deus e se ele realmente é o Deus da bíblia. Na bíblia Deus diz,‘’Tornarei famoso teu nome’’. E hoje o nome de Abraão e conhecido no mundo todo. A promessa tornou-se realidade, e na copia mais antiga de Gênesis encontrada nos manuscritos do mar morto e datada 200-100 A.C o que significa que a promessa tem sido escrita desde então. Naquele tempo o nome de abrão não era bem conhecido por isso a promessa tornou- se realidade somente depois que ele foi escrito.

… Por meio desta grande nação

Surpreendentemente Abrão realmente não tinha feito nada importante na vida dele, ele não foi um grande escritor,rei, inventor ou líder militar. Ele não fez nada exceto acampar, onde lhe foi dito para ir e foi como um pai para algumas crianças. Seu nome ficou famoso porque essas crianças tornaram-se nações que mantiveram o registro de sua vida e depois os individuos e as nações que vieram com ele tornou-se grande. Isto é exatamente como foi prometido em Gênesis 12 (Farei de você um grande povo… tornarei famoso o seu nome). Ninguém em toda história é tão conhecido só por causa de seus descendentes ao invés de grandes realizaçõess em sua própria vida.

… Através da vontade do criador

Os Judeus qual descendem de Abraão nunca foram realmente umas das nações que viríamos com grandeza, pois eles não conquistaram um grande império como fizeram os romanos ou construirão um grande monumento como fizeram os Egipcios ao contruirem suas pirâmides. Sua fama veio a partir da lei e do livro que eles escreveram a partir de alguns individuos notáveis que era Judeus e sobreviveram como um grupo de pessoas um tanto diferente para a época. Não se tornaram grande por causa de qualquer coisa que fizeram, mais o que foi feito para e por meio deles. A promessa diz repetidamente que “Eu vou” Sua única grandeza aconteceu por que Deus fez isso acontecer ao invés de alguma conquista ou poder próprio.

A promessa de abraão veio ser verdade por que ele confiou na promessa e escolheu viver diferentemente dos outros. Pense em como era provável esta promessa falhar mas em vez disso ela se tornou realidade e continua revelando como foi declarado a mil anos atrás. Mais o ponto forte é que esta promessa só se tornou realidade pelo poder e autoridade do nosso Criador.

A jornada que ainda estremece o mundo

Abraham trek
Esse mapa mostra a jornada de abraão.

 

A biblía então diz, “ Então abrão partiu como o senhor lhe havia dito”, (V.4). Ele iniciou sua jornada, mostrada no mapa que ainda esta fazendo história.

Bençãos pra nós

Há algo mais prometido também. A bençãpo não era só para abrão, diz que; “Por meio de você todos os povos da terra serão abençoados”(por meio de abrão), nós deveriamos prestar mais atenção por que eu e você somos parte de “todos os povos da terra”, sem importar nossa religião ou cor, conhecimento ou nacionalidade, estatus social ou a lingua que falamos, esta promessa é uma benção que inclui todos vivos hoje! Como? Quando? Que tipo de benção?Isto não esta claramente explicado aqui, mais uma vez que sabemos que as primeiras partes desta promessa se tornou realidade, nós podemos ter confiança de que esta última parte também tornará realidade!.